quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014

Mais um ano que acaba, mais um balanço. 2014 foi o ano em que passámos a ser 4 cá em casa.

Como é óbvio, o nascimento do Manel marcou o nosso ano! Aquela manhã de 8 de Abril, em que a Maria "fugiu" de casa sem me avisar e fui acordado por um telefonema das Urgências a dizer para ir depressa - felizmente consegui chegar a tempo! Levou algum tempo a adaptarmo-nos ao ritmo de sermos dois-para-dois; tive de passar a ajudar mais e a cortar algumas actividades, faz parte. Nove meses depois, o Manel come com sofreguidão, gatinha, tem 4 dentes e espalha charme no infantário. A Luísa reagiu bem à chegada do mano e está cada vez mais tagarela, espertalhona e mimalha.
Continuo a trabalhar a meio tempo na comunicação e angariação de fundos do MSV. Entre as conquistas deste ano, lançámos um vinho que foi um sucesso, apresentámos um teatro no Tivoli (onde também entrei) para 400 pessoas, vendemos 5.000 t-shirts, os Lobos vestiram a camisola da Casa das Cores num jogo internacional de râguebi e tivemos a visita e apoio do Ruben Amorim do Benfica. Traduzi 4 livros para a Bertrand, um deles já publicado e três por publicar. Mas o que me realiza mais continua a ser a produção do Lusofonias, o programa da FEC na Rádio Sim, onde este ano entrevistámos mais 52 pessoas, como o Diogo Infante, o João Miguel Tavares e a Lura, entre vários amigos. No final do ano, fiz um curso de jornalismo na Palavras Ditas, com o Nuno Azinheira, que me pode abrir portas para novos voos. Espero que 2015 traga boas novidades a este nível...
Comecei o ano com um fim-de-semana alargado em Praga, com a Maria, uma lua-de-mel antes de voltarmos às fraldas e noites mal dormidas. Em Junho, estivemos uns dias em Vila Nova de Milfontes (obrigado, Belinha!) e outros no Algarve, com o Vasco e família. Agosto foi um mês em grande: fomos a Londres rever amigos, passámos uns dias em Óbidos com mais 3 casais amigos (e 9 crianças no total) e estivemos na Praia da Luz. Fomos ainda ao Porto quatro vezes, a Coimbra duas, a Aveiro, Curia e Luso, e tivemos o encontro anual dos Mesquitas em Famalicão. Fui ainda a duas despedidas de solteiro, uma na Ericeira e outra em Salamanca.
Contrariando as estatísticas oficiais, o ano foi pródigo em nascimentos à nossa volta: além do nosso Manel, nasceram o Luís (Francisca e Thiago), o Francisco (Nuno e Andreina), a Maria Ana (Ana e Paulo), o Daniel (Paulo e Marlene), a Maria Inês (João e Luísa), a Teresa (Pedro e Isabel), o Francisco (Diana e Pedro), o Tomás (Inês e Nuno), o Xavier (Mafalda e André), a Luísa (Mariana e Duarte), a Matilde (Mar e Nuno), a Maria (Juan e Elsa) e a Gabi (Rui e Maria João). No extremo oposto (ou não) da vida, chorámos a morte do Tio Amadeu e da mãe duma "cunhada". O avô da Maria, pouco depois de fazer 90 anos, teve uma fractura grande na perna e a minha mãe partiu um braço, mas, graças a Deus, ambos recuperaram muito bem.
Cenas várias... Fui a 5 casamentos (cantei no coro em 3 deles), 4 baptizados, 2 primeiras comunhões e 32 aniversários. Recebemos em nossa casa o Roberto e amigos ingleses e alemães. Fiz a colecção de cromos do Mundial, foram 2 meses de uma febre infantil. Vibrei com a final da Liga dos Campeões em Lisboa, mesmo sem ir ao estádio. Fomos ao Jardim Zoológico. Fomos ao teatro duas vezes, mas nenhuma ao cinema (!). Comecei a correr regularmente e consegui fazer os 10kms da Corrida Sporting. Fui a todos os jogos do Sporting em casa, para o Campeonato e Liga dos Campeões. Fui a dois Adegga Wine Markets. Jantámos no Sushic nos nossos anos de casados. Fomos ver meia dúzia de T3 e ficámos sem grande vontade de mudar. Tirei uma fotografia com o David Carreira nos meus anos. Continuei a participar nos quizes do meu amigo Carlos e fui ao Quem Quer Ser Milionário, mas perdi logo no "dedo rápido" (passa na RTP1 a 28 de Janeiro). E continuo a visitar quinzenalmente o Lar de Nossa Senhora da Vitória, na Graça. Não escrevi neste blogue tanto como gostaria, mas escrevi mais do que nos anos anteriores (e menos do que no próximo, espero).

Que o ano de 2015 venha cheio de oportunidades para sermos melhores e darmos mais de nós!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Outros Natais

A caminho de mais um Natal, entre o pico de trabalho no MSV (porque no Natal as pessoas estão mais dispostas a "consumir solidariedade", e ainda bem!) e a azáfama de comprar 78 presentes, dei por mim a revisitar dois Natais vividos bem longe desta realidade.

Em 2007, fiz uma viagem de 2 meses pela América do Sul, a assinalar o final duma estadia de 3 anos em Londres, e a semana do Natal apanhou-me no Chile. A ceia da consoada foi um churrasco e passei o dia 25 na praia de Viña del Mar, a comer óptimo marisco. Mas ainda mais exótico foi andar, uns dias antes, na zona de Chiloé, mil quilómetros a sul de Santiago, a distribuir presentes às crianças de umas ilhotas isoladas, com o alcaide. Os miúdos, pouco habituados a visitas, tinham uma alegria que transbordava, faziam a festa com presentes muito simples e falavam-me do Cristiano Ronaldo e do Figo (relato completo aqui). Quem me lançou o desafio e me acompanhou nessa experiência foi a Mariela, a minha amiga que morreu no ano passado.
Montagem da Mariela sobre a visita a Chiloé (20 Dezembro 2007)
Um ano depois, a Maria e eu fomos convidados para o casamento da nossa amiga Nayan, em Bombaim. A cidade tinha sofrido um violento atentado uns dias antes, e na Portela perguntaram-me se queria mesmo ir para lá. Como se alguma vez eu fosse perder a oportunidade de viver aquele momento... Encontrámo-nos lá com a Mariela, o Eduardo e a Anne. A recepção da família da Nayan foi muito calorosa, envolveram-nos em todas as dinâmicas dos cinco dias de festa, mesmo as que, por costume, são reservadas à família. Na foto abaixo, as meninas sentadas ao lado da noiva são suas primas e tinham perdido o pai no atentado ao Hotel Taj Mahal - o que dava ainda mais sentido à minha resposta à senhora do aeroporto: claro que eu tinha de ir para lá!
No regresso, devia chegar a Lisboa a tempo da consoada, mas um atraso no primeiro voo fez-me passar a véspera de Natal a deambular por uma Frankfurt vazia, à espera do voo da noite. No dia 25, já pude estar com a família e distribuir os presentes comprados no mercado de Anjuna, em Goa, e na visita que fiz ao Barefoot College.

E tal como amanhã evocaremos, à mesa, os meus avós, com quem passei tantos e tão bons Natais, também aqui recordo a Mariela, com quem passei os dois Natais mais originais da minha vida.

domingo, 21 de dezembro de 2014

No rescaldo do Tivoli

Há uma semana, participei na peça infantil da Casa das Cores. Durante dois meses andei absorvido entre ensaios, cenários e divulgação. Chegados ao glamour do Tivoli, estava um pouco assustado, porque muitos de nós éramos verdinhos nas artes do palco e podíamos bloquear na boca de cena. Felizmente correu tudo bem: o texto e as canções fluíram, as ilustrações da Vera - projectadas em directo como pano de fundo - funcionaram muito bem, e quem esteve gostou. Passado uma semana, a Luisinha continua a cantarolar o que por lá se ouviu.

Sempre soube que a representação não era um dos meus talentos, mas quando assistia a musicais - o meu género preferido - pensava como devia ser divertido estar do outro lado. E foi! Cantei em grupo na primeira cena, a encarnar um turista (podem ver neste link), e fiz de dançarino canastrão noutras duas músicas. E diverti-me muito! O ambiente que se criou entre a equipa foi excelente e deixa saudades. Também foi divertido conhecer os bastidores do Tivoli e os seus camarins. E comovedor sentir que, entre as 400 pessoas que se deram ao trabalho de ali estar num domingo de manhã, tive lá toda a família e os amigos mais próximos - obrigado!

Na véspera do teatro, fui com a Luisinha à Casa das Cores buscar uns adereços para usarmos na peça. Enquanto eu carregava o carro, ela entrou para a sala e foi ter com um grupo de meninas que brincava alegremente com bonecas. Reparei que lhe perguntaram logo o nome e partilharam as bonecas sem problemas. Passados 5 minutos, quando a apressei para voltarmos para casa, onde nos esperava um almoço com amigos, a Luísa fez birra porque não queria parar de brincar com as meninas. Ok, é verdade que ela faz muitas birras e que todas as crianças gostam de brincar. Mas não deixa de ser um óptimo sinal ela sentir-se bem entre as crianças da Casa das Cores e não querer sair daquele ambiente, onde as brincadeiras normais da idade convivem com um contexto de histórias de vida difíceis. É um orgulho trabalhar para que estas crianças possam ter o melhor presente e futuro possível!

domingo, 30 de novembro de 2014

Todos ao Tivoli!

No próximo dia 14 de Dezembro, às 11 da manhã (horário familiar), convido-vos a ver uma peça muito especial! A peça chama-se "Juca - O Amigo Guardião da Casa das Cores".

É especial porque é sobre a Casa das Cores

É especial porque é para crianças, mas os crescidos também vão gostar. 

É especial porque foi escrita e musicada pelo Pedro Branco (filho do José Mário Branco), que tem sido cinco estrelas connosco. E pessoalmente alegra-me a abrangência de sairmos da nossa "capelinha".

É especial porque o cenário vai ser composto "em directo" com as ilustrações da Vera Guedes. 

É especial porque tem a participação pro bono de figuras conhecidas como o Carlos Alberto Moniz, a Susana Arrais, o Lourenço Mimoso ou o Miguel Partidário. 

É especial porque o elenco se completa com a "prata da casa", incluindo várias amigas e este que aqui escreve. Nunca tive na minha "bucket list" entrar num teatro, mas vai dar-me muito gozo e gostava de ter lá muitos amigos a assistir a esse momento de improvável repetição!

É especial porque vai ser no mítico Tivoli - onde aos 6 anos vi o meu primeiro filme, a "Branca de Neve". O reverso da medalha é termos de vender 1088 bilhetes, precisamos de muita ajuda para isto!

É especial porque, mesmo antes de chegar ao palco do Tivoli, já leva a dedicação generosa e gratuita de várias pessoas - dos actores, dos técnicos, de quem nos tem arranjado materiais, de quem nos ajuda na divulgação...

É especial, sobretudo, porque o fim último do espectáculo, para além de divertir os espectadores, é apoiar a Casa das Cores. Um projecto em que os nossos profissionais dão o seu melhor por cada criança que, por circunstâncias menos felizes da vida, por lá passa. E é um orgulho ouvir a boa impressão de quem se cruza com o trabalho desta Casa.

Os bilhetes custam entre 8€ e 15€, e estão à venda no site da Ticketline e nos seus parceiros - Fnac, Worten, El Corte Inglés, CCB, Campo Pequeno, ABEP, Agências Abreu.

Já só faltam 2 semanas e precisamos mesmo de encher o Tivoli! Conto convosco!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Um dia faço um curso de jornalismo...

...esse dia chegou! Mas, como é meu hábito, deixem-me recuar um pouco no tempo.

Em Setembro reencontrei um amigo de infância, de quem não sabia desde os 12 anos. Uma das primeiras coisas que ele me perguntou foi: "Deixa-me adivinhar: és jornalista?" E pensei: "caramba, aos 12 anos já sonhava ser jornalista". Nesse tempo, partilhava o sonho com a minha amiga Joana, que seguiu essa via e é hoje jornalista na Lusa. Quem me fez os psicotécnicos sugeriu que eu tirasse uma licenciatura "mais abrangente", como Direito, e depois logo tratava de ser jornalista. E eu fui na cantiga.

Não me arrependo. Foram 5 anos bem passados e gostei de metade das cadeiras que fiz em Direito. A digestão do voluntariado e as dicas do António Barreto levaram-me a estudar Política Social em Londres, onde escrevi o meu primeiro blogue e fiz um curso de escrita jornalística. Regressado a Portugal, trabalhei em 3 ONG - a Tese, a FEC e o MSV, onde estou. Em várias entrevistas de emprego, ao descrever o meu percurso, fiquei sem reposta para a pergunta: "e o jornalismo, onde ficou?"

Devo à Susana, minha directora na FEC, a oportunidade de entrar no mundo da comunicação. Desde 2010, preparo o programa de rádio Lusofonias. Os conteúdos são responsabilidade da FEC e os meios são da Rádio Sim, onde o programa passa. Escrevo as entrevistas e assisto à gravação, e nestes 5 anos conheci muita gente interessante

Esta terça gravámos na rádio uma entrevista com o Nuno Azinheira, jornalista no DN, apresentador na RTP Informação e fundador do centro de formação Palavras Ditas, cujo site já me tinha despertado a curiosidade. No fim da entrevista, pensei: "não me posso esquecer de adicioná-lo no LinkedIn, agora que está fresquinho", como faço habitualmente aos convidados que mais me interessam. Esqueci-me. Nessa noite, recebo do Nuno um convite para o adicionar no LinkedIn (terá visto que lhe cusquei o perfil). Foi o primeiro sinal.

Na quarta, vejo no Facebook do Nuno e da escola que ainda havia vagas para um curso de introdução ao jornalismo, que era dado por ele e que ia ter como convidados o José Alberto Carvalho e o João Miguel Tavares. Lembra-vos alguma coisa? Era o sinal número dois.

Conversei com a Maria, para saber o que achava da ideia e porque a decisão de fazer o curso implicava 8 ausências na hora de ponta familiar. Sem hesitar, disse-me para avançar, e assim fiz. 
Já tive 2 sessões, ontem e hoje, 3 horas cada. O formador percebe disto a rodos e torna as aulas interessantes, a turma é muito simpática, e vejo-me a participar como nunca na vida. O que só confirma que é mesmo por aqui que quero ir. Não sei no que isto vai dar, vamos com calma... Mas lá que estou empolgado, estou!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Já tenho dentes!

E logo dois de uma vez, como a fotografia comprova!

Depois de um começo atribulado, em que as papas acabavam em todo o lado menos no estômago, os dentes e o infantário devem ter aberto o apetite ao Manel, que está agora numa fase sôfrega: não pode ver um biberão ou um prato de papa ou sopa, que começa logo a fazer sons de ansiedade. Ora vejam lá como ele abre bem a boca:
video

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Solo para platicar

Há coisa de um ano, contei-vos a nossa maluquice de fazer 380kms (para cada lado) só para ir jantar a Espanha com o Roberto, o nosso amigo guatemalteco. Para uma amizade vivida à distância de 8.000 quilómetros, não podíamos perder essa oportunidade, estando tão "perto".

Passado um ano, outro projecto trouxe-o de novo a Espanha, mas desta vez foi mais fácil: o Roberto adiou o regresso a casa para nos fazer uma visita de 2 dias em Lisboa. E só foi fácil porque ele quis aguentar as saudades da família, pagar o bilhete de avião e dar a volta ao patrão que o queria lá mais cedo - estamos a falar do Amorim lá do sítio, o empresário mais rico da Guatemala. Sublinho isto só para valorizar as decisões que nos aproximam de facto de quem gostamos; é fácil queixarmo-nos da falta de tempo ou assumir que é complicado, e ir adiando encontros que sabem pela vida.
Brunch de boas-vindas; ao fundo,
o pano da Guatemala que alegra a nossa sala
Outra coisa boa nesta visita foi podermos ter o Roberto perfeitamente "encaixado" na nossa vida familiar normal durante 48 horas. Ok, demos um passeio pela Baixa e fui mostrar-lhe o Mercado da Ribeira, mas foi tudo o que fizemos de turismo - ele já cá tinha estado duas vezes, em versão turista incansável, por isso não havia essa pressão. Quando perguntei o que lhe apetecia fazer nestes dias, respondeu-me «solo vine a platicar con vos» (vim só para conversar contigo), e assim foi! Esteve no almoço domingueiro nos meus sogros, foi ver o Sporting a Alvalade, foi levar e buscar os miúdos ao infantário, foi aos anos de uma amiga, foi conhecer o meu escritório e comemos uma bela posta mirandesa num dos meus restaurantes favoritos. E fartámo-nos de conversar, claro está!
Conhecemo-nos há 10 anos, vivemos juntos só no primeiro ano e desde então temos conseguido encontrar-nos praticamente todos os anos (só falhámos dois), o que é notável para os 8.000 quilómetros que referi ao início. Como dizem os ingleses, where there's a will, there's a way!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Memórias de Alvalade e um par de botas

O meu sportinguismo vem da família paterna. O meu avô fez-me sócio em miúdo e levava-me com frequência ao estádio, aí entre os meus 6 e 12 anos. Tinha lugar cativo na central, com o filho e a filha, os meus tios. Já o meu pai, leão avesso a multidões, preferia ficar a sofrer em casa.

O meu tio Mário era caçador e levava o filho para a caça e para o futebol. Lembro-me que muitas vezes calçavam umas botas alentejanas, pai e filho a fazer pendant, e eu, que sempre fui como a Maria Nabiça ("tudo o que vê, cobiça"), cobiçava-lhes não só as botas, mas - entendo-o hoje - sobretudo a cumplicidade, a mesma com que acelerava nos túneis do Campo Grande só para nos provocar aquele pico de emoção. Não que o meu pai alguma vez me tenha faltado em amor e ajuda, nada disso, mas era mais de estar fechado nas suas "cavernas", e não tanto do estilo compincha que eu via no meu tio e nos pais dos meus amigos (quase todos 10-15 anos mais novos que o meu).

[Parêntesis "isto anda tudo ligado": Por essa altura, na chunguíssima (mas divertidíssima) escola da Trafaria, lembro-me de ver no recreio o meu colega de catequese Fred com um amigo, e de reparar neste: "tem umas botas iguais às do meu primo". Um par de anos depois, tornámo-nos melhores amigos, e somos há 20 anos companheiros de sofrimento em Alvalade.]

A vida deu muitas voltas. O meu tio morreu novo, e aí acabaram-se as idas ao Sporting em família. O meu avô ainda viu o Sporting ser campeão, após longo jejum, em 2000 (na noite dos festejos, a minha primeira paragem foi em sua casa); quando morreu, no ano seguinte, herdei-lhe uma gravata e um alfinete do Sporting, que nunca usei mas guardo religiosamente. Boa parte dos pais compinchas dos meus amigos desertaram para mulheres mais novas e as relações com os filhos esfriaram. O meu pai, a completar agora três quartos de século, continua igual ao que era: não se tornou mais compincha, mas em várias ocasiões mostrou estar atento e deu conselhos certeiros; compreendo-o hoje mais do que antes, e espero ainda ir a tempo de uma aproximação que também o faça compreender-me melhor.

Quando andava na Faculdade, lá comprei umas botas alentejanas na Feira da Golegã. Mas, como nada me liga ao Alentejo, ao campo ou aos cavalos, raras vezes as uso. Digamos que já estiveram mais na moda (se é que...) e que tenho outras mais práticas para dias de chuva. Até porque cada vez me custa mais enfiar no cano a barriga da perna (as botas encolheram, só pode!). Mas em dias de jogo, como hoje, num estádio que já é outro, gosto de juntar as botas à farda - roupa verde e cachecol - e assim avivo um pouco as memórias das tardes felizes do clã Tavares na central do velhinho Estádio José de Alvalade.

sábado, 1 de novembro de 2014

Santos da casa

Esta foi a primeira fotografia que me tiraram. Tinha 24 dias de vida quando fui baptizado, faz hoje 34 anos, e na altura ainda não havia a febre das fotografias logo na maternidade, ou os meus pais não a tinham (ou terei sido adoptado?). Fotógrafo-maníaco que me tornei ("se não foi fotografado é porque não aconteceu"), não deixo de achar uma graça simbólica a isto, como se só tivesse começado a viver realmente neste nascimento para os sacramentos, no dia em que se comemoram os santos anónimos.
Entre os lá de casa, pais e irmãos-padrinhos, mantemos o hábito de dar os parabéns pelo aniversário de baptismo, e durante muitos anos tinha até direito a bolo - somos católicos nerds, com muito gosto!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Diá-Lu-gos #6

Há dias fomos conhecer o filho recém-nascido dum casal amigo. No telefonema dessa noite, a minha Mãe fez à Luisinha a pergunta típica:
- O bebé Xavier é mais parecido com a Tia Mafalda [a mãe] ou com o Tio André [o pai]?
A Luísa franze o sobrolho e dá a resposta mais lógica:
- É mais parecido com o [meu irmão] Manel!
Só faltou dizer "daaah" à Avó...


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Feira de Ilusões

Tudo começou com umas caixas de magia compradas em Espanha, há uns 30 anos. O meu irmão João preparava os truques com cuidado e encenava espectáculos de magia lá em casa, em que eu era o ajudante. Com os anos, foi arranjando material cada vez complexo, aprendeu truques com mágicos mais experientes e participou até em congressos mundiais de ilusionismo. Sempre gostou do chamado "close-up", a magia de mesa; nada a ver com serrar mulheres ao meio ou escapar algemado de dentro de aquários, mas mais do que suficiente para nos deixar a pensar "como raio é que ele fez isto?" Em paralelo, desenvolveu também a arte do malabarismo com bolas, massas ou facas. Em suma, temos artista!

Ora bem, o João - aliás, Don Giovanni, de seu nome artístico - vai fazer um espectáculo de ilusionismo  este sábado, às 21h, no Auditório da Igreja de Santa Joana Princesa, junto à Av. EUA (mapa neste link). A sala tem 180 lugares e era muito giro se enchesse! A ajudar à festa, a música está em muito boas mãos, a cargo do meu amigo Nuno Barata, com quem partilhei acordes durante mais de uma década. Os bilhetes custam 4€, com desconto para miúdos, e podem ser reservados (919169510 / estefaniaviagens@gmail.com) ou comprados no local. Quem quer vir?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Gato por lebre

Sou fã de musicais. Quando vivi em Londres, aproveitei para ver uma série deles, sempre com apreciação positiva, mas o cartaz do Cats nunca me chamou a atenção. O tema animal não me fascina - nunca parei a ver documentários de vida selvagem, nem nunca chateei os meus pais para ter um. Digamos que, quando Deus Nosso Senhor passou a distribuir pela humanidade o amor pelos animais, eu devia estar na casa-de-banho ou assim. Isto não me impede de reconhecer n'O Rei Leão, repleto de bicharada, o musical mais giro que já vi - boa história, com movimento e efeitos espectaculares. Mas para gatos já me bastava o tempo em que tive de conviver com um feroz espécime, em casa dos meus sogros, e não era o Andrew Lloyd Webber que me fazia passar um par de horas a ver gatos.

Mas os filhos, sempre os filhos, são justificação para tudo. Algumas vezes para renunciarmos a programas que nos apetecem (eu menos, a Maria mais), outras vezes para saltarmos para programas só para termos umas horitas a dois. O Cats era perto de casa, tinha sessões à tarde (logo, era mais fácil empandeirá-los para alguém) e até podia ser giro. Pelo menos, tinha o "Memory" que tocou vezes sem conta no gira-discos da minha infância, na voz da Barbra Streisand. De resto, só sabíamos que os gatos andavam pelo meio da plateia, e para nos precavermos disso comprámos os bilhetes para os lugares mais distantes (mentira, foi mesmo por sermos uns fonas do pior).

Ao entrar no Campo Pequeno, a meio da tarde, percebemos que um espaço tão grande, cheio de frestas com luz, nunca daria a sensação cosy do escurinho do teatro; mas pronto, com isso já devíamos contar. O que não contávamos era com a quase ausência de história deste musical. Baseado num livro de poemas de T.S. Elliot, vai apresentando, cena a cena, cada gato com sua personalidade, mas o fio condutor não se percebe minimamente. Depois de ver, no intervalo, alguns pais a meter os pés pelas mãos a tentar explicar (inventar) aos filhos a trama da coisa, tive de consultar a Wikipedia para perceber que os gatos estavam reunidos para escolher um dos seus elementos para ir para um lugar melhor - não percebi se era analogia ao Paraíso após a morte, se era a passagem para a vida seguinte (das sete que os gatos têm) ou a emigração para um qualquer Eldorado. Os quadros de cada cena eram monótonos, para ser simpático, e as personagens sinistras - não digo tanto para nós, mas para quem achou que era uma cena gira para levar os miúdos. Salvavam-se os movimentos felinos dos actores (sim senhor, bem apanhado) e duas músicas que ficavam no ouvido - o "Mr. Mistoffelees" e o tal "Memory", repetido à exaustão.

No rescaldo, perguntei à Maria se era eu que estava num "dia não" ou se tinha mesmo sido uma grande seca. A quantidade de pessoas que vi sair antes do fim chegava para a resposta. Para a próxima vamos ao cinema!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Prova superada

Nunca gostei de correr. Tentei fazê-lo nos parques de Londres e desisti à primeira. Tentei a mini-maratona da ponte e jurei para nunca mais (ia morrendo de vertigens). Correr sem ser atrás duma bola não me cativava. Ia seguindo as façanhas do meu amigo Nuno Iron Man, os trails do meu vizinho Zé, os treinos partilhados no Facebook deste e daquele, mas sem qualquer intenção de lhes seguir as pisadas.

Algures em Maio, já não sei por iniciativa de qual de nós, comecei a treinar com o Vasco, a horas obscenas (7 da matina), três vezes por semana, no jardim do Campo Grande. Irmos juntos ajuda a manter o compromisso, caso contrário cada um já teria desistido há muito. Na primeira vez, devemos ter parado, cansados, ao fim de 1 quilómetro. Mas a constância foi dando frutos e a resistência aumentando. Pusemos como objectivo fazer os 10 quilómetros da Corrida do Sporting, que foi hoje.
Não ia muito optimista. Nos treinos, nunca tinha feito mais de 8 quilómetros, com paragens, e o dia amanheceu com muita chuva, que caiu na maior parte da corrida. Mas a motivação num evento destes é muito maior: o tempo oficial a contar, a multidão que é, a possibilidade de correr nas avenidas que cruzo diariamente de mota e o estádio do Sporting como meta!

Teve um sabor especial entrar no estádio com a sensação da missão cumprida (e comprida), depois de 67 minutos a correr sem parar, a uma média de velocidade superior à dos treinos. O Vasco acompanhou-me nos primeiros 6 quilómetros e o Nuno deu-me um empurrão precioso no último; entre os kms 6 e 9, foi bom sentir que sozinho também me aguento sem desistir.
Continuo sem gostar de correr, mas o esforço é para continuar! Pela minha saúde...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Não foi desta

Em Agosto, sem esperar, recebi um telefonema da produção do "Quem Quer Ser Milionário". Tinha sido a Maria a inscrever-me! Desde pequeno que sonhava ir a um concurso, mas teve de ser a Maria a dar o empurrão. Fizeram-me umas 30 perguntas de cultura geral e passei no primeiro teste. Uns dias mais tarde, nova entrevista telefónica, desta vez sobre os meus gostos e percurso profissional. À terceira tentativa de agendamento, a gravação ficou marcada para hoje. 

Pedi ajuda a amigos viajados, organizadores e participantes de quizzes e rápidos "googladores". Revi os nomes e cognomes dos reis de Portugal, a sequência dos presidentes dos EUA e os vencedores do Óscar para o Melhor Filme. E lá fui para a Valentim de Carvalho, acompanhado pela Maria - a culpada! - e pela Tia Mila (para as tias, somos sempre os maiores). Esperámos entre as 11 da manhã e as 3 da tarde, entre maquilhagem, briefing sobre as regras, ensaio no estúdio e almoço.
Selfie tripla durante a espera
Finalmente chamaram-nos para o estúdio. O público era um espectáculo dentro do espectáculo, até velhotas a fazer tricô havia! Mais meia hora de espera até aparecer a Manuela Moura Guedes, magérrima e "boquérrima".  O programa começou com uma concorrente que vinha do programa anterior; já ia na décima pergunta, achámos que só faria mais uma ou duas, mas foi acertando até à penúltima. E quanto mais altos os valores em jogo, maior o engonhanço na conversa. Já lá iam três quartos do programa e nós népias. Mas a rapariga desistiu, ficou com 20 mil euros, e lá chegaram os meus 3 segundos de fama ao ser apresentado para a câmara. Tinha o coração a disparar e a pressão do "dedo rápido".

Foi aqui que o cinema francês se atravessou no meu caminho. No programa que passou ontem, por exemplo, tinham a árdua tarefa de pôr 4 palavras por ordem alfabética, mas hoje saiu-nos a fava! «Ordene, do mais antigo para o mais recente, 4 filmes do cinema francês: O Fabuloso Destino de Amélie / Delicatessen / Hiroshima Meu Amor / La Vie en Rose» E nem foi pela pressa que errei; eu não sabia mesmo onde pôr o "La Vie en Rose", achei que fosse um clássico antiquíssimo e pu-lo como o mais antigo, quando na verdade era um recente biopic sobre Édith Piaf.  Dos seis, só uma concorrente é que acertou (felizmente, a mais simpática); teria sido mais embaraçoso se eu tivesse sido o único a errar.

E assim foram ao ar, em meia dúzia de segundos, dois meses de expectativa - mais do que os milhares do prémio (obviamente não despiciendo), era a curiosidade de testar a minha telegenia (que conversas, que à-vontade ou falta dele). Em puto, depois de querer ser Papa e antes de querer ser jornalista, dizia que queria ser produtor de televisão - menos mal, já cheguei a produtor de rádio!

Lá voltei para casa de mãos a abanar, ainda não foi desta que fiquei milionário! Pode ser que um dia lá volte e tenha melhor sorte...
Hélas!
PS: o programa só há-de passar lá para inícios de Dezembro.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

34 (e meio)

Nas últimas semanas multiplicaram-se no Facebook as fotografias de infância e eu deixo aqui a minha contribuição: cá estou eu, com 3 anos, neste mesmo dia. O bolo ainda não era o famoso "bolo de anjo" (aka bolo amarelo) da minha mãe, mas o amarelo já dominava - sempre fui mais para ovos do que para chocolate. E sempre gostei de fazer anos!
O Manel depois de comer uma banana
Se a Luisinha teve a pontaria de nascer no dia de anos da mãe, já o Manel não foi tão certeiro e nasceu... no meio ano do pai. Ou seja, hoje faz seis meses, meio ano! Semi-parabém também a ele!

Esta manhã tivemos uma visita especial. Enquanto acabava um trabalho no computador, comecei a ver um grande reboliço no jardim do nosso prédio, com fotógrafos e jornalistas em volta de um rapaz. Era o David Carreira! Pela piada, lá convenci (a custo) a Maria a descer ao jardim e pedi ao David para tirarmos uma fotografia, que dedico a todos os que me vão lendo por aqui. Quando penso no caminho sinuoso (mas prazentoso) que é a minha carreira, a única certeza que tenho é que quero continuar a escrever mais e melhor.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Manel foi baptizado!

O nome Manuel estava escolhido desde a primeira gravidez. Só não sabíamos o que lhe pôr mais. A Maria não quis Manuel Maria, eu vetei Manuel Tiago. Várias tentativas depois, a Maria propôs: "e se for Manuel Francisco?" Já tínhamos um sobrinho Francisco, e só por isso não tinha sido escolha para primeiro nome, mas assim era diferente e despachávamos de uma assentada os dois nomes preferidos. Se Manuel tinha qualquer coisa de sucessório (eu sou Tiago Manuel, o meu pai Carlos Manuel), Francisco lembrava-me o actual Papa e o santo de Assis. Assim ficou.


Quando, no próprio dia do nascimento, convidámos (via Skype) para padrinho o irmão da Maria, que vive no Brasil, ficou assente que a data do baptizado dependeria da sua próxima vinda à Europa, em trabalho. Disse-nos depois que viria no primeiro fim-de-semana de Outubro, portanto o baptizado ficava para sábado, dia 4. Fui ver, por curiosidade, qual era o santo desse dia: São Francisco de Assis. Perfeito!


Foi, portanto, sob a égide do seu santo que o Manel recebeu o Baptismo, na novíssima (e belíssima) igreja do Parque das Nações, paróquia da minha irmã, que foi madrinha. O Padre Paulo, amigo da família, recebeu-nos muito bem. O meu sobrinho João (aka Mini-Me) foi acólito e o meu irmão liderou o coro familiar.


Seguiu-se um simpático almoço oferecido pelos meus sogros na sua casa do Cartaxo. A Luísa estava radiante na festa do mano e a mãe do festejado estava uma brasa!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Há dez anos dei o salto

Foi preciso vir cá uma equipa londrina (que orgulho a prestação do Sporting frente ao Chelsea!) para eu fazer contas e lembrar-me que há 10 anos estava a mudar-me para Londres, onde cheguei a 28 de Setembro de 2004.

Londres era para mim uma cidade de sonho. A minha irmã tinha lá ido em 1989 e eu tinha devorado os mapas e folhetos que trouxe. Eu visitei em 2001, em versão turista sôfrego, a querer ticar todos os highlights. Assim, terminado o curso de Direito, sem rumo definido e aconselhado pelo sábio professor António Barreto a procurar uma experiência internacional, a escolha de Londres para estudar foi óbvia. Os mestrados duravam só um ano, o que era mais suave para a carteira e para o meu coração caseiro. Mas levava a ideia estúpida de que ia só para estudar e passear, sem criar amizades porque já tinha muitos amigos, e sem correr o risco de querer prolongar a estadia. Era ir e voltar.
Uma das primeiras fotos em Londres (Notting Hill)
Não conhecia lá muita gente: tinha a Margarida, em casa de quem fiquei as primeiras noites, mas que não estava tão perto; e tinha a Migalha, de quem fiquei mais próximo já em Londres. O coração tinha ficado em Lisboa, não senti grande afinidade com os primeiros colegas de curso e de residência que conheci, e não conseguia participar nas aulas (a maioria dos colegas já vinha com experiência profissional e outra bagagem).

Mas o cenário rapidamente melhorou. Comecei a dar-me com o grupo latino da residência, com quem partilhava refeições e serões - aprendi mais espanhol que inglês! Recebi visitas frequentes, fui a todas as festas que pude, conheci a cidade de lés a lés. Escrevia as minhas Crónicas de Londres. Terminados os estudos, muito mais confiante, procurei trabalho e fiquei. Partilhei casa com amigos, num dos bairros mais animados da cidade, e a nossa casa recebeu muitas visitas e foi palco de grandes festas. Vinha a Portugal com frequência e aproveitava as ligações baratas a outras cidades da Europa. Ganhava bem, gostava do trabalho e tinha mais tempo livre.

A dada altura, senti-me mais sozinho e desenraizado, e marquei mentalmente o regresso para uns meses mais tarde (e não de imediato, para cumprir o conselho inaciano de não decidir na desolação). Isso deu-me novo alento para aproveitar melhor o tempo que tinha: meti-me num coro, tive aulas de escrita e virei-me mais para fora. Foi nesta nova fase que conheci a Maria e começámos a namorar; foi obviamente a melhor coisa que me aconteceu em Londres! Mas ainda assim quis regressar e arriscar uns anos de relação à distância, com visitas frequentes. Graças a Deus, não me arrependo dessa decisão.

Os 3 anos que vivi em Londres deixaram-me doces memórias, mas sem dúvida que cá estou melhor. Com um terço do que lá ganhava, tenho cá mais conforto e liberdade de movimentos. A realização profissional pode (ainda) não ser a mesma e a oferta de emprego é incomparável, mas lá chegarei. Em todos os outros parâmetros de bem-estar, Lisboa é mesmo a minha praia. Mas Londres será sempre uma cidade onde voltamos com gosto, sentindo que é a nossa segunda cidade.
Última foto do Crónicas de Londres, com um Banksy em Camden.

domingo, 28 de setembro de 2014

Passeios pelo Centro

Podemos ter feito bem menos praia que em anos anteriores (é vergonhoso admitir que não pusemos um pé no areal da Costa), mas aqui em casa não nos podemos queixar deste Verão. Para o terminar em beleza, a Maria pôs uns dias de férias para podermos dar uns passeios (e adiar mais um pouco a entrada do Manel no "infectário") e fomos passar uns dias à Zona Centro.

Nota: as referências geográficas variam com a experiência de cada um. Várias vezes ouvi amigos referirem-se ao Norte querendo dizer "qualquer coisa a norte de Lisboa", mas para mim, que tenho o Minho materno a nortear-me, ir a Coimbra ou à Serra da Estrela não é "ir ao Norte", mas sim ao Centro, o que aliás é corroborado pela designação das zonas de turismo, em que o Centro corresponde às Beiras, incluindo os distritos de Leiria, Castelo Branco, Coimbra, Aveiro, Guarda e Viseu.

Feita a pesquisa no Booking, segundo os nossos critérios (quarto até 40€/noite, com boas críticas e pequeno-almoço incluído), dividimos a nossa estadia por 2 noites no Inatel do Luso e 2 noites no Pharmacy Hostel, na Curia. Por coincidência, as estâncias termais dos meus avós: o materno ia para a Curia em meados do século passado, os paternos iam para o Luso algures nos anos 80. Consegui encontrar os hotéis frequentados por um e outros, ambos já ao abandono.
Hotel Serra no Luso
Hotel Boavista na Curia
A ideia era andarmos mais pelo campo e procurar praias fluviais, mas o tempo não ajudou, choveu todos os dias. O máximo que fizemos foi cruzar o Parque do Buçaco e andar de gaivota no parque da Curia, e já não foi nada mau!
Lago com gaivotas no Parque das Termas da Curia
Optámos então pelas cidades de Viseu, Coimbra e Aveiro, onde visitámos amigos. Em Viseu, que eu não conhecia, fomos guiados pelo centro por uma ex-colega da Maria. Em Coimbra, visitámos a Diana e o Pedro, poucos dias depois do nascimento do seu Francisco, e a Luisinha visitou o Portugal dos Pequenitos com o amigo Santiago - ela gostou, mas acho que os pais gostaram ainda mais de reavivar as memórias de infância (está tudo igual, claro). Em Aveiro, um momento muito especial: depois de 22 anos sem nos vermos, estivemos a jantar em casa do meu amigo Bruno, companheiro de brincadeiras diárias entre a pré-primária e o sétimo ano; pusemos a conversa em dia (ou quase, que não dá para cobrir tanto tempo numa só noite), brindámos ao reencontro e a tudo o que conquistámos entretanto, e ficámos de repetir a dose (obrigado, Facebook, por me ajudares a recuperar estes contactos).
Luisinha e Santiago no Portugal dos Pequenitos
Na estadia, destacamos o hostel da Curia, que tinha aberto há poucos meses. Era uma antiga farmácia e estava decorado com originalidade (cada quarto era diferente, o nosso tinha chão "relvado") e espírito vintage, os anfitriões muito simpáticos a dar-nos dicas de passeios ao pequeno-almoço. Gostámos muito!
A mesa do pequeno-almoço no Pharmacy Hostel, Curia
No regresso a casa, sem pressas, viemos da Curia e Lisboa por estradas nacionais (5 horas, em vez de duas) e parámos na Figueira da Foz para um almoço de sardinhas à descrição no Mar à Vista, um verdadeiro achado! Isto é, para quem gosta de sardinhas, porque é prato único ali.
No Mar à Vista, Figueira da Foz
Quando, ao partir de Lisboa, sentámos a Luisinha no carro - depois de Londres, Óbidos e Algarve - , perguntou-nos: «Porque é que vamos outra vez de férias??» Faltava-nos este bocadinho de energia para recarregar neste passeio. O novo ano lectivo vai exigir-nos muita energia, graças a Deus temos muitos (bons) desafios em aberto!

domingo, 7 de setembro de 2014

Com licença

Entrei na minha licença de paternidade. A Maria voltou ao trabalho, após 5 meses de licença, e eu tenho agora 30 dias para ficar a tomar conta do Manel. E é tão bom!

Foi altura de apresentar ao Manel o biberão, até agora estava só a mamar. E ele não se atrapalhou! Na primeira vez, que o vídeo abaixo documenta, demorou uns 20 minutos e deixou um fundinho. No fim-de-semana, a Luisinha estava em casa e quis ser ela a dar-lhe o biberão, o que melhorou a performance para 5 minutos, e não ficou nem uma gota!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Memórias da Luz

Nada de confusões: a Luz que aqui quero lembrar tem areia, e não relva; de encarnado só tem a pele dos ingleses que lá passam férias; não atrai águias, só gaivotas; e, em vez de Maxis, só tem minis e Maddie-as.

A pedido de muitas famílias (mentira, foi só o Vasco CS), aqui vai um cheirinho da nossa semana pelo Algarve:
 No caminho para baixo, fizemos uma paragem no novo refúgio bucólico dos primos Serrano Henriques.
Nos primeiros dias, a Luisinha teve a companhia dos primos da Alemanha, Sofia e Gonçalo, filhos da madrinha Ana. E todos os dias a Lu trocava de sapatos com a prima Fifas.
Depois de meses de insistência, lá teve os seus primeiros Crocs (do chinês), obviamente cor-de-rosa e com apliques de bonecada.
A praia proporcionou-lhe momentos de contemplação e desafio do mar com o seu "Dô"...
...e momentos de vaidade feminina com a sua "Dá"!
O "banho do 29" à meia-noite, este ano com direito a concerto do André Sardet, foi só para os mais corajosos: Rita RP e Carolina, Mendes Godinho geração 3.0, e aqui o je a representar os Albinos. Os Costa Simões tiveram falta.
Além desta, a única excursão nocturna que tivemos foi à belíssima aldeia de Pedralva, para jantar as afamadas pizzas. Com filhos pequenos, anda-se menos no laró.
Como é hábito, o dia de anos das meninas começou com a distribuição de bolas de Berlim na praia...
...e prosseguiu com um almoço improvisado, a minha irmã e família foram festejar connosco!
Na praia, apesar de ir sempre de barrete, o Manel fez sucesso entre as meninas, chegando a causar pequenas brigas para ver quem lhe pegava. Um bom augúrio para o seu futuro.
Os cavalinhos do carrossel junto à praia conduziram as nossas Cinderelas...
...enquanto em casa, recorrendo a um clássico da literatura infantil, se estimulava o labor de Gata Borralheira.
Por fim, tentámos introduzir as papas ao Manel, mas sem grande sucesso.
Esteve-se bem na Luz!

domingo, 31 de agosto de 2014

De volta aos clássicos

Sou um revivalista. Sem que isso me impeça de seguir em frente. Gosto de cumprir tradições, de voltar aos lugares onde já estive, de reencontrar as mesmas pessoas.

Gosto, por exemplo, deste regresso anual à Praia da Luz, uma tradição dos Albinos que se tornou também minha - as conversas no toldo, o banho do 29, até consigo ter pena de já não ter vivido as noitadas na Sociedade ou no Privé. Gosto de relembrar em Alvalade as idas à bola com o Avô e os Tios, numa excitação que começava logo ao acordar. Gosto do sentimento de continuidade do encontro anual de primos em Famalicão, onde estaremos daqui a 2 semanas.

E gosto quando a rotatividade das modas me permite reviver, ainda que superficialmente, idades transactas de memórias intensas, como a adolescência. Primeiro foram os All Star, a seguir os Vans, este ano voltaram os Stan Smith*, os tais do senhor a quem o filho um dia perguntou se eram os ténis que tinham o nome dele ou se ele se chamava assim por causa dos ténis. Foram meus companheiros fiéis nos últimos anos de Educação Física, nas aulas de ténis ou nas primeiras saídas à noite, lá para meados de noventa. Sucederam aos Le Coq Sportif na minha mania de substituir uns ténis estragados por outros exactamente iguais. Os últimos terão caído em desgraça numa fase sensaborona em que os sapatos de vela viraram uniforme para os 12 meses. Mas sejam bem-vindos de volta!

Por falar em clássicos, daqui a umas horas teremos o primeiro da época e seria do caraças festejar uma vitória leonina!

*Obrigado à Maria João e ao Rui pelo transporte que me permitiu economizar um bocado.

sábado, 30 de agosto de 2014

TRÊS

A Luísa estava muito contente porque ia adormecer com 2 anos e acordar com 3! E mais contente vai ficar de manhã, quando vir a trotinete que lhe vamos oferecer.
Deitadas as crianças, fomos fazer uma espécie de #icebucketchallenge nas águas do Atlântico, porque era a noite do banho da meia-noite na Praia da Luz, este ano ao som de André Sardet (uma banhada nunca vem só). A festa seguirá de manhã, de novo na praia, com a habitual distribuição de bolas de Berlim.

A mãe Maria também está de parabéns! Há 3 anos, adormecemos a planear o seu jantar de anos e acordámos com as contracções pré-parto - não só não houve jantar, como perdeu a exclusividade no aniversário!* Ainda tomámos o pequeno-almoço nas calmas, mas depois seguimos para o hospital, onde a Luisinha viria a nascer às 21h10. Querem melhor presente de anos? E assim passámos a ter um duplo festejo neste dia!

* Na verdade, é o dia em que conheço mais gente a fazer anos, além das duas conheço mais 9 aniversariantes.