sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Memórias da Luz

Nada de confusões: a Luz que aqui quero lembrar tem areia, e não relva; de encarnado só tem a pele dos ingleses que lá passam férias; não atrai águias, só gaivotas; e, em vez de Maxis, só tem minis e Maddie-as.

A pedido de muitas famílias (mentira, foi só o Vasco CS), aqui vai um cheirinho da nossa semana pelo Algarve:
 No caminho para baixo, fizemos uma paragem no novo refúgio bucólico dos primos Serrano Henriques.
Nos primeiros dias, a Luisinha teve a companhia dos primos da Alemanha, Sofia e Gonçalo, filhos da madrinha Ana. E todos os dias a Lu trocava de sapatos com a prima Fifas.
Depois de meses de insistência, lá teve os seus primeiros Crocs (do chinês), obviamente cor-de-rosa e com apliques de bonecada.
A praia proporcionou-lhe momentos de contemplação e desafio do mar com o seu "Dô"...
...e momentos de vaidade feminina com a sua "Dá"!
O "banho do 29" à meia-noite, este ano com direito a concerto do André Sardet, foi só para os mais corajosos: Rita RP e Carolina, Mendes Godinho geração 3.0, e aqui o je a representar os Albinos. Os Costa Simões tiveram falta.
Além desta, a única excursão nocturna que tivemos foi à belíssima aldeia de Pedralva, para jantar as afamadas pizzas. Com filhos pequenos, anda-se menos no laró.
Como é hábito, o dia de anos das meninas começou com a distribuição de bolas de Berlim na praia...
...e prosseguiu com um almoço improvisado, a minha irmã e família foram festejar connosco!
Na praia, apesar de ir sempre de barrete, o Manel fez sucesso entre as meninas, chegando a causar pequenas brigas para ver quem lhe pegava. Um bom augúrio para o seu futuro.
Os cavalinhos do carrossel junto à praia conduziram as nossas Cinderelas...
...enquanto em casa, recorrendo a um clássico da literatura infantil, se estimulava o labor de Gata Borralheira.
Por fim, tentámos introduzir as papas ao Manel, mas sem grande sucesso.
Esteve-se bem na Luz!

domingo, 31 de agosto de 2014

De volta aos clássicos

Sou um revivalista. Sem que isso me impeça de seguir em frente. Gosto de cumprir tradições, de voltar aos lugares onde já estive, de reencontrar as mesmas pessoas.

Gosto, por exemplo, deste regresso anual à Praia da Luz, uma tradição dos Albinos que se tornou também minha - as conversas no toldo, o banho do 29, até consigo ter pena de já não ter vivido as noitadas na Sociedade ou no Privé. Gosto de relembrar em Alvalade as idas à bola com o Avô e os Tios, numa excitação que começava logo ao acordar. Gosto do sentimento de continuidade do encontro anual de primos em Famalicão, onde estaremos daqui a 2 semanas.

E gosto quando a rotatividade das modas me permite reviver, ainda que superficialmente, idades transactas de memórias intensas, como a adolescência. Primeiro foram os All Star, a seguir os Vans, este ano voltaram os Stan Smith*, os tais do senhor a quem o filho um dia perguntou se eram os ténis que tinham o nome dele ou se ele se chamava assim por causa dos ténis. Foram meus companheiros fiéis nos últimos anos de Educação Física, nas aulas de ténis ou nas primeiras saídas à noite, lá para meados de noventa. Sucederam aos Le Coq Sportif na minha mania de substituir uns ténis estragados por outros exactamente iguais. Os últimos terão caído em desgraça numa fase sensaborona em que os sapatos de vela viraram uniforme para os 12 meses. Mas sejam bem-vindos de volta!

Por falar em clássicos, daqui a umas horas teremos o primeiro da época e seria do caraças festejar uma vitória leonina!

*Obrigado à Maria João e ao Rui pelo transporte que me permitiu economizar um bocado.

sábado, 30 de agosto de 2014

TRÊS

A Luísa estava muito contente porque ia adormecer com 2 anos e acordar com 3! E mais contente vai ficar de manhã, quando vir a trotinete que lhe vamos oferecer.
Deitadas as crianças, fomos fazer uma espécie de #icebucketchallenge nas águas do Atlântico, porque era a noite do banho da meia-noite na Praia da Luz, este ano ao som de André Sardet (uma banhada nunca vem só). A festa seguirá de manhã, de novo na praia, com a habitual distribuição de bolas de Berlim.

A mãe Maria também está de parabéns! Há 3 anos, adormecemos a planear o seu jantar de anos e acordámos com as contracções pré-parto - não só não houve jantar, como perdeu a exclusividade no aniversário!* Ainda tomámos o pequeno-almoço nas calmas, mas depois seguimos para o hospital, onde a Luisinha viria a nascer às 21h10. Querem melhor presente de anos? E assim passámos a ter um duplo festejo neste dia!

* Na verdade, é o dia em que conheço mais gente a fazer anos, além das duas conheço mais 9 aniversariantes.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Na Casa do Vau

No ano passado recriámos a tradição, depois de uma década de pausa. Este ano, com o nascimento do Manel e da Teresinha, passámos a estar em desvantagem: 8 adultos para 9 crianças (e uma barriga avançada). O mesmo é dizer em larga vantagem, que não há melhor proveito do que tamanha prole - sobretudo quando todos adormecem e podemos, por fim, disparatar numa madrugada de snooker regada a Amêndoa Amarga.
Quando procurava casa para esta pequena multidão, algures entre Lisboa e Porto, encontrei uma preciosidade com 7 quartos, espaço a rodos, piscina, churrasco e uma mão cheia de extras simpáticos. O calendário de disponibilidade dizia-me que estava reservada o Verão inteiro, à excepção de 4 dias em Agosto, precisamente o tempo que queríamos passar juntos e na semana em que todos tínhamos férias. À falta de contactos no site, procurei a casa no Google Maps e mandei uma carta aos donos, com a nossa foto do ano passado a apelar ao sentimento, para que abrissem uma excepção à reserva mínima de uma semana. E resultou, foram simpatiquíssimos connosco e pudemos ali passar uns dias de sonho.
Quase nem saímos de casa. Tirando os abastecimentos básicos (quem achou que 3 caixas de minis chegavam?), fomos só uma vez a Óbidos para não parecer mal, estando tão perto. Os miúdos divertiam-se a dar saltos para a piscina e a dar de comer aos peixinhos, nós experimentávamos o ping-pong e o ténis, e à noite havia tempo e calma (porque os miúdos brincavam à nossa vista) para desfrutarmos a mesa - o churrasco do tio Vasco e as pizzas do mestre André fizeram sucesso.
Dá gosto ver (e fomentar) na geração abaixo a cumplicidade que nos une há vinte e tal anos. E, apesar das distâncias que a vida nos impôs (até quando?), estes encontros lembram-nos que, querendo, é fácil estar mais perto do que é importante.
 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

De volta a Londres

Lá voltámos a visitar a cidade onde tudo começou. Foram 9 horas de viagem (porta a porta) à ida e outras tantas à vinda, para só estarmos lá 3 dias inteiros. Em cada dia, passámos mais tempo em transportes do que com os amigos que íamos visitar, sempre mais de 1 hora entre uma paragem e a seguinte, subir e descer as escadas do metro com o carrinho de bebé (ou, em alternativa, percursos intermináveis de autocarro), sempre a chegar a casa depois da meia-noite - uma canseira, portanto. Os bilhetes já não tinham sido baratos, depois tive de pagar outro tanto para alterar o voo de regresso (para não falhar uma oportunidade única que entretanto surgiu), e lá gastámos outro tanto - isto sem pagar alojamento, nem táxis, nem um único souvenir, nem praticamente comer fora. Londres é cara, ponto.
Mas se perguntam que valeu a pena, claro que valeu!
Baptismo de voo do Manel
Em primeiro lugar, o facto de termos ido os quatro e de, simbolicamente, ter sido a primeira viagem ao estrangeiro do Manel (embora ele nunca se vá lembrar). A Luísa já aproveitou melhor os programas, achou o máximo andar em todos os transportes, brincou com miúdos e graúdos. À chegada, quando lhe dissemos "aqui as pessoas falam inglês", ela respondeu-nos: "isto vai ser divertido!" E às vezes tentava fazer sons parecidos, a fingir que falava a língua.
 
Em segundo lugar, Londres é Londres. Por muito que não seja novidade para quem lá morou, por muito que não tenhamos posto o pé em nenhum dos principais pontos turísticos (confesso que foi estranho ir a Londres sem ver Trafalgar Square, Piccadilly Circus ou o mercado de Camden), por muito que o excesso de gente (quase sempre feia e antipática, permitam-me a sinceridade) em todo o lado canse, Londres tem sempre algo de monumental, de cosmopolita e de relaxado que me fascina. Cruzar uma ponte com vista para o Parlamento ou para os mais modernos arranha-céus, ver a cada esquina gente de todas as raças e feitios, e cada um poder andar como lhe apetecer sem que ninguém estranhe, são coisas de que tenho saudades. Disso e da variedade de "produtos étnicos" nos supermercados.
Brinde em casa da Nayan
Depois, o reencontro com a Nayan e o seu mundo familiar. Foi ela que nos convenceu a ir, com o atractivo extra de estarmos também com o seu queridíssimo pai. No seu novo apartamento, um 12º andar com vista magnífica sobre toda a cidade, tivemos um serão espectacular e pusemos a conversa em dia. A dado momento, estávamos a comer iguarias indianas, ao som de António Zambujo e Ana Moura, a Luisinha a saltar de colo em colo - foi perfeito.
 
Foi também ocasião para outros bons reencontros. Com o Rui e a Maria João, com quem estamos mais vezes, foi especial partilhar os seus preparativos para o grande momento que aí vem. Com a minha antiga chefe Sue e com as antigas colegas da Maria no King's College Hospital. E com o meu amigo Braulio, com cuja filha Emilia a Luisinha se fartou de brincar. Infelizmente não deu para estarmos com metade das pessoas que gostaríamos, mas já sabíamos que ia ser apertado para mais.
Brunch de domingo em Chiswick
Last but not least, os nossos anfitriões, Teté e João, trataram-nos muito bem! Depois de termos estado juntos um mês antes, no seu casamento, fomos das primeiras visitas na sua simpática casa nova e foi bom ver como estão felizes e, no meio da correria que foram estes dias, podermos sentir-nos em casa em sua casa. Muito obrigado aos dois!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um jantar supimpa!

Para uma grande comemoração, um grande restaurante! O consenso foi, uma vez mais, imediato quando escolhemos onde ir nos anos de casados: o Sushic! Se fosse simplesmente por ser o restaurante do meu querido amigo Hugo, que há 5 anos se lançou na aventura de abrir um japonês de qualidade na Margem Sul, já seria motivo de sobra. Mas novamente comprovámos que não é por acaso que o Sushic foi considerado o segundo melhor japonês fora do Japão, com base nas avaliações do TripAdvisor. Como dizia a Maria, parafraseando um amigo, «parece que há uma festa na minha boca e todos estão convidados».
Desta vez, o Hugo não estava, tinha ido inaugurar um novo espaço em Sesimbra, e não vi logo o seu pai. Fomos preguiçosos na escolha e pedimos primeiro o que já conhecíamos: umas gyozas para entrada, um combinado de fusão e uma sangria, já que estávamos a comemorar as bodas de fruta. E estávamos perfeitamente satisfeitos com o que tínhamos na mesa, muitos furos acima de qualquer outro japonês.
Quando ia pedir mais, vi o pai do Hugo e fui cumprimentá-lo. A partir daqui, assumiu a escolha do que vinha para a nossa mesa: primeiro um tataki de espadarte, depois um sushi verde com um molho adocicado (não vi o nome) e, por fim, estes maravilhosos canelones de atum.
Rematámos com bolo de chocolate e pudim de gemas de Alcobaça (é fácil adivinhar quem comeu o quê), e brindámos com um moscatel, cortesia do nosso anfitrião Eduardo. É que além de comermos esplendidamente, somos sempre muito bem recebidos!

Esta fase com filhos pequenos não favorece os jantares a dois, mas vamos tentar que não passe um ano sem voltarmos ao Sushic. É que vale mesmo a pena!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Bodas de fruta

E mais um ano passou desde o melhor dia para casar! Daqui vai o nosso bem-haja ao grande Quim Barreiros, cuja música imortalizou a data e serve de lembrete a muitos dos que nos parabenizam neste dia. 

Foi há 4 anos! Fazíamos nesse dia 3 anos, 3 meses e 3 dias de namoro, descobri-o já a caminho da igreja (ainda a tempo de inspirar a homilia), e o 3 é o número que nos aponta à perfeição. E foi no dia de Santo Inácio de Loyola, um santo muito presente no nosso caminho e nas nossas amizades, que quisemos passar a amar e servir a dois. 

A presença de tantos amigos, muitos vindos de longe, a emocionada entrada na igreja, a saída de lambreta, a entrega dos nossos Óscares como agradecimento a alguns convidados, as surpresas do "Jai Ho" dançado em flash-mob e do vídeo que nos dedicaram, o baile animado pela noite dentro, são memórias que sempre nos hão-de acompanhar e que estão bem resumidas neste vídeo:
Actualizando a contabilidade do ano passado, das 200 pessoas que connosco partilharam aquele dia, nasceram entretanto 46 crianças e estão 7 para nascer, um registo fantástico! Não posso deixar de lembrar também a Mariela, que veio do Chile de propósito para o casamento (Óscar para a amiga que veio de mais longe) e que esteve em casa dos meus pais nas minhas últimas 48 horas de solteiro; foi a última vez que nos vimos. Para a mesma doença, a de sempre, perdemos este ano a Mariela e a Prof. Maria José Boavida, professora da Maria no curso de Biologia.

Dizem que os 4 anos de casamento são as bodas de fruta, flores ou cera. Inspirado na fruta, acordei a Maria com este pequeno-almoço, servido numa nova bandeja "frutada":

As nossas maiores flores são a Luisinha e o Manel, claro está! E a nossa melhor fotografia com eles vai passa hoje a estar na nossa sala, nesta tela:

Agora a cera... hum... bem, desejo que a nossa relação continue a ser construída com o cuidado laborioso das abelhas, para que na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, possamos sempre amar-nos, respeitar-nos e ser fiéis um ao outro, todos os dias da nossa vida; que mantenhamos a chama acesa, como uma vela que nunca apaga; e quanto à parte do futuro que não dominamos, nem devemos querer dominar... que cera, cera!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Atrás da Felicidade

A senhora que faz limpezas no sítio onde trabalho, um par de horas por semana, chama-se Felicidade. No resto do tempo, trabalha numa igreja ali perto.

Há dias, esqueci-me da chave, nenhum dos colegas estava por ali e alguém me sugeriu que fosse pedir as chaves à Felicidade. E eu bati à porta da igreja, à procura da Felicidade. E não pude deixar de me rir para dentro ao pensar nesta frase, que faz todo o sentido para um católico praticante.

Uma semana mais tarde, era dia de pagar à Felicidade, mas como nos esquecemos de lhe deixar o dinheiro, lá fui novamente à igreja para lho entregar. E logo pensei: ainda dizem que a Felicidade não tem preço...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Está feita!

E pronto, já está! Com a colagem do n.º 466, o avançado iraniano Gholamreza Rezaei, dei por terminada a minha caderneta do Mundial! Yupi!
O objetivo foi alcançado graças a um método apurado: depois de esgotadas as trocas com os mais próximos, anexei os cromos repetidos do sobrinho e dum amigo, para gerar uma economia de escala; inscrevi-me neste e neste sites, que optimizam as trocas possíveis entre todos os utilizadores, e num grupo no Facebook, e daqui resultaram umas 20 trocas pelo correio. Umas horas antes da final do Mundial, tinha acabado de combinar a última troca, que me faria completar a colecção. Mas as cartas foram chegando e chegando, consegui os últimos cromos a vários amigos, mas nunca me chegou a carta com o último cromo... ou fui aldrabado, ou perdeu-se pelo caminho.

Era altura de usar um último recurso: os homens que trocam cromos à porta da estação do Rossio. Quase todos os dias passo lá de mota e andava a querer escapar-lhes, mas lá teve de ser. A fauna que por ali anda é, no mínimo, sinistra e são uns verdadeiros agiotas dos cromos! Trocam 4 por 1, não aceitam qualquer repetido (tem de ser dos "difíceis") e tentam à força vender em vez de trocar. Mas como eu tinha um molhão de repetidos e só me faltava um, o poder negocial estava do meu lado e lá consegui o 466 sem dificuldade.

E pronto, assim termina a saga dos cromos, dois meses depois de ter começado - sendo que só nas primeiras 2 semanas comprei carteirinhas, o resto foi tudo internet, CTT e listas em Excel e em papel, que a Maria já não podia ver à frente (e com razão!). Finalmente, pode agora respirar de alívio, que o futebol vai entrar de férias...

Ah não, espera lá, a época em Alvalade começa já na próxima semana, e lá estarei batido com o meu compadre Vasco!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Pas de deux

Se quem canta seus males espanta, quem dança espanta-os ainda mais! A entrar numa idade cada vez mais dengosa, a Luisinha gosta de nos puxar para dançar. Há dias pediu para dançar com o mano, eu acedi passar-lho para os braços e o resultado foi este:
E eu, embevecido, a imaginá-los amigos e cúmplices pela vida fora, a reverem este e outros vídeos. Já dizia o Fernando Castro, mentor das famílias numerosas, falecido este ano, com quem tive a sorte de privar um par de vezes: «Se queres ver uma criança feliz, dá-lhe um irmão.» E pensar na quantidade de vezes que nos pré-ocupámos, durante a gravidez do Manel, sobre como iria reagir a Luisinha...

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A primeira viagem do Manel vai ser a...

...vejam lá se descobrem pela roupa do petiz?
Babygro oferecido pela Margarida, vizinha cá e (relativamente) vizinha lá
Pois é, a estreia de avião da Luisinha tinha sido numa ida a Londres (no pino do Inverno, com direito a neve e tudo) e agora vai ser a vez do mano Manel ir conhecer a cidade onde os pais começaram a namorar, desta vez no pino do Verão.

Dessa última vez, em 2012, ficámos um bocado desconsolados: tal como nós, muitos amigos já tinham partido de Londres; com os amigos portugueses que lá vivem acabamos por estar quando vêm cá de férias; e encontrar os restantes, salvo uma ou outra excepção, foi um bocado a saca-rolhas - o frio era muito e deslocar-se na cidade um incómodo, eu percebo, mas a inércia abunda por aquelas bandas (ou, visto de outra perspectiva, ver-nos não tem de ser prioridade para toda a gente). Aceitámos a máxima "nunca voltes ao lugar onde já foste feliz" e pusemos uma nota mental para só lá voltarmos daqui a uns anos valentes.

Só que o coração trocou-nos as voltas. A Nayan, minha ex-flatmate indiana, com quem mantenho longas conversas, foi insistindo para lá irmos, tanto quanto nós insistimos para que ela e o marido venham cá. Só que desta vez jogou uma carta poderosa: a oportunidade de estarmos também com os seus pais, que nos visitaram em Londres quando eu morava com ela, que nos receberam em Bombaim quando fomos ao casamento da filha e com quem vamos trocando mimos via Facebook. Basta olhar para eles...
...para perceber como são mesmo mesmo queridos. Ainda tentámos que fossem eles a vir a Lisboa, como mais cedo ou mais tarde acontecerá, mas já não lhes cabia no plano desta viagem à Europa. Parámos de complicar, esquecemos os entraves e, ainda sem certeza de alojamento, comprámos os voos. Vamos os quatro, num fim-de-semana comprido de Agosto, em grande parte para encontrar estes quatro amigos indianos, mas com vontade de revisitar muitos lugares da nossa história londrina (e mostrá-los à Luisinha) e de estar com todos os que conseguirmos. E vai ser muito bom!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Coisas que não entendo #1

Hoje, no Continente, ia comprar alho em pó, que uso bastante. Tendo já em casa a embalagem de plástico duro, com tampa doseadora, bastava-me enchê-la com o conteúdo de uma "recarga", daquelas que vêm numa embalagem de plástico mole, ligeiramente mais ecológica e obviamente mais barata... ou não!
60 gramas de alho em pó em embalagem doseadora de plástico duro - 0,54€
Recarga de 60 gramas de alho em pó - 0,64€ (quase +20%)
Se fosse uma promoção para escoar o stock das embalagens duras, eu ainda percebia, mas não... vá-se lá entender! Trouxe a dura.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Outros Campeonatos

Faz hoje 10 anos que um golo do grego Charisteas deixou todo o País com um grande melão. Ou, se virmos pela positiva, faz 10 anos que Portugal alcançou a melhor classificação da sua história num Campeonato da Europa ou do Mundo.
Tive a sorte de trabalhar como motorista da UEFA no Euro 2004, o que me permitiu não só acumular algumas massas (estava a poucos meses de ir estudar para Londres), como também assistir aos 3 jogos de Portugal na fase a eliminar: nos quartos-de-final, quase morri do coração nos penalties contra a Inglaterra; nas meias-finais contra a Holanda, foi um espanto o fair-play dos adeptos laranja a festejar connosco; na final, a que assisti com o Chico, meu amigo açoriano, foi a tal desilusão, mas em todo o caso terá sido provavelmente a única final de uma competição destas que assistirei na vida.
Com o Chico (a minha máquina estava marada)
Dois anos passados, o Mundial de 2006 apanhou-me entre Londres e a Colômbia. Pus uma bandeira de Portugal por cima da minha secretária, no trabalho, e assisti aos jogos da fase de grupos em Stockwell, onde a comunidade portuguesa fazia parar o trânsito. Depois, numa viagem épica com a minha grupeta latina, vibrei com o Portugal - Inglaterra (novamente ganho nos penalties) em Medellin e sofri com a meia-final, perdida para a França, em Cartagena. Foi um Mundial de grandes memórias!
Com o Juan e o Roberto, em Medellin, no dia em que eliminámos a Inglaterra (01.07.2006)
Depois do Europeu de 2008 e do Mundial de 2010, sem grande história, veio o Europeu de 2012, na Polónia e Ucrânia. Logo no sorteio, reparei que os dois primeiros jogos de Portugal eram em Lviv, a cidade ucraniana onde morava o meu amigo Vitaliy. Desafiei dois amigos, o Edgar e o Carlos, e lá fomos nós! Assistimos à derrota contra a Alemanha e à vitória contra a Dinamarca. Encontrámos outros amigos por lá, falámos para a rádio e para a televisão, demos um passeio de carro por outras zonas da Ucrânia, visitámos Cracóvia e Auschwitz. Foi o máximo! Portugal foi até às meias-finais, que perdemos para a Espanha; assisti a este jogo no hospital, no dia em que fui operado ao dedo, logo a seguir ao acidente de mota.
No fim do Portugal - Dinamarca, em Lviv (13.06.2012)
Ainda fantasiámos sobre a hipótese de ir ao Brasil ver este Mundial, mas, dado o timing em que o Manel nasceu, a ideia nunca passou disso mesmo. E ainda bem! 
As baterias ficam agora apontadas ao Europeu de França, daqui a 2 anos...

domingo, 22 de junho de 2014

Ainda os cromos

Prestes a colar o cromo do Ronaldo (passe o pleonasmo)
Se eu já estava entusiasmado quando escrevi o post anterior sobre cromos, muito mais fiquei desde então! Por me faltarem cada vez menos cromos*, cada vez é mais difícil encontrar os que me faltam e mais pica a coisa dá! Porque, como nerd do Excel e das listas, dá-me muito gozo ir gerindo as trocas nesta tabela. Porque me ajuda a desanuviar da tensão provocada pelo nosso arranque embaraçoso neste Mundial - eu sou dos que sofrem com isto, mas também sou optimista e acredito que vamos dar a volta. Mas não é só por isto.

Além de tudo o que os cromos nos podem ensinar sobre economia, como explica este artigo do The Economist, é a interacção humana que me dá mais gozo. A seguir ao post no blogue, publiquei também no meu mural do Facebook a minha lista de faltas e repetidos, o que gerou uma onda de respostas. Já mandei cromos pelo correio para Inglaterra, já me encontrei com vizinhos, já visitei amigos, já me correspondi com primos. A caderneta vai ficando cada vez mais preenchida e, entre a conversa de números-para-cá, números-para-lá, fala-se também de outras coisas e vamos sabendo uns dos outros. Fomenta-se também o altruísmo: já procuro também cromos para amigos de amigos, que nem sequer conheço, porque "só lhe faltam estes 3 e não encontra em lado nenhum" (versão croma dos favores em cadeia).

É por isto que eu gosto dos cromos. Pela mesma razão que tento sempre ver o futebol acompanhado. Podem ser coisas meio inúteis, com interesses por trás (as vendas da Panini ou os milhões dos clubes e empresários), mas dão-nos pretexto para meter conversa.

E, já agora, que hoje os nossos cromos não nos desiludam!

* 60 cromos, a saber: 12, 14, 15, 30, 37, 41, 77, 92, 96, 110, 135, 136, 140, 144, 150, 154, 171, 176, 178, 234, 260, 265, 273, 283, 288, 291, 300, 315, 338, 342, 351, 353, 358, 359, 364, 365, 394, 397, 401, 407, 430, 439, 452, 466, 483, 487, 544, 548, 568, 571, 575, 587, 593, 602, 618, 621, 628, 629, 633, 636. Quem me ajuda? Os meus repetidos para a troca: 85, 229, 262, 322, 339, 429, 435, 509, 513, 515, 535, 542.

Diá-Lu-gos #5

No carro, a caminho do supermercado, decido explicar à Luisinha o porquê da festa do primo João, que hoje fará a Primeira Comunhão:
- Quando a Lu vai com o Pai à missa, há uma altura em que o Pai vai lá à frente, ao pé do Senhor Padre, para comer uma coisa branca, redonda. Sabes o que é?
Já me preparava para puxar pela cabeça, para explicar a uma criança de 2 anos a transubstanciação, em que os católicos acreditam, quando ela responde muito prontamente:
- O Corpo de Cristo!
E ficámos assim: - Sim, Luisinha, hoje o primo João vai receber o Corpo de Cristo pela primeira vez, e nós vamos à festa.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Bamos lá, cambada!

Desde o seu início que o MSV vende t-shirts como forma de angariação de fundos para os seus projectos. Durante muitos anos, fazíamos poucas e eram os voluntários a vendê-las no fim das missas, o que ainda fazemos. Quando arrancámos com projectos profissionais (o Sentidos e a Casa das Cores), pegámos nesta campanha que funcionava bem e tornámo-la também mais profissional: todos os anos produzimos uma colecção de 5-10 mil t-shirts e "montamos a banca" em mais de 200 empresas e colégios (a propósito, se ainda não fomos à sua, ajude-me a consegui-lo!). A ideia é vender às pessoas um produto giro, útil e de qualidade, e não um merchandising "só para ajudar".

Esta imagem é um cheirinho da colecção 2014, que podem ver e comprar na Loja Online do nosso site (ou mandem-me um mail com o vosso pedido e faço-vos chegar).
Como é hábito no mundo das instituições, pedimos ajuda para ter novos desenhos todos os anos - a amigos designers, agências ou até ao IADE. Mas há sempre alguns que acabam por ser feitos pela carolice "da casa". O multitasking é essencial para trabalhar numa instituição, porque nalgum momento há que fazer de tudo; tem a grande vantagem de não ser monótono e de aprendermos muito. Já aprendi a programar sites e a fazer o básico com ferramentas de desenho. Para fazer t-shirts, por exemplo.

Como este ano havia Mundial, e ainda por cima tínhamos a sorte de ter um dos 23 seleccionados, o Ruben Amorim, a dar a cara pela Casa das Cores, não podíamos deixar de fazer uma t-shirt com as cores de Portugal, a exaltar valores positivos que não se esgotam no futebol. E assim saiu a obra deste vosso amigo:
"Vamos lá cambada" e "força nas canetas" não podiam faltar!
Não é gira? Toca a comprar na Loja Online do MSV!
Tamanhos: criança 5/6, 7/8, 9/11 e 12/14 anos;
senhora, com e sem mangas, do XXS ao XL; homem, do S ao XXL
Aqui fica a minha proposta de equipamento para assistir aos jogos da selecção, e para usar nos festejos, que esperamos fazer nas ruas de Portugal (e não só, que já vivi um Mundial em Londres e também lá conseguimos parar o trânsito), nas próximas semanas! Se não gostarem desta, têm muito por onde escolher, para miúdos e graúdos, aqui: www.msv.pt/loja.php?conteudo=loja_tshirts

sábado, 7 de junho de 2014

Anda comigo ver os aviões

Perante eventos de multidões, a maioria das pessoas tem uma de duas atitudes: a) fugir da cidade ou evitar sair de casa; ou b) querer meter o nariz em tudo o que for possível. Eu sou claramente dos segundos!

Apesar de não estar entre os sortudos que conseguiram assistir no estádio à final da Champions, tentei aproveitar ao máximo a animação daqueles dias. Na véspera, aproveitando a sorte que é trabalhar na Baixa, fui até ao Terreiro do Paço ver a própria taça (chamam-lhe a "orelhuda"); dava para tirar uma fotografia mesmo ao lado, mas como a fila era enorme, fiquei-me por esta selfie.
No dia do jogo, espicaçado pelas notícias de que haveria um recorde de tráfego aéreo na Portela, levei a Luisinha a ver os aviões aterrar e descolar (Joana, lembrei-me de ti). Há sempre por ali uns "planespotters" (pessoas que gostam de ver ao perto e fotografar aviões), que naquele dia eram dezenas! A Luisinha apreciou tudo com muita atenção, desde o barulho da aceleração no descolar ao fumo do trem de aterragem quando toca na pista.
Os "planespotters" com especial atenção ao Boeing 777-200ER da Emirates,
por sinal o patrocinador do Real Madrid, vencedor da Champions
À noite, mal os "merengues" levantaram a taça, fui dar uma voltinha na minha lambreta, Avenida da Liberdade abaixo, para checar os festejos dos nuestros hermanos que invadiram Lisboa. Tudo alegre, mas dentro do ordeiro e buena onda.
Acabei por ir ter com amigos ao novo Mercado da Ribeira, onde também vi várias caras da televisão - Lisboa é uma ervilha e anda tudo ao mesmo. Em véspera de eleições, os manos António e Ricardo Costa petiscavam por ali, a seguir ao jogo, quem sabe se a delinear tácticas para outros jogos.
Assim se passou mais um grande evento na nossa cidade. Provámos ao mundo, mais uma vez, que podemos não ter muito jeito para nos governar a longo prazo, mas somos do melhor a organizar festas. E, confesso, não tenho nada contra a formiga, mas foge-me o pé para a cigarra.

domingo, 1 de junho de 2014

Voltar a ser criança

O Dia da Criança é perfeito para vos revelar que, passados 20 anos desde a última colecção que tinha feito, volto a estar viciado em cromos! É básico? Sim. Inútil? Também. Um desperdício de dinheiro? De certa forma. Mas é tão bom voltar a sentir aquela adrenalina de abrir uma carteirinha nova, de ver as equipas a ganhar rostos, de ir riscando os números na lista (até poder mandar a cartinha mágica a pedir os últimos), que não resisti à sugestão dos meus amigos Carlos e Ascensão e caí nos braços da Panini.
Iniciei-me nos cromos há 30 anos. Tinha três aninhos e ajudava o meu irmão a colar cromos nesta caderneta do Euro 1984. Portugal tinha craques como Jordão, Veloso ou Chalana, com os seus visuais à anos 80, num campeonato em que o maior cromo foi Platini - já então nosso inimigo.
A partir daqui, comecei a fazer colecções por conta própria: cadernetas de desenhos animados, de animais, até uma original com notas de todo o mundo, mas o que me dava mesmo pica era o desporto. Lembro-me de vibrar com a caderneta da NBA, numa altura em que a RTP transmitia os jogos ao fim-de-semana, mas a colecção que provocou a maior febre entre colegas de escola foi a do campeonato 93-94. E acho que a coisa parou por aí. Dos 4 aos 14 anos, o razoável.

Mas o coração tem razões que a própria razão desconhece e, com a desculpa de iniciar a Luisinha neste passatempo, comecei a comprar os cromos do Mundial. Na impossibilidade de estar no Brasil e viver por dentro o campeonato, como fiz no último Europeu, desforro-me nos cromos. A primeira vez que cheguei ao quiosque para pedir carteirinhas (é todo um vocabulário que renasce) teve o seu quê de embaraçoso, mas afinal de contas a moda dos revivalismos anda aí e também não há que ter vergonha de ser infantil nalgumas coisas.

A Luisinha achou graça a colar "os meninos", e até se ajeitou com aquilo, mas aqui o "arrumadinho" punha-se nervoso quando ela os colava tortos, sem ficarem rigorosamente dentro do rectângulo previsto, pelo que, para bem dos dois, passei a abrir muitas saquetas às escondidas... no fundo, ela ainda não acha assim taaaanta piada àquilo, ok?
A Luisinha muito compenetrada a colar os cromos...
...e eu a sofrer por dentro quando eles ficavam um bocadinho tortos!
Como se isto não bastasse, e depois de, à primeira, ter achado uma ideia estapafúrdia, viciei-me também na colecção virtual do Mundial, que tem a grande vantagem de ser grátis e mais rápida, pelo que estou quase a acabar. Já na versão em papel, ainda me faltam uns 400 cromos... é que quer a Panini, quer a FIFA, cresceram no olho para o negócio: hoje o número de selecções num Mundial é maior (32, desde 1998; até aí eram 24), o que dá mais de 600 cromos!

E desse lado, quem tem repetidos para a troca?