terça-feira, 8 de abril de 2014

Cenas de um nascimento

Hoje a Maria completava 40 semanas de gravidez, tinha consulta marcada para as 8h30. Estava de baixa há uma semana (sim, trabalhou nos Cuidados Intensivos até às 39 semanas!). Ontem brincámos a dizer que nasceria hoje, porque, tal como foi da Luisinha, ambos tínhamos cortado o cabelo e as amigas Francisca e Joana tinham vindo cá a casa na véspera. Adormeci a escrever mentalmente um post que hoje poria no blogue, a contar que já estávamos nas 40 semanas e que estava tudo a postos (entreguei tradução, deixei o trabalho sem grandes pendentes, a casa estava preparada e os avós maternos já tinham voltado do Brasil).

Acordou às 3 da manhã com contracções e foi aguentando. A Luisinha, como que a pressentir, acordou pouco depois, fez fita (agora acorda a meio da noite a dizer que não quer dormir mais), mas a Maria lá conseguiu voltar a adormecê-la, na nossa cama. Lá para as 6 da manhã, levantou-se, tomou banho e tomou o pequeno-almoço, nas calmas. Às 7h saiu A PÉ para o Hospital, convencida de que tudo iria demorar muito tempo, como as 12 horas do primeiro parto, e que eu teria tempo de acordar normalmente, preparar a Luisinha e levá-la ao infantário, e só depois ir ter com ela. Deixou-me este bilhete:
Note-se como primeiro vêm as instruções para preparar a Luisinha e só depois,
tipo pormenor, "vou directa às urgências... já te vou contando."
Acordei às 7h32, com o telemóvel a tocar na minha cabeceira, de um número desconhecido. «Estou a ligar-lhe do hospital, das urgências, a sua mulher já está aqui e vai subir para o bloco de partos, é melhor vir depressa.» Vieram-me à mente umas quantas asneiras, "só a Mary é que me faz destas..." Telefonei aos sogros, para virem depressa ficar com a Luisinha, e arranjei-me a correr. Fui para o Hospital a voar, de mota, a pensar "será que ainda chego a tempo?"

A senhora do guichet pediu-me para esperar que me chamassem e bitaitou: "se calhar já não vai poder assistir, como ela já entrou para o bloco de partos..." Como aprendi com o meu sogro a não me ficar com um "não", subi até ao piso do bloco, decidido a fazer marcação cerrada ao parto. Afinal ainda lhe estavam a pôr a epidural, já me chamariam. E assim foi: às 8h30 estava a vestir a bata verde para entrar na sala onde tudo se ia passar. Dei conta de que não tinha comido nada e, como sou hipersensível a sangues e afins, receei que, nalgum momento de maior tensão, pudesse cair redondo na sala de partos. Mas não, a Maria foi uma valente a fazer força e o Manel foi um despachado a sair, por isso nem deu tempo para mariquices! Às 8h55 ouvimos o seu primeiro choro e vimo-lo pela primeira vez!
Aqui fica a primeira foto. Não sendo fantástica,
ficará para a história como a primeira.
E assim foi, graças a Deus correu tudo bem e mãe e filho estão com muito boa cara, e na quinta-feira já devem ir para casa!
E cá está ele, já mais compostinho!
E aqui com os olhos abertos...

Tudo a postos!


sexta-feira, 14 de março de 2014

Terrores nocturnos

Há dias apanhámos um grande susto com a Luisinha. Na consulta dos 2 anos, entre um rol de coisas que podiam acontecer nesta idade, o Dr. Mário Cordeiro tinha-nos falado em "terrores nocturnos" e eu tinha assimilado como "ok, vai acordar de vez em quando com pesadelos". E já tinha acontecido um par de vezes ela chorar durante a noite, mas episódios curtos até voltar ao sono (ou, pelo menos, sem termos de acender a luz).

Sábado ficou cá um amiguinho a dormir, e passado uma hora de terem ferrado no sono ouvimos um berreiro no quarto dela. Ironia das ironias, estávamos nesse momento os dois no computador e eu tinha pedido à Maria para me mostrar no Facebook o famoso "Grupo das Mães", para me rir um pouco com o que por lá se pergunta (acho muito útil a troca de experiências, mas o detalhe e grau de exposição de algumas é qualquer coisa).
Para não acordar o Tomás, pegámos na Luisinha ao colo para a acalmar no nosso quarto, e foi aí que ficámos preocupados: ela só berrava "não" e "não quero", sempre a chorar, tentava afastar-nos, batia-nos quando nos aproximávamos, com os olhos abertos, como se estivesse a ver em nós os monstros do seu pesadelo; a imagem, sem querer chocar, era a de estar "possuída" e a sensação de ela não nos estar a reconhecer era desesperante. Quase tememos que rodasse a cabeça como a menina do filme! Lembrei-me então de a minha Mãe me contar um episódio em que estava à conversa com amigas, à noite, uma delas adormecer primeiro e de repente começar a falar com as outras, continuando, no entanto, a dormir; ou seja, eu sabia que era possível uma pessoa estar de olhos abertos e a falar (ou berrar), mas na verdade estar a dormir, e com isso tentei acalmar a Maria. Será que os terrores nocturnos são isto?, pensámos.

E era. Num momento de acalmia, vim confirmar o diagnóstico com o meu amigo Google, e curiosamente fui parar a um artigo do Mário Cordeiro no site da Pais & Filhos, que dizia: 

No terror nocturno, a criança grita – muitas vezes um autêntico grito de terror, mas ao contrário do pesadelo, em que o próprio está assustado, quem fica mais receoso, neste caso, são os pais -, senta-se, está agitada, parece estar a lutar contra monstros ou «possuída», às vezes quase alucinada. Mas não está acordada, como nos pesadelos.

Quando os pais se aproximam, a criança parece não perceber quem eles são e até os afasta, com comportamentos que parecem ilógicos. «Então nós estamos lá e ela parece que não nos quer!» - Quantas vezes já ouvi isso. O que acontece, no terror nocturno, é uma mudança do ciclo de sono, com um estádio que nem é de dormir nem é de acordar, uma zona cinzenta que não dá para perceber a realidade como é, mas que a inclui no sonho – e os pais podem parecer os hipotéticos monstros que a perseguiam. Tentar acalmar não resulta, para desespero dos pais – mas nunca se esqueçam que, por paradoxal que pareça, aquela figurinha a mexer-se, a gritar e a espernear, não está a sentir medo. Repito: um terror nocturno não é um pesadelo. Muitas vezes não fazer nada é a melhor solução e a criança volta a deitar-se e a dormir.

Li também que era mais frequente em momentos de maior cansaço (tinha passado o dia a brincar, sem dormir sesta) e de maior stress emocional, como o nascimento de um irmão. Bingo!

Entretanto, a Luisinha tinha acordado - isto é, de repente "viu a luz" e começou a responder normalmente à Maria, mas confusa e assustada. Não queria por nada voltar a dormir, embora estivesse podre de sono. Quando finalmente conseguimos que adormecesse, passou o resto da noite com uma respiração soluçante. Por isso recomendam que, nestes casos, em vez de os tentarmos acordar, os deixemos chorar à vontade, sem intervir muito, porque voltam a ferrar no sono por si - o sono de onde, na verdade, nunca saíram. Desta vez não era uma hipótese para nós, mas da próxima já sabemos como agir!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A fada Luísa

A Luisinha achou tudo um bocado estranho. Vestiu e despiu 20 vezes as roupas de fada até chegarmos ao infantário, estarreceu ao entrar no portão e ver um maralhal de mascarados em lutas de serpentinas no recreio (a foto foi tirada nessa altura), mas depois lá ficou divertida a brincar na sua sala.
Entre o diário apressar a Luisinha para chegarmos a horas (sem nunca o conseguirmos), a frágil qualidade dos adereços do chinês e a falta de jeito para compor asas, saia e penteado, ficou mais uma vez demonstrado que este pai não nasceu para Carnavais...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Amadeu

O meu avô chamava-se Amadeu e teve 17 filhos. A minha mãe foi a sétima filha, aliás, a primeira filha depois de seis rapazes. O terceiro rapaz chamava-se Amadeu, nome que também deu a um filho, que por sua vez também tem um filho Amadeu.

A casa do Tio Amadeu era paragem obrigatória quando vínhamos ao Porto, e muitas vezes lhe "cravámos" a casa de Vila do Conde para ficarmos alojados nas vindas ao Norte. Pai de 10 filhos (um deles falecido com apenas 4 anos), avô de 16 netos e bisavô de 4-quase-5, gostava de números e datas, e tinha um gosto especial pelas coisas da família. Na última vez que dormi em sua casa, há 2 anos atrás, estava em pulgas com a publicação de um artigo sobre a nossa família numerosa na revista Sábado. E posso ter dado uma ajuda indirecta para o aumento do seu clã, ao juntar o meu amigo-quase-irmão Pedro com a sua neta Isabel.
Na semana passada, fomos alertados pelas filhas de que o Tio estava muito mal, e vim com a Mãe ao Porto fazer-lhe uma última visita. Já quase não falava, mas, ao ver-me, saudou-me como sempre nos saudava: «Ilustre!», com a engraçada dicção dos meus tios mais velhos, que trocam os "r" por "g". «Ilustgue!»

Fiquei também confortado pela dignidade de uns últimos dias passados em casa, sem tubos nem tratamentos inúteis, na companhia dos filhos que se revezavam para nunca o deixar só.

Além do conforto dos filhos, o Tio morreu segurando um pequeno crucifixo, que a minha Mãe lhe trouxe há dias. O mesmo que um filho seu segurava quando morreu, o mesmo que outra priminha minha segurava quando morreu, o mesmo que o meu avô segurava quando morreu. Curiosamente, depois de ser amparo nesses 3 momentos, o Tio teve a sageza de oferecer o crucifixo ao meu pai, meses antes da sua conversão (mais uma passagem).

São pequenos sinais e grandes exemplos que são fermento de Fé e tornam esta família mais forte, nas alegrias e nas tristezas. O Tio Amadeu foi, sem dúvida, alguém que soube viver centrado no essencial, e é esse testemunho que sobretudo lhe agradeço na despedida.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Magia de São João Bosco

Esta noite vou baldar-me a Alvalade (que seca isto de não sermos ubíquos, até porque me dava jeito um terceiro que ficasse em casa a traduzir) para ir a um espectáculo de magia na Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres. Vamos sobretudo porque um dos ilusionistas é o meu irmão João, e pelo que vi numa rápida pesquisa sobre o Nuno André também é um grande artista.
O tema é a vida de São João Bosco, que, em criança, ajudava a família trabalhando como mágico, tornando-se por isso padroeiro dos mágicos (o dia da sua memória, 31 de Janeiro, é também o Dia Mundial do Mágico).
É às 21h15 e estão todos convidados!

Na ressaca do Valentim

Mesmo não ligando peva ao São Valentim, a verdade é que não resistimos a comprar uma gracinha para dar um ao outro.
A Maria apostou uma vez mais em roupa interior, e não duvido que a recorrente figura do Homer nos seus presentes, neste caso a brincar com a Maggie, seja uma analogia à minha proeminente... qualidade de pai extremoso, só pode!
Eu ofereci-lhe o livro "Felizes para Sempre e Outros Equívocos Acerca do Casamento", do pastor baptista, músico rock-folk-punk e blogger Tiago Cavaco. Vá, confesso, eu queria muito ler o livro e aproveitei a ocasião para me auto-presentear indirectamente, mas tenho a certeza que a Maria também vai gostar. 

É muito bom ser namorado e, garanto-vos, muito melhor sê-lo depois de casado! Não é só uma questão de papel passado, como dizem os cépticos, mas o assumir diariamente que queremos que o horizonte seja mais do que um mero "infinito enquanto dure". 
E não julguem que as coisas perdem a graça com o tempo. Dou-vos um exemplo fresquinho: depois de ter feito o turno da noite, a Maria chegou a casa hoje de manhã e apanhou-me na cama com outra. Não é que acabámos os três a tomar juntos o pequeno-almoço?!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Premonições ao almoço

Desde que começámos a apertar mais o cinto, eu e os meus colegas de trabalho do MSV trocámos os menus económicos das tasquinhas da Baixa pelo ritual do almoço trazido de casa, aquecido no micro-ondas e comido em ambiente familiar, com mesa posta e tudo. Na maioria das vezes, acabo por ser anti-social e não participo na refeição conjunta, ou porque não levei almoço e desço antes ao café para um salgadinho, ou por desleixo acabo mesmo por saltar a refeição. 
Quando me junto aos demais comensais, a conversa é sempre animada, mas há dias houve dois episódios que me fizeram ficar com medo do próximo almoço.

Da primeira vez, estávamos em aceso debate sobre os nossos tipos de massa favoritos - esparguete, cotovelos e por aí fora -, quando alguém falou num tipo de pasta que se chama "radiadores". E mais ninguém sabia da existência de tal coisa, umas massinhas em forma de radiador do motor de um carro. Que coisa mais ridícula, lembro-me de pensar, e de até fazer a analogia com as massas fálicas (para despedidas de solteira, suponho) que se vendem na Ale Hop. Os radiadores seriam o equivalente para os nerds da mecânica. Nessa noite, abro o armário-despensa lá de casa, e o que encontro eu?
Ora bem, este pacote de radiatori que a Maria tinha encontrado em promoção no supermercado. China men, que coincidência!, pensei.

Passados dois ou três dias, uma amiga contava que, para limpar mais a fundo as paredes de casa - retirar as marcas dos móveis e dos quadros - tinha comprado uma "esponja mágica" e que tinha sido super-eficaz. E logo pensei com os meus botões que era uma dica a reter, para quando chegasse o momento - pelo qual todas as crianças passam - em que a Luisinha resolvesse fazer uma obra de arte nas paredes da nossa casa. 
Nesse mesmo dia, ao serão, a petiza apanhou-se sozinha no corredor por uns minutos, e quando demos por ela já tínhamos duas paredes ornamentadas por uma espécie de Mirós, sem termos de ir ao leilão do BPN. Lá lhe demos o devido raspanete, disfarçando a vontade que tínhamos de rir pelo disparate, e a Maria perguntou: "E agora, como é que vamos tirar isto?" Armado em Dona de Casa Perfeita, respondi logo: "Há umas esponjas no Continente que apagam tudo!" E, de facto, com a "Esponja Mágica" as paredes voltaram à sua alvura original.

Eu é que fiquei assustado. E se, no próximo almoço, começam a falar de doenças, ou do Benfica ganhar o campeonato, ou de ter animais em casa? Fico lixado... Pelo sim, pelo não, acho que vou almoçar sozinho por uns tempos.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Três anos e meio

Quando há bocado escrevi que tínhamos a mota há três anos e meio, fiz as contas por alto. Mas agora, quando a Maria me trouxe um chá na "caneca da Vespa" e a pousou numa base com motivos dos "lenços dos namorados" (tema dos convites e mesas do nosso casamento) é que olhei melhor para o calendário e vi que o nosso 31 de Julho foi há exactamemente 3 anos e meio!
Como podem ver, continuo a ser muito bem tratado, com direito a chazinho e tudo, para aquecer um serão de tradução pela noite dentro (se conseguir parar de escrever posts!). Espero estar a ser um marido igualmente atencioso. E, pegando nestes 2 objectos simbólicos, desejo que, pela vida fora, come what may, continuemos a ser bons namorados e que continue "tudo a andar de mota"!

Diá-Lu-gos #4

Eu no portátil a traduzir, a Luisinha sentada na cadeira ao lado, a fingir que estava a falar ao telemóvel com uma Carolina que eu não estava a ver quem poderia ser (não há nenhuma Carolina na turma dela, pensei).
Lu termina o "telefonema" e diz: - Eu tenho três manas.
Eu: - Ah, sim? E quem são?
Lu: - Uma chama-se Carolina e a outra chama-se Matilde. (Afinal são duas manas e ela própria, logo três.) Elas moram na praia!
Eu, cada vez a achar mais que era pura fantasia: - Na praia? Que sorte!
Lu: - Eu também moro na praia. E depois vamos as três ao carrossel...
Caiu-me a ficha. Já foi há 5 meses, e ainda não voltámos a estar com a Carolina e a Matilde, que não moram na praia, mas são filhas de amigos com quem costumamos estar na praia. Mas dá para ver como, desde muito cedo, o Verão têm um lugar muito especial nas nossas memórias!

Grande Ruben!

E por falar na Glam, quando há uns meses lançámos o livro do Juca, a reverter para a Casa das Cores, tivemos como embaixadores da campanha a Carla Rocha da RFM, a Oceana Basílio (do Bem-Vindos a Beirais) e o Ruben Amorim do Benfica (todos agenciados pela Glam).

Estava previsto que fossem todos ao lançamento do livro, na KidZania, e que o Ruben Amorim visitasse a Casa das Cores por esses dias. Mas, na véspera do lançamento, houve aquele Benfica-Sporting que foi um jogão (4-3, embora a pender para o lado errado) e ele lesionou-se no joelho e não pôde estar connosco. 

Evitamos levar visitas à Casa quando as crianças estão, porque é o espaço de privacidade onde elas vivem e já tem corrupio de gente que chegue. O apoio das empresas é fundamental para a Casa funcionar, e muitas vezes pedem-nos para a visitar (e nós temos orgulho em mostrá-la), mas tentamos que essas visitas institucionais aconteçam quando os miúdos estão na escola, para que essa parte da angariação lhes passe mais ao lado. Claro que, quando sabemos que é uma experiência gira para as próprias crianças, abrimos a excepção, e este era um desses casos. Os miúdos ficaram com pena da primeira vez que o Ruben não pôde ir, porque são todos do Benfica, e reagendámos a visita para a passada sexta-feira.
E foi de uma simpatia total! Respondeu às perguntas dos nossos aspirantes a futebolistas, visitou o quarto pela mão deles, e distribuiu fatos de treino por todos. Discreto, humilde, brincalhão e atento a fixar os nomes de todos, e não só: passados uns dias, teve o bonito gesto de mandar uma mensagem de parabéns à O. no dia dos seus anos. Como ele bem disse, quando lhe perguntaram se era muito chato estar lesionado e não poder jogar, "sim, mas há problemas bem mais importantes do que esses".

Não lhe pude desejar muito sucesso desportivo a nível colectivo, já se sabe, mas a nível pessoal desejei que tivesse mais oportunidades para jogar no Benfica (merecia) e que fosse convocado para o Mundial. E não perdi a ocasião para a foto da praxe, com a Luisinha que também foi a reboque do pai. 

Lambreta Glamorosa

Quando casámos, comprámos uma lambreta LML verde, de fabrico indiano e estilo vintage. Aliás, ofereceram-nos a mota, foi uma "vaquinha" entre vários amigos. A surpresa para todos, pais e sogros incluídos, foi a mota estar já à nossa espera à saída da igreja e ter-nos levado para o copo de água. Só por isso, ganhou logo um lugar especial na história! Começou, portanto, por ser uma mota amorosa
Passados três anos e meio, e apesar do acidente, continua a ser um prazer guiá-la todos os dias, faça sol ou faça chuva, de Entrecampos até à Baixa, e onde mais a vida nos leva. Tem sido mais a mim do que a nós, porque gravidez e maternidade não ligam bem com motas.

Às vezes, nos semáforos, perguntam-me se a mota é antiga e explico que não, que foi comprada nova há pouco, mas que segue o molde da Vespa PX, que existe desde 1977 (a fábrica indiana teve uma parceria com a Piaggio até 1999, daí as afinidades e acessórios intercambiáveis).
Outras vezes, a coisa tem ainda mais piada. Uma vez, no Chiado, uma equipa da RTP pediu-me para fazer uns takes da mota, para encaixar numa reportagem sobre a zona. E agora tornou-se estrela fotográfica!
Por baixo do MSV são os escritórios da Glam, uma agência de celebridades com quem temos tido uma óptima relação: alguns famosos agenciados pela Glam têm dado a cara pelas nossas campanhas e, de vez em quando, podemos retribuir esse favor. Hoje, quando saía do prédio para almoçar, estavam 4 jovens modelos de gabardine e um fotógrafo à procura do melhor cenário, e perguntaram-me: "Esta mota é sua?" Logo me dispus a pô-la na posição mais conveniente, e lá os deixei na sessão fotográfica. Fico à espera de ver o resultado! A nossa mota é mesmo glam-orosa!

Tem razão, Tia Dada!

Desde os tempos do blogue de Londres, precursor deste, que tenho nas mães de duas grandes amigas, possivelmente, as mais fiéis e críticas leitoras. Digo "tenho", no presente, porque acredito mesmo que a Tia Kikas, lá em cima, nalgum intervalo entre as conversas "face a face" e o olhar pelos queridos filhos e netos, se continue a divertir com estas minhas postas de pescada (e continuo a sentir a sua boa pressão para escrever). Por sua vez, a Tia Dada não teve pejo em desancar-me na caixa de comentários do último post, a exigir-me mais assiduidade... e fez muito bem! Ora cá estou eu, que também sou leitor de dezenas de blogues e sei que tem muito mais piada chegar aqui e ter qualquer coisa nova para ler.

Pois bem, estou na recta final de uma tradução mais comprida (e interessante), que funciona mais ou menos como o mercado de transferências no futebol: depois de semanas a engonhar, nos últimos dias pingam todas as contratações (isto é, as páginas saem à velocidade da luz). E no MSV também estamos no mês em que se prepara a nossa maior campanha anual. Mais as entrevistas na rádio... Há dias em que me arrependo de querer tocar vários instrumentos ao mesmo tempo, mas ao mesmo tempo isto assim preenche-me muito mais! Mas vamos lá a isto, nada de desculpas!

E começo precisamente por fazer aqui uma mais que justa homenagem à Tia Dada e ao Tio Tó, à Ana e ao Filipe, que nos recebem sempre tão bem no seu distinto cantinho à beira-Arrábida plantado, como aconteceu uma vez mais este sábado. Não estou a dar graxa depois das galhetas que levei, é que é mesmo muito bom! Se o espaço já convida - a Luisinha, quando sabe que vai haver lá festa, começa logo a sonhar com o castelo insuflável e a piscina de bolas -, a atenção aos pormenores é tremenda e a mesa supera as mais ambiciosas fantasias pantagruélicas aqui do gordo (25 sobremesas, contei eu, vinte-e-cinco!, e não era só quantidade!). Não conheço mais ninguém que tivesse igual paciência para pôr de pé tais eventos... E o mais engraçado é que depois estão ali a conversar connosco, na boa, como se não tivessem suado as estopinhas para nós podermos usufruir daquele espaço e daquela mesa. Mas, muito mais do que os eventos, vale a proximidade, o partilhar das vidas e o sentirmo-nos em casa com eles. E já levamos 15 anos disto, o que não é nada pouco!

Desta vez não pude tirar fotografias, adiante vos contarei porquê, mas na festa anterior (que era mais especial, se assim podemos dizer) havia fotógrafa e saíram umas belíssimas chapas da nossa Luisinha, ora vejam:

E a fotografia mais gira que tenho com a Maria também foi tirada neste cenário, nesse dia:

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Praga, uma viagem "selfie"

Não é que seja preciso um pretexto para viajar, mas esta viagem a Praga surgia num momento especial: com a gravidez do Manuel a dois terços, era a (última) oportunidade para fazermos uma pausa a dois, antes de passarmos a ser quatro. 

Várias pessoas nos perguntaram se íamos para casa de alguém, e de facto, de todas as viagens que fiz com a Maria, era a primeira vez que não íamos ter com ninguém! Tínhamos ido a casamentos na Madeira, na Índia e na Guatemala, tínhamos visitado amigos nos Açores, em Londres, Barcelona, Berlim, Copenhaga ou Itália, e até na lua-de-mel no Brasil tínhamos passado uma parte do tempo com família e amigos. Mas desta vez íamos estar só nós, sem conhecer lá ninguém, num sítio que era novo para ambos. Uma viagem "selfie"!

Praga vinha muito bem referenciada e correspondeu por inteiro: monumental, bem estimada, fácil de percorrer, com boa comida, bons transportes e preços acessíveis. O nosso hotel, por exemplo, ficou a 19€ por noite, com pequeno-almoço incluído! Ficámos hospedados em Žižkov, um bairro com muitos restaurantes e bares, a 10 minutos de eléctrico do centro da cidade. Em 2 dias, visitámos o castelo, cruzámos várias pontes, subimos de funicular à colina de Petřín, assistimos ao desfile dos bonecos dos apóstolos no relógio astronómico da Praça da Cidade Velha, vimos o Menino Jesus de Praga e a Casa Dançante de Frank Gehry, e até descobrimos um café português para ver o Sporting! Ainda tentámos ir dar um passinho de dança, mas mal entrámos na discoteca que nos tinham recomendado sentimo-nos muito acima da média etária, e fugimos a correr dos "martelos" para nos refugiarmos num bar mais adequado à nossa provecta idade. E assim se passou o nosso fim-de-semana!

Noutras condições, ter-nos-ia sabido a pouco - não por ter ficado muito por ver, mas pelo gozo natural de andar no laré. Mas como tínhamos deixado cá a Luisinha, ainda que muito bem entregue, e a toda a hora falávamos dela, também soube muito bem o regresso!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

No Porto

Aproveitámos o facto de a nurse não trabalhar no primeiro fim-de-semana do ano para dar um passeio até à Invicta. Como éramos 3 casais e 2 meninas, optámos por ficar num apartamento (aliás, um loft) cheio de pinta, super central, que nos ficou ainda mais barato que as "pensões estrelinhas" onde costumamos ir parar (9€/noite por cada adulto!). Recomendo vivamente: Look at me.
A Luisinha a descansar neste banco original
Vista do andar de baixo
A mezzanine 
Quando chegámos ao Porto na sexta, já passava das dez, mas ainda havia fila de espera no Café Santiago. Se não tivéssemos crianças, teríamos esperado Não resistimos e esperámos a nossa vez de provar (uma vez mais) aquela que foi eleita pela TimeOut Porto como a melhor francesinha da cidade, e valeu a pena! Vale sempre, quando a fome não é pequena...
Contaram-me de manhã que tinha havido trovoada forte e chuva ininterrupta durante a noite, mas nada que interrompesse o meu sono pesado. De dia pouco choveu, e aproveitámos para percorrer a cidade no Yellow Bus (obrigado, Johnny!), com paragem em Gaia para o almoço. Na Foz, o mar estava especialmente forte e tirámos várias fotografias no mesmo local onde, dois dias depois, esta onda arrastou carros e um autocarro.
Ondas grandes na Foz
O jantar foi em casa do Pedro e da Isabel, onde estou sempre em família. A Luisinha gostou muito de brincar com a prima Isabelinha, embora ainda lutem pelos brinquedos, e ao longo da semana disse várias vezes que queria lá voltar para brincar com ela... e puxar-lhe os cabelos!
Domingo foi dia de missa (qualquer que seja a igreja escolhida, é inevitável encontrar um primo), de visita às exposições de Serralves, de conhecer o novo Mercado do Bom Sucesso, de fazer as despedidas e rumar a Lisboa, na certeza de que muito em breve teremos novos motivos para lá voltar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Senhor Extraterrestre

Estava a ouvir a Rádio Sim, depois de ter deixado a Luisinha no infantário, quando o meu amigo José Manuel Monteiro (que apresenta o "meu" Lusofonias) e a Inês Carneiro nos brindam com esta canção fantástica que eu desconhecia:
Aproveitei um sinal vermelho para mandar um sms ao Zé: "É excelente! Parece uma música do Herman..." Respondeu-me: "Sabes porque parece do Herman? Porque foi escrita pelo Carlos Paião!" Esse génio letrista, que além de escrever as suas músicas (há muito para conhecer, além da "Cinderela" e do "Pó de Arroz"), escreveu para o Herman (todas as do Serafim Saudade, a "Canção do Beijinho" e o "Bamos Lá, Cambada!") e para muitos outros. Até para a Amália!
E viva a Sim, que não sofre da ditadura das playlists e está sempre a brindar-nos com estas pérolas que enriquecem a nossa cultura!

Aqui fica a letra:

Vou contar-vos um história 
que não me sai da memória,
foi pra mim uma vitória 
nesta era espacial.
Noutro dia estremeci 
quando abri a porta e vi 
um grandessíssimo OVNI 
pousado no meu quintal.

Fui logo bater a porta, 
veio uma figura torta, 
eu disse: "Se não se importa 
poderia ir-se embora.
Tenho esta roupa a secar 
e ainda se vai sujar 
se essa coisa aí ficar 
a deitar fumo p'ra fora."

E o senhor extraterrestre
viu-se um pouco atrapalhado.
Quis falar mas disse "pi", 
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho 
e pôde contar-me, então, 
que tinha sido multado 
por o terem apanhado
sem carta de condução.

"Ó senhor, desculpe lá, 
não quero passar por má, 
pois você aonde está 
não me adianta nem me atrasa. 
O pior é a vizinha 
que parece que adivinha 
quando vir que eu estou sozinha
com um estranho em minha casa.

Mas já que está aí de pé 
venha tomar um café, 
faz-me pena, pois você 
nem tem cara de ser mau. 
E eu queria saber também 
se na terra donde vem 
não conhece lá ninguém 
que me arranje bacalhau."

E o senhor extraterrestre 
viu-se um pouco atrapalhado. 
Quis falar mas disse "pi", 
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho, 
disse para me pôr a pau, 
pois na terra donde vinha 
nem há cheiro de sardinha 
quanto mais de bacalhau.

"Conte agora novidades:
É casado? Tem saudades?
Já tem filhos? De que idades?
Só um? A quem é que sai?
Tem retratos, com certeza. 
Mostre lá, ai que riqueza! 
Não é mesmo uma beleza? 
Tão verdinho! Sai ao pai.

Já está de chaves na mão?
Vai voltar pro avião?
Espere, que já ali estão 
umas sandes p'rá viagem. 
E vista também aquela 
camisinha de flanela 
p'ra quando abrir a janela 
não se constipar co'a aragem."

E o senhor extraterrestre 
viu-se um pouco atrapalhado.
Quis falar mas disse "pi", 
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
e pôde-me então dizer 
que quer que eu vá visitá-lo, 
que acha graça quando eu falo 
ou ao menos p'ra escrever.

E o senhor extraterrestre 
viu-se um pouco atrapalhado, 
quis falar mas disse "pi", 
estava mal sintonizado.
Mexeu lá no botãozinho
só pra dizer: "Deus lhe pague."
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013

Não podia acabar o ano sem fazer aqui o balanço, que eu sou uma pessoa de listas. E começo por dizer que uma das coisas que me deu mais gozo foi recomeçar a escrever mais regularmente neste blogue, desde o Verão.

2013 foi um ano de transição, sem grandes alterações na vida, o que nos tempos que correm não se pode dizer que seja mau! Mas o futuro está lançado, desde logo com o nosso Manuel, que está previsto nascer no início de Abril de 2014. Só por isso, o ano que vai começar já promete!

Como é inevitável, a Luisinha é o centro das nossas atenções. Já fala tudo, começa a ter sentido de humor, mas também é bastante teimosa e mandona. Gosta do infantário e das educadoras, de escorregas, de ver o Noddy e o Ruca, que lhe leiam histórias. Além de a levar ao infantário (a desoras) quase todas as manhãs, cabe-me ir com ela à natação uma vez por semana. Para corrigir o estrabismo que lhe descobrimos, põe um penso no olho todos os dias, e tem umas tosses recorrentes, mas fora isso é uma miúda saudável, que come e dorme bem. E já é sócia do Sporting!

Eu continuo a trabalhar na comunicação e angariação de fundos do MSV, e este ano organizámos um concerto de Páscoa, uma ceia de fados e um quiz, colaborámos numa maratona eco-solidária, lançámos um livro e vendemos 6 mil t-shirts. Desde Junho, estou só a meio tempo, porque tenho tido mais traduções - para a ArtePlural, fiz 3 livros juvenis do Big Nate e o livro de horticultura "Uma Horta para Ser Feliz" - e não estava a ter tempo para tudo. Continuo na produção do Lusofonias, o programa da FEC na Rádio Sim, e este ano entrevistámos figuras como Alice Vieira, Catarina Furtado, Daniel Serrão, Pedro Fernandes e Mário Cordeiro, e vários amigos também.

Este ano resolvemos ir para fora cá dentro. Fomos à Serra da Estrela brincar na neve em Março, com o Vasco e família. Num "cá dentro" um pouco mais fora, fomos a São Miguel, nos Açores, em Junho. Fomos passar um fim-de-semana grande a Ponte de Lima, em Agosto, éramos 4 casais de amigos da vida e 7 crianças. Logo a seguir, tivemos uma semana de sol e mar em família na Praia da Luz. Em Setembro, fomos conhecer as praias fluviais de Castelo Branco e Marvão. Fizemos ainda umas escapadas rápidas à Ericeira, Famalicão, Trujillo e Cernache.

Os bebés do ano foram o Filipe (Zé e Ana), a Madalena (Ana e Filipe), a Laura (Mafalda e Timme), o sobrinho António (Fernando e Sofia), a Estela (Adélia e Alberto), a Luísa (Teresinha e Pedro), o Gabriel (Sofia e Carlos), o João Maria (Bruno e Rita), a Maria (Emanuel e Ana), o Tomás (Miguel e Xana), o Zé Maria (Vasco e Filipa), o Francisco (Tim e Mafalda) e a Maria (Hugo e Catarina). E vêm a caminho mais uma meia dúzia para fazerem companhia ao Manuel em 2014! E para compensar um 2013 só com um casamento, teremos 4 amigos a dar o nó no próximo ano!

Os maiores espinhos deste ano foram as mortes da minha amiga Mariela e do pai duma grande amiga, e de uma doença (sempre a mesma) a ensombrar uma família quase-irmã. Este ano foi, aliás, marcado por várias ondas de solidariedade na internet em torno de crianças doentes, alimentadas pelas promessas de tratamentos inovadores. Que o novo ano seja de esperança para todas estas famílias e que a investigação consiga novas conquistas na luta contra o cancro!

Do lado das boas notícias, a eleição do Papa Francisco tem sido uma inspiração para o mundo católico e não só, e pessoalmente é uma interpelação constante a ser um melhor cristão. Também em Lisboa, o novo patriarca da diocese, D. Manuel Clemente, tem sido um pastor inspirador.

Mais coisas! Assisti com o Vasco a todos os jogos de uma época terrível do Sporting, fiz-me sócio com a mudança de direcção, e nesta primeira metade do Campeonato tudo tem sido muito melhor! Nos primeiros 4 meses do ano, terminei a fisioterapia ao dedo que tinha partido no acidente de mota. Organizámos uma festa surpresa à mãe da Maria pelos seus 60 anos. Fui ao Portugal ao Vivo, e a concertos do Sérgio Godinho e da Ana Bacalhau, e ao espectáculo do Herman. Entrei em contacto com o João Miguel Tavares, do Governo-Sombra e do Pais de Quatro, e nosso "colega de infantário", cuja escrita muito admiro, e esta ligação já deu bons frutos. Dei uso a vários cupões de desconto em restaurantes de várias nacionalidades. Continuo a participar nos quizzes no café do nosso prédio. No MSV, continuo num grupo de oração e fiz uma peregrinação a Fátima em Maio. Continuo a dar a Comunhão no Lar de Nossa Senhora da Vitória, na Graça. E, por último, mas não menos importante, o ano terminou com um gesto de paz na minha família. E assim se passou mais um ano!

Que o ano de 2014 seja melhor para todos!

sábado, 21 de dezembro de 2013

E por falar em Natal dos Hospitais...

Tenho de vos confessar que, se há uma dificuldade insanável entre a Maria e eu, não tem a ver com quem ajuda mais em casa, a forma de gerir o dinheiro ou as nossas diferentes mundivisões. Tem apenas a ver com uma experiência que a Maria teve e que, por muitos momentos de glória que eu possa vir a ter, dificilmente algum poderá estar à altura desse. Passo a explicar.
Corria o ano da Graça de 1992, e Lena d'Água aventurava-se no mundo da canção infantil, com o álbum "Ou Isto Ou Aquilo". Como podem ouvir neste link, que disponibiliza todas as canções, há um coro de crianças que acompanha a maioria delas. Nesse coro incluía-se a Maria, o irmão mais novo e as duas primas, porque a Lena d'Água era amiga da tia e recrutou-os para este efeito. Ora, isto já é o suficiente para eu ter uma pontinha de inveja (por essa altura, andava eu a ter aulas de piano, fingindo não saber já que a minha ligação à música era sobretudo pop e quase nada erudita). Mas a cereja em cima do bolo foi terem participado no Natal dos Hospitais desse ano, que muito certamente eu estaria a ver!

Com as maravilhas do Facebook, que nos permite chegar sem dificuldade a quase qualquer pessoa, perguntei há tempos à própria Lena d'Água se não teria essa gravação do Natal dos Hospitais em vídeo (porque algo em mim ainda diz "não, não pode ser mesmo verdade"). Ela, muito simpática, respondeu logo que tinha e que ia procurar, mas a coisa perdeu-se. É hora de voltar à carga, e espero em breve poder partilhar aqui convosco esse grande momento!

Tradições de Natal

Quando eu era miúdo, a decoração natalícia lá de casa fazia-se por estes dias, à última hora (como quase tudo...). Não sei se era sempre assim, mas é assim que o recordo. Enquanto da cozinha já exalava o doce cheiro à fritura das rabanadas (aka fatias douradas) e ao cozer dos mexidos (aka formigos), a minha irmã tratava da decoração da sala e eu fingia que ajudava. A certeza que tenho é que no gira-discos tocava este disco do Coro Santo Amaro de Oeiras, que, além do clássico "A Todos Um Bom Natal" (que encerrava todos os Natais dos Hospitais), tinha outras pérolas como a lenda do "bom rei Venceslau", que leva comida e agasalhos a um pobre camponês, ou a da "bola-estrela" que a criança, farta de brinquedos de guerra, pede ao Menino Jesus.

Há uns anos atrás, na minha demanda revivalista de reconstituição do espólio em vinil, comprei esse CD, que agora apresentei à Luisinha e que tem tocado em modo repeat, nos últimos dias, em casa, no carro... De tal forma que a Luisinha já sabe metade das letras, e eu delicio-me a ouvi-la cantar "meu Jesuuus, sorri para mim" e desejo que este entusiasmo perdure nela o máximo que conseguirmos, e que secundarize os Pais Natais a cada esquina e a Popota (cada vez mais pó p*ta). Desejo-o para ela, mas também por mim, que facilmente me deixo levar pela voracidade dos presentes e me esqueço do que nos traz aqui. Claro que é óptimo dar e receber presentes, reunir a família e encher a pança de bacalhau e fritos, mas tudo isso passa; prefiro fundar a alegria n'Aquele que permanece. E, por muito simples que pareça, a Luisinha e o Coro de Santo Amaro de Oeiras ajudam-me nisso!
Presépio e arranjo estilo Waldorf :)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Uma grande parceria

Há uns tempos que pensava desafiar os autores do meu blogue favorito para fazermos um passatempo conjunto para divulgar a Casa das Cores e o livro do Juca. Ontem foi o dia! Como eles são pontuais a deixar os filhos no infantário e eu sou a desgraça que já sabem, esta conspiração intertavariana começou numa troca de recados nos cabides das nossas filhas, seguiu por e-mail e hoje à tarde o João pôs no ar o passatempo! Com o bónus simpático e inesperado de me referir no post, com link para este cantinho e tudo.

Mas vamos ao que importa: até 22 de Dezembro, ponham os vossos filhos a desenhar "A Casa Colorida dos Meus Sonhos" e enviem os desenhos para paisdequatro@gmail.com, com o vosso nome e morada. Os 3 desenhos que a família Mendonça Tavares eleger como melhores ganham um exemplar do livro "Juca - O amigo guardião da Casa das Cores", e o primeiro ganha ainda uma entrada familiar na KidZania. Toca a concorrer, que vale bem a pena!

E quem quiser comprar livros do Juca para oferecer no Natal, é só dizer-me!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quiz Solidário

Conheci o fenómeno do "quiz" na Faculdade; um bar em Santos tinha este jogo de cultura geral e os meus colegas gostavam de ir, mas a coisa dava sempre para muito tarde e eu morava longe e ainda estava dependente de carro alheio, pelo que deixei passar essa febre.
Mas a verdade é que sempre gostei deste tipo jogos e a febre voltou uma década mais tarde, quando conheci o Carlos, um dos gurus dos quizzes lisboetas, com quem passei uma semana fantástica no Euro 2012, na Ucrânia. Pouco depois, arrancou um campeonato de quiz no café do meu prédio, o Entre Nós, onde quinzenalmente integro "Os Compadres" e daí surgiu a ideia de organizar um serão divertido, em época natalícia, que servisse também de angariação de fundos para a Casa das Cores.

Mas afinal o que é um quiz?, perguntarão alguns. São 50 perguntas, ditas em voz alta para todos e projectadas nos ecrãs do bar. Não são só perguntas de cultura geral sobre geografia ou história, desporto ou cinema. Há também muitas charadas para decifrar, músicas de todas as épocas e até algumas perguntas simplesmente parvas! Mais do que ver quem ganha, é hora e meia de boa disposição garantida, vão por mim!

Por isso estão todos convidados para virem esta quarta-feira ao Quiz de Natal da Casa das Cores! Vai ser às 21h, no Estado d'Alma, na Rua da Junqueira (nas traseiras da FIL antiga). Cada participante paga 2€, valor que reverte para a Casa das Cores. Também vai ser possível comprar t-shirts, cartões de Natal e livros do Juca
Venham! Vão ver que não se arrependem...

domingo, 8 de dezembro de 2013

Senhor Robado

Até esta semana creio que só havia uma peça de roupa que eu não tinha. Das ceroulas de Londres à túnica indiana, do fraque do casamento à sunga do Brasil, gosto de ter no armário tudo o que me permita adaptar a qualquer ocasião. Mas desde miúdo, quando em vão me tentaram oferecer um, que embirrava com o pobre robe e o rejeitava. Porque sou por natureza calorento, porque sempre me habituei a saltar da cama para o banho (sempre antes do pequeno-almoço) e vestir-me logo a seguir, porque detesto tecidos turcos e polares, e porque na minha cabeça preconceituosa o associava às montras amareladas da Rua dos Fanqueiros e às senhoras velhotas, embora um par de amigos me garantissem que era do melhor para aquecer o corpo e a alma.

E o que me fez agora mudar de ideias? Em primeiro lugar, uma necessidade prática: metade das vezes, a Luisinha acorda antes do meu despertador tocar e vem ter comigo a pedir o leitinho, sem contemplações para um "deixa só o Pai tomar banho primeiro", pelo que acabo por ir para a cozinha de cuecas (sou adepto de dormir à fresca); ora, esses minutos ao léu, além de não serem o melhor cartão de visita para a vizinhança, são nesta época do ano um desafio ao meu estoicismo térmico. Em segundo lugar, há qualquer coisa de "já sou crescido" (tal como aqui) e talvez um inconsciente replicar da imagem do meu Pai, quando submergia nos livros depois de jantar, aconchegado pelo seu robe castanho.

Mas o que desequilibrou a balança foi mesmo o lado estético, que comigo se sobrepõe sempre ao utilitário. Posso comprar uma coisa de utilidade ou necessidade duvidosa só por ser gira, mas nunca usaria uma coisa que achasse feia só por dar jeito (pelo contrário, a Maria consegue andar com um casaco herdado e 40 anos inflaccionado, de que não gosta especialmente, só porque é "muito quentinho"). Por isso, quando vi o catálogo da nova Mo, o rebranding abetalhado da antiga Modalfa (muitos furos acima do cinzentismo do C&A e do cheiro a fibra da Primark), o xadrez deste robe despertou o escocês que há em mim (estou cada vez mais convencido que me chamei Mc-qualquer-coisa numa encarnação anterior) e lá rumei à dita loja, de onde ainda trouxe umas calças de pijama a condizer. E aqui estou eu, todo pimpão e muito bem "robado", a fazer zapping entre o Factor X e os comentários à liderança isolada do Sporting. Querem melhor programa para um domingo à noite?

sábado, 7 de dezembro de 2013

Adegga Wine Market

O meu amigo André é um dos sócios fundadores do Adegga, uma rede social para apreciadores de vinhos. Depois de terem organizado, no mês passado, o seu primeiro evento internacional, em Bruxelas, têm hoje hoje a sétima edição do seu Adegga Wine Market de Lisboa. Vai ser no Hotel Flórida (no Marquês de Pombal), entre as 15h e as 21h, e serão mais de 40 produtores e centenas de vinhos em prova! Quem quiser pode também aproveitar para comprar vinho a preços especiais.
É um evento muito giro, em ambiente descontraído, onde, além de provar muito bons vinhos (por 12€), podemos falar com os produtores e aprender mais sobre os vinhos! A Fugas do Público e o jornal i falaram sobre eles, e podem também comprovar a boa onda do evento neste vídeo feito na última edição.
Encontramo-nos lá, certo?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

E hoje descobrimos o sexo da criança!

O lobby Luisinha-avó materna não funcionou e é mesmo um pilinhas que vem aí! Será o primeiro bisneto do meu avô a perpetuar o Tavares e o primeiro rapaz na descendência do meu grupo de amigos latinos (após 6 meninas). Está previsto que o leãozinho mais novo chegue no início de Abril, ainda a tempo de festejar a conquista do campeonato.
Parece que acertámos no palpite quando comprámos há dias um livro que introduz o tema da partilha entre a irmã mais velha e o irmãozinho.
E hoje, antes de adormecer, a Luisinha deu uma palmadinha na barriga da Maria e disse com todo o fair-play:
- Boa noite, mano!


Assim dá gosto!

Foto: Facebook do Sporting
No ano passado comprei pela primeira vez a Gamebox, o bilhete de época para os jogos do Sporting. Partilhei com o meu amigo Vasco o calvário de derrotas e exibições sem chama, treinadores apagados e jogadores que se arrastavam pelo campo sem saber o que ali estavam a fazer.
Este ano resolvemos arriscar outra vez, que o bom adepto é para todas as ocasiões e, assim como assim, é um programa que nos sabe bem, mais ainda agora que voltámos a ser vizinhos e podemos ir a pé para a bola. E não é que temos voltado sempre com uma grande alegria? A equipa tem garra de leão, o William Carvalho é um senhor na frente da defesa, o Montero um matador (viva a Colômbia!), o Capel voltou a jogar com genica, a tripla Adrien-Cedric-André Martins sempre em bom plano e a equipa farta-se de marcar golos. É verdade que o plantel é baratinho, os restantes defesas não dão muita segurança e o Carrillo faz 1 jogo bom por cada 5 jogos maus, mas a força do colectivo tem sido maior. E em boa parte devemo-lo ao novo presidente (quem é que dava alguma coisa por ele?), que fez uma boa aposta no treinador e tem valorizado os adeptos, entre campanhas de marketing (como esta), as letras das músicas de apoio em karaoke nos ecrãs do estádio (ridículo, mas eficaz) e o simples facto de obrigar os jogadores a ficarem em campo no final para agradecerem a todas as bancadas. Resultado: o estádio sempre muito composto, o público contente com as exibições e o primeiro lugar no campeonato. Até quando, logo veremos, mas quer-me parecer que este ano o Natal não nos vai trazer aquele amargo de boca...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Juca - O amigo guardião da Casa das Cores

Desculpem o silêncio dos últimos dias, mas tem sido por bons motivos. Além de ter uma tradução para entregar, a aproximação do Natal é a época alta do fundraising e temos andado especialmente empenhados na divulgação dum livro infantil que reverte para a Casa das Cores.

Para quem não sabe, a Casa das Cores é um centro de acolhimento temporário para crianças em perigo, dos 3 aos 12 anos, e este "Juca - O amigo guardião da Casa das Cores" é o primeiro livro que publicamos para ajudar a suportar os custos da Casa. O protagonista da história é o Juca, que simboliza o amigo que protege as crianças e dá cor à própria Casa. O livro foi escrito por Pedro Branco (filho do cantor José Mário Branco), ilustrado pela nossa amiga Vera Guedes e tem prefácio do Dr. Paulo Oom.

O livro custa 7,5€ e é um excelente presente de Natal! Está à venda na Loja Online do MSV e na livraria do El Corte Inglés de Lisboa e Gaia, mas também me podem pedir directamente.
Temos a sorte de ter como embaixadores desta iniciativa a Carla Rocha da RFM, a Oceana Basílio e o Ruben Amorim do Benfica, o que tem ajudado bastante na divulgação (na Visão, na VIP e no Record, por exemplo). Fizemos o lançamento do livro na Kidzania, a 10 de Novembro, e no dia seguinte estivemos no programa Rocha no Ar, da RFM, a dar a conhecer a Casa das Cores e o livro. Este fim-de-semana estivemos no Mercado de Natal do Campo Pequeno, que dura até terça-feira (das 11h às 21h), se quiserem dar lá um salto ainda vão a tempo!

E já agora, se fizerem um "gosto" na página da Casa das Cores no Facebook (cuja dinamização é tarefa minha) ficarão informados sobre o nosso trabalho e - espero - mais motivados para apoiar esta causa!

Como bónus, deixo-vos a "Canção do Juca", interpretada pelo Rogério Charraz. Digam lá se não é bem gira!