quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Diá-Lu-gos #6

Há dias fomos conhecer o filho recém-nascido dum casal amigo. No telefonema dessa noite, a minha Mãe fez à Luisinha a pergunta típica:
- O bebé Xavier é mais parecido com a Tia Mafalda [a mãe] ou com o Tio André [o pai]?
A Luísa franze o sobrolho e dá a resposta mais lógica:
- É mais parecido com o [meu irmão] Manel!
Só faltou dizer "daaah" à Avó...


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Feira de Ilusões

Tudo começou com umas caixas de magia compradas em Espanha, há uns 30 anos. O meu irmão João preparava os truques com cuidado e encenava espectáculos de magia lá em casa, em que eu era o ajudante. Com os anos, foi arranjando material cada vez complexo, aprendeu truques com mágicos mais experientes e participou até em congressos mundiais de ilusionismo. Sempre gostou do chamado "close-up", a magia de mesa; nada a ver com serrar mulheres ao meio ou escapar algemado de dentro de aquários, mas mais do que suficiente para nos deixar a pensar "como raio é que ele fez isto?" Em paralelo, desenvolveu também a arte do malabarismo com bolas, massas ou facas. Em suma, temos artista!

Ora bem, o João - aliás, Don Giovanni, de seu nome artístico - vai fazer um espectáculo de ilusionismo  este sábado, às 21h, no Auditório da Igreja de Santa Joana Princesa, junto à Av. EUA (mapa neste link). A sala tem 180 lugares e era muito giro se enchesse! A ajudar à festa, a música está em muito boas mãos, a cargo do meu amigo Nuno Barata, com quem partilhei acordes durante mais de uma década. Os bilhetes custam 4€, com desconto para miúdos, e podem ser reservados (919169510 / estefaniaviagens@gmail.com) ou comprados no local. Quem quer vir?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Gato por lebre

Sou fã de musicais. Quando vivi em Londres, aproveitei para ver uma série deles, sempre com apreciação positiva, mas o cartaz do Cats nunca me chamou a atenção. O tema animal não me fascina - nunca parei a ver documentários de vida selvagem, nem nunca chateei os meus pais para ter um. Digamos que, quando Deus Nosso Senhor passou a distribuir pela humanidade o amor pelos animais, eu devia estar na casa-de-banho ou assim. Isto não me impede de reconhecer n'O Rei Leão, repleto de bicharada, o musical mais giro que já vi - boa história, com movimento e efeitos espectaculares. Mas para gatos já me bastava o tempo em que tive de conviver com um feroz espécime, em casa dos meus sogros, e não era o Andrew Lloyd Webber que me fazia passar um par de horas a ver gatos.

Mas os filhos, sempre os filhos, são justificação para tudo. Algumas vezes para renunciarmos a programas que nos apetecem (eu menos, a Maria mais), outras vezes para saltarmos para programas só para termos umas horitas a dois. O Cats era perto de casa, tinha sessões à tarde (logo, era mais fácil empandeirá-los para alguém) e até podia ser giro. Pelo menos, tinha o "Memory" que tocou vezes sem conta no gira-discos da minha infância, na voz da Barbra Streisand. De resto, só sabíamos que os gatos andavam pelo meio da plateia, e para nos precavermos disso comprámos os bilhetes para os lugares mais distantes (mentira, foi mesmo por sermos uns fonas do pior).

Ao entrar no Campo Pequeno, a meio da tarde, percebemos que um espaço tão grande, cheio de frestas com luz, nunca daria a sensação cosy do escurinho do teatro; mas pronto, com isso já devíamos contar. O que não contávamos era com a quase ausência de história deste musical. Baseado num livro de poemas de T.S. Elliot, vai apresentando, cena a cena, cada gato com sua personalidade, mas o fio condutor não se percebe minimamente. Depois de ver, no intervalo, alguns pais a meter os pés pelas mãos a tentar explicar (inventar) aos filhos a trama da coisa, tive de consultar a Wikipedia para perceber que os gatos estavam reunidos para escolher um dos seus elementos para ir para um lugar melhor - não percebi se era analogia ao Paraíso após a morte, se era a passagem para a vida seguinte (das sete que os gatos têm) ou a emigração para um qualquer Eldorado. Os quadros de cada cena eram monótonos, para ser simpático, e as personagens sinistras - não digo tanto para nós, mas para quem achou que era uma cena gira para levar os miúdos. Salvavam-se os movimentos felinos dos actores (sim senhor, bem apanhado) e duas músicas que ficavam no ouvido - o "Mr. Mistoffelees" e o tal "Memory", repetido à exaustão.

No rescaldo, perguntei à Maria se era eu que estava num "dia não" ou se tinha mesmo sido uma grande seca. A quantidade de pessoas que vi sair antes do fim chegava para a resposta. Para a próxima vamos ao cinema!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Prova superada

Nunca gostei de correr. Tentei fazê-lo nos parques de Londres e desisti à primeira. Tentei a mini-maratona da ponte e jurei para nunca mais (ia morrendo de vertigens). Correr sem ser atrás duma bola não me cativava. Ia seguindo as façanhas do meu amigo Nuno Iron Man, os trails do meu vizinho Zé, os treinos partilhados no Facebook deste e daquele, mas sem qualquer intenção de lhes seguir as pisadas.

Algures em Maio, já não sei por iniciativa de qual de nós, comecei a treinar com o Vasco, a horas obscenas (7 da matina), três vezes por semana, no jardim do Campo Grande. Irmos juntos ajuda a manter o compromisso, caso contrário cada um já teria desistido há muito. Na primeira vez, devemos ter parado, cansados, ao fim de 1 quilómetro. Mas a constância foi dando frutos e a resistência aumentando. Pusemos como objectivo fazer os 10 quilómetros da Corrida do Sporting, que foi hoje.
Não ia muito optimista. Nos treinos, nunca tinha feito mais de 8 quilómetros, com paragens, e o dia amanheceu com muita chuva, que caiu na maior parte da corrida. Mas a motivação num evento destes é muito maior: o tempo oficial a contar, a multidão que é, a possibilidade de correr nas avenidas que cruzo diariamente de mota e o estádio do Sporting como meta!

Teve um sabor especial entrar no estádio com a sensação da missão cumprida (e comprida), depois de 67 minutos a correr sem parar, a uma média de velocidade superior à dos treinos. O Vasco acompanhou-me nos primeiros 6 quilómetros e o Nuno deu-me um empurrão precioso no último; entre os kms 6 e 9, foi bom sentir que sozinho também me aguento sem desistir.
Continuo sem gostar de correr, mas o esforço é para continuar! Pela minha saúde...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Não foi desta

Em Agosto, sem esperar, recebi um telefonema da produção do "Quem Quer Ser Milionário". Tinha sido a Maria a inscrever-me! Desde pequeno que sonhava ir a um concurso, mas teve de ser a Maria a dar o empurrão. Fizeram-me umas 30 perguntas de cultura geral e passei no primeiro teste. Uns dias mais tarde, nova entrevista telefónica, desta vez sobre os meus gostos e percurso profissional. À terceira tentativa de agendamento, a gravação ficou marcada para hoje. 

Pedi ajuda a amigos viajados, organizadores e participantes de quizzes e rápidos "googladores". Revi os nomes e cognomes dos reis de Portugal, a sequência dos presidentes dos EUA e os vencedores do Óscar para o Melhor Filme. E lá fui para a Valentim de Carvalho, acompanhado pela Maria - a culpada! - e pela Tia Mila (para as tias, somos sempre os maiores). Esperámos entre as 11 da manhã e as 3 da tarde, entre maquilhagem, briefing sobre as regras, ensaio no estúdio e almoço.
Selfie tripla durante a espera
Finalmente chamaram-nos para o estúdio. O público era um espectáculo dentro do espectáculo, até velhotas a fazer tricô havia! Mais meia hora de espera até aparecer a Manuela Moura Guedes, magérrima e "boquérrima".  O programa começou com uma concorrente que vinha do programa anterior; já ia na décima pergunta, achámos que só faria mais uma ou duas, mas foi acertando até à penúltima. E quanto mais altos os valores em jogo, maior o engonhanço na conversa. Já lá iam três quartos do programa e nós népias. Mas a rapariga desistiu, ficou com 20 mil euros, e lá chegaram os meus 3 segundos de fama ao ser apresentado para a câmara. Tinha o coração a disparar e a pressão do "dedo rápido".

Foi aqui que o cinema francês se atravessou no meu caminho. No programa que passou ontem, por exemplo, tinham a árdua tarefa de pôr 4 palavras por ordem alfabética, mas hoje saiu-nos a fava! «Ordene, do mais antigo para o mais recente, 4 filmes do cinema francês: O Fabuloso Destino de Amélie / Delicatessen / Hiroshima Meu Amor / La Vie en Rose» E nem foi pela pressa que errei; eu não sabia mesmo onde pôr o "La Vie en Rose", achei que fosse um clássico antiquíssimo e pu-lo como o mais antigo, quando na verdade era um recente biopic sobre Édith Piaf.  Dos seis, só uma concorrente é que acertou (felizmente, a mais simpática); teria sido mais embaraçoso se eu tivesse sido o único a errar.

E assim foram ao ar, em meia dúzia de segundos, dois meses de expectativa - mais do que os milhares do prémio (obviamente não despiciendo), era a curiosidade de testar a minha telegenia (que conversas, que à-vontade ou falta dele). Em puto, depois de querer ser Papa e antes de querer ser jornalista, dizia que queria ser produtor de televisão - menos mal, já cheguei a produtor de rádio!

Lá voltei para casa de mãos a abanar, ainda não foi desta que fiquei milionário! Pode ser que um dia lá volte e tenha melhor sorte...
Hélas!
PS: o programa só há-de passar lá para inícios de Dezembro.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

34 (e meio)

Nas últimas semanas multiplicaram-se no Facebook as fotografias de infância e eu deixo aqui a minha contribuição: cá estou eu, com 3 anos, neste mesmo dia. O bolo ainda não era o famoso "bolo de anjo" (aka bolo amarelo) da minha mãe, mas o amarelo já dominava - sempre fui mais para ovos do que para chocolate. E sempre gostei de fazer anos!
O Manel depois de comer uma banana
Se a Luisinha teve a pontaria de nascer no dia de anos da mãe, já o Manel não foi tão certeiro e nasceu... no meio ano do pai. Ou seja, hoje faz seis meses, meio ano! Semi-parabém também a ele!

Esta manhã tivemos uma visita especial. Enquanto acabava um trabalho no computador, comecei a ver um grande reboliço no jardim do nosso prédio, com fotógrafos e jornalistas em volta de um rapaz. Era o David Carreira! Pela piada, lá convenci (a custo) a Maria a descer ao jardim e pedi ao David para tirarmos uma fotografia, que dedico a todos os que me vão lendo por aqui. Quando penso no caminho sinuoso (mas prazentoso) que é a minha carreira, a única certeza que tenho é que quero continuar a escrever mais e melhor.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Manel foi baptizado!

O nome Manuel estava escolhido desde a primeira gravidez. Só não sabíamos o que lhe pôr mais. A Maria não quis Manuel Maria, eu vetei Manuel Tiago. Várias tentativas depois, a Maria propôs: "e se for Manuel Francisco?" Já tínhamos um sobrinho Francisco, e só por isso não tinha sido escolha para primeiro nome, mas assim era diferente e despachávamos de uma assentada os dois nomes preferidos. Se Manuel tinha qualquer coisa de sucessório (eu sou Tiago Manuel, o meu pai Carlos Manuel), Francisco lembrava-me o actual Papa e o santo de Assis. Assim ficou.


Quando, no próprio dia do nascimento, convidámos (via Skype) para padrinho o irmão da Maria, que vive no Brasil, ficou assente que a data do baptizado dependeria da sua próxima vinda à Europa, em trabalho. Disse-nos depois que viria no primeiro fim-de-semana de Outubro, portanto o baptizado ficava para sábado, dia 4. Fui ver, por curiosidade, qual era o santo desse dia: São Francisco de Assis. Perfeito!


Foi, portanto, sob a égide do seu santo que o Manel recebeu o Baptismo, na novíssima (e belíssima) igreja do Parque das Nações, paróquia da minha irmã, que foi madrinha. O Padre Paulo, amigo da família, recebeu-nos muito bem. O meu sobrinho João (aka Mini-Me) foi acólito e o meu irmão liderou o coro familiar.


Seguiu-se um simpático almoço oferecido pelos meus sogros na sua casa do Cartaxo. A Luísa estava radiante na festa do mano e a mãe do festejado estava uma brasa!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Há dez anos dei o salto

Foi preciso vir cá uma equipa londrina (que orgulho a prestação do Sporting frente ao Chelsea!) para eu fazer contas e lembrar-me que há 10 anos estava a mudar-me para Londres, onde cheguei a 28 de Setembro de 2004.

Londres era para mim uma cidade de sonho. A minha irmã tinha lá ido em 1989 e eu tinha devorado os mapas e folhetos que trouxe. Eu visitei em 2001, em versão turista sôfrego, a querer ticar todos os highlights. Assim, terminado o curso de Direito, sem rumo definido e aconselhado pelo sábio professor António Barreto a procurar uma experiência internacional, a escolha de Londres para estudar foi óbvia. Os mestrados duravam só um ano, o que era mais suave para a carteira e para o meu coração caseiro. Mas levava a ideia estúpida de que ia só para estudar e passear, sem criar amizades porque já tinha muitos amigos, e sem correr o risco de querer prolongar a estadia. Era ir e voltar.
Uma das primeiras fotos em Londres (Notting Hill)
Não conhecia lá muita gente: tinha a Margarida, em casa de quem fiquei as primeiras noites, mas que não estava tão perto; e tinha a Migalha, de quem fiquei mais próximo já em Londres. O coração tinha ficado em Lisboa, não senti grande afinidade com os primeiros colegas de curso e de residência que conheci, e não conseguia participar nas aulas (a maioria dos colegas já vinha com experiência profissional e outra bagagem).

Mas o cenário rapidamente melhorou. Comecei a dar-me com o grupo latino da residência, com quem partilhava refeições e serões - aprendi mais espanhol que inglês! Recebi visitas frequentes, fui a todas as festas que pude, conheci a cidade de lés a lés. Escrevia as minhas Crónicas de Londres. Terminados os estudos, muito mais confiante, procurei trabalho e fiquei. Partilhei casa com amigos, num dos bairros mais animados da cidade, e a nossa casa recebeu muitas visitas e foi palco de grandes festas. Vinha a Portugal com frequência e aproveitava as ligações baratas a outras cidades da Europa. Ganhava bem, gostava do trabalho e tinha mais tempo livre.

A dada altura, senti-me mais sozinho e desenraizado, e marquei mentalmente o regresso para uns meses mais tarde (e não de imediato, para cumprir o conselho inaciano de não decidir na desolação). Isso deu-me novo alento para aproveitar melhor o tempo que tinha: meti-me num coro, tive aulas de escrita e virei-me mais para fora. Foi nesta nova fase que conheci a Maria e começámos a namorar; foi obviamente a melhor coisa que me aconteceu em Londres! Mas ainda assim quis regressar e arriscar uns anos de relação à distância, com visitas frequentes. Graças a Deus, não me arrependo dessa decisão.

Os 3 anos que vivi em Londres deixaram-me doces memórias, mas sem dúvida que cá estou melhor. Com um terço do que lá ganhava, tenho cá mais conforto e liberdade de movimentos. A realização profissional pode (ainda) não ser a mesma e a oferta de emprego é incomparável, mas lá chegarei. Em todos os outros parâmetros de bem-estar, Lisboa é mesmo a minha praia. Mas Londres será sempre uma cidade onde voltamos com gosto, sentindo que é a nossa segunda cidade.
Última foto do Crónicas de Londres, com um Banksy em Camden.

domingo, 28 de setembro de 2014

Passeios pelo Centro

Podemos ter feito bem menos praia que em anos anteriores (é vergonhoso admitir que não pusemos um pé no areal da Costa), mas aqui em casa não nos podemos queixar deste Verão. Para o terminar em beleza, a Maria pôs uns dias de férias para podermos dar uns passeios (e adiar mais um pouco a entrada do Manel no "infectário") e fomos passar uns dias à Zona Centro.

Nota: as referências geográficas variam com a experiência de cada um. Várias vezes ouvi amigos referirem-se ao Norte querendo dizer "qualquer coisa a norte de Lisboa", mas para mim, que tenho o Minho materno a nortear-me, ir a Coimbra ou à Serra da Estrela não é "ir ao Norte", mas sim ao Centro, o que aliás é corroborado pela designação das zonas de turismo, em que o Centro corresponde às Beiras, incluindo os distritos de Leiria, Castelo Branco, Coimbra, Aveiro, Guarda e Viseu.

Feita a pesquisa no Booking, segundo os nossos critérios (quarto até 40€/noite, com boas críticas e pequeno-almoço incluído), dividimos a nossa estadia por 2 noites no Inatel do Luso e 2 noites no Pharmacy Hostel, na Curia. Por coincidência, as estâncias termais dos meus avós: o materno ia para a Curia em meados do século passado, os paternos iam para o Luso algures nos anos 80. Consegui encontrar os hotéis frequentados por um e outros, ambos já ao abandono.
Hotel Serra no Luso
Hotel Boavista na Curia
A ideia era andarmos mais pelo campo e procurar praias fluviais, mas o tempo não ajudou, choveu todos os dias. O máximo que fizemos foi cruzar o Parque do Buçaco e andar de gaivota no parque da Curia, e já não foi nada mau!
Lago com gaivotas no Parque das Termas da Curia
Optámos então pelas cidades de Viseu, Coimbra e Aveiro, onde visitámos amigos. Em Viseu, que eu não conhecia, fomos guiados pelo centro por uma ex-colega da Maria. Em Coimbra, visitámos a Diana e o Pedro, poucos dias depois do nascimento do seu Francisco, e a Luisinha visitou o Portugal dos Pequenitos com o amigo Santiago - ela gostou, mas acho que os pais gostaram ainda mais de reavivar as memórias de infância (está tudo igual, claro). Em Aveiro, um momento muito especial: depois de 22 anos sem nos vermos, estivemos a jantar em casa do meu amigo Bruno, companheiro de brincadeiras diárias entre a pré-primária e o sétimo ano; pusemos a conversa em dia (ou quase, que não dá para cobrir tanto tempo numa só noite), brindámos ao reencontro e a tudo o que conquistámos entretanto, e ficámos de repetir a dose (obrigado, Facebook, por me ajudares a recuperar estes contactos).
Luisinha e Santiago no Portugal dos Pequenitos
Na estadia, destacamos o hostel da Curia, que tinha aberto há poucos meses. Era uma antiga farmácia e estava decorado com originalidade (cada quarto era diferente, o nosso tinha chão "relvado") e espírito vintage, os anfitriões muito simpáticos a dar-nos dicas de passeios ao pequeno-almoço. Gostámos muito!
A mesa do pequeno-almoço no Pharmacy Hostel, Curia
No regresso a casa, sem pressas, viemos da Curia e Lisboa por estradas nacionais (5 horas, em vez de duas) e parámos na Figueira da Foz para um almoço de sardinhas à descrição no Mar à Vista, um verdadeiro achado! Isto é, para quem gosta de sardinhas, porque é prato único ali.
No Mar à Vista, Figueira da Foz
Quando, ao partir de Lisboa, sentámos a Luisinha no carro - depois de Londres, Óbidos e Algarve - , perguntou-nos: «Porque é que vamos outra vez de férias??» Faltava-nos este bocadinho de energia para recarregar neste passeio. O novo ano lectivo vai exigir-nos muita energia, graças a Deus temos muitos (bons) desafios em aberto!

domingo, 7 de setembro de 2014

Com licença

Entrei na minha licença de paternidade. A Maria voltou ao trabalho, após 5 meses de licença, e eu tenho agora 30 dias para ficar a tomar conta do Manel. E é tão bom!

Foi altura de apresentar ao Manel o biberão, até agora estava só a mamar. E ele não se atrapalhou! Na primeira vez, que o vídeo abaixo documenta, demorou uns 20 minutos e deixou um fundinho. No fim-de-semana, a Luisinha estava em casa e quis ser ela a dar-lhe o biberão, o que melhorou a performance para 5 minutos, e não ficou nem uma gota!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Memórias da Luz

Nada de confusões: a Luz que aqui quero lembrar tem areia, e não relva; de encarnado só tem a pele dos ingleses que lá passam férias; não atrai águias, só gaivotas; e, em vez de Maxis, só tem minis e Maddie-as.

A pedido de muitas famílias (mentira, foi só o Vasco CS), aqui vai um cheirinho da nossa semana pelo Algarve:
 No caminho para baixo, fizemos uma paragem no novo refúgio bucólico dos primos Serrano Henriques.
Nos primeiros dias, a Luisinha teve a companhia dos primos da Alemanha, Sofia e Gonçalo, filhos da madrinha Ana. E todos os dias a Lu trocava de sapatos com a prima Fifas.
Depois de meses de insistência, lá teve os seus primeiros Crocs (do chinês), obviamente cor-de-rosa e com apliques de bonecada.
A praia proporcionou-lhe momentos de contemplação e desafio do mar com o seu "Dô"...
...e momentos de vaidade feminina com a sua "Dá"!
O "banho do 29" à meia-noite, este ano com direito a concerto do André Sardet, foi só para os mais corajosos: Rita RP e Carolina, Mendes Godinho geração 3.0, e aqui o je a representar os Albinos. Os Costa Simões tiveram falta.
Além desta, a única excursão nocturna que tivemos foi à belíssima aldeia de Pedralva, para jantar as afamadas pizzas. Com filhos pequenos, anda-se menos no laró.
Como é hábito, o dia de anos das meninas começou com a distribuição de bolas de Berlim na praia...
...e prosseguiu com um almoço improvisado, a minha irmã e família foram festejar connosco!
Na praia, apesar de ir sempre de barrete, o Manel fez sucesso entre as meninas, chegando a causar pequenas brigas para ver quem lhe pegava. Um bom augúrio para o seu futuro.
Os cavalinhos do carrossel junto à praia conduziram as nossas Cinderelas...
...enquanto em casa, recorrendo a um clássico da literatura infantil, se estimulava o labor de Gata Borralheira.
Por fim, tentámos introduzir as papas ao Manel, mas sem grande sucesso.
Esteve-se bem na Luz!

domingo, 31 de agosto de 2014

De volta aos clássicos

Sou um revivalista. Sem que isso me impeça de seguir em frente. Gosto de cumprir tradições, de voltar aos lugares onde já estive, de reencontrar as mesmas pessoas.

Gosto, por exemplo, deste regresso anual à Praia da Luz, uma tradição dos Albinos que se tornou também minha - as conversas no toldo, o banho do 29, até consigo ter pena de já não ter vivido as noitadas na Sociedade ou no Privé. Gosto de relembrar em Alvalade as idas à bola com o Avô e os Tios, numa excitação que começava logo ao acordar. Gosto do sentimento de continuidade do encontro anual de primos em Famalicão, onde estaremos daqui a 2 semanas.

E gosto quando a rotatividade das modas me permite reviver, ainda que superficialmente, idades transactas de memórias intensas, como a adolescência. Primeiro foram os All Star, a seguir os Vans, este ano voltaram os Stan Smith*, os tais do senhor a quem o filho um dia perguntou se eram os ténis que tinham o nome dele ou se ele se chamava assim por causa dos ténis. Foram meus companheiros fiéis nos últimos anos de Educação Física, nas aulas de ténis ou nas primeiras saídas à noite, lá para meados de noventa. Sucederam aos Le Coq Sportif na minha mania de substituir uns ténis estragados por outros exactamente iguais. Os últimos terão caído em desgraça numa fase sensaborona em que os sapatos de vela viraram uniforme para os 12 meses. Mas sejam bem-vindos de volta!

Por falar em clássicos, daqui a umas horas teremos o primeiro da época e seria do caraças festejar uma vitória leonina!

*Obrigado à Maria João e ao Rui pelo transporte que me permitiu economizar um bocado.

sábado, 30 de agosto de 2014

TRÊS

A Luísa estava muito contente porque ia adormecer com 2 anos e acordar com 3! E mais contente vai ficar de manhã, quando vir a trotinete que lhe vamos oferecer.
Deitadas as crianças, fomos fazer uma espécie de #icebucketchallenge nas águas do Atlântico, porque era a noite do banho da meia-noite na Praia da Luz, este ano ao som de André Sardet (uma banhada nunca vem só). A festa seguirá de manhã, de novo na praia, com a habitual distribuição de bolas de Berlim.

A mãe Maria também está de parabéns! Há 3 anos, adormecemos a planear o seu jantar de anos e acordámos com as contracções pré-parto - não só não houve jantar, como perdeu a exclusividade no aniversário!* Ainda tomámos o pequeno-almoço nas calmas, mas depois seguimos para o hospital, onde a Luisinha viria a nascer às 21h10. Querem melhor presente de anos? E assim passámos a ter um duplo festejo neste dia!

* Na verdade, é o dia em que conheço mais gente a fazer anos, além das duas conheço mais 9 aniversariantes.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Na Casa do Vau

No ano passado recriámos a tradição, depois de uma década de pausa. Este ano, com o nascimento do Manel e da Teresinha, passámos a estar em desvantagem: 8 adultos para 9 crianças (e uma barriga avançada). O mesmo é dizer em larga vantagem, que não há melhor proveito do que tamanha prole - sobretudo quando todos adormecem e podemos, por fim, disparatar numa madrugada de snooker regada a Amêndoa Amarga.
Quando procurava casa para esta pequena multidão, algures entre Lisboa e Porto, encontrei uma preciosidade com 7 quartos, espaço a rodos, piscina, churrasco e uma mão cheia de extras simpáticos. O calendário de disponibilidade dizia-me que estava reservada o Verão inteiro, à excepção de 4 dias em Agosto, precisamente o tempo que queríamos passar juntos e na semana em que todos tínhamos férias. À falta de contactos no site, procurei a casa no Google Maps e mandei uma carta aos donos, com a nossa foto do ano passado a apelar ao sentimento, para que abrissem uma excepção à reserva mínima de uma semana. E resultou, foram simpatiquíssimos connosco e pudemos ali passar uns dias de sonho.
Quase nem saímos de casa. Tirando os abastecimentos básicos (quem achou que 3 caixas de minis chegavam?), fomos só uma vez a Óbidos para não parecer mal, estando tão perto. Os miúdos divertiam-se a dar saltos para a piscina e a dar de comer aos peixinhos, nós experimentávamos o ping-pong e o ténis, e à noite havia tempo e calma (porque os miúdos brincavam à nossa vista) para desfrutarmos a mesa - o churrasco do tio Vasco e as pizzas do mestre André fizeram sucesso.
Dá gosto ver (e fomentar) na geração abaixo a cumplicidade que nos une há vinte e tal anos. E, apesar das distâncias que a vida nos impôs (até quando?), estes encontros lembram-nos que, querendo, é fácil estar mais perto do que é importante.
 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

De volta a Londres

Lá voltámos a visitar a cidade onde tudo começou. Foram 9 horas de viagem (porta a porta) à ida e outras tantas à vinda, para só estarmos lá 3 dias inteiros. Em cada dia, passámos mais tempo em transportes do que com os amigos que íamos visitar, sempre mais de 1 hora entre uma paragem e a seguinte, subir e descer as escadas do metro com o carrinho de bebé (ou, em alternativa, percursos intermináveis de autocarro), sempre a chegar a casa depois da meia-noite - uma canseira, portanto. Os bilhetes já não tinham sido baratos, depois tive de pagar outro tanto para alterar o voo de regresso (para não falhar uma oportunidade única que entretanto surgiu), e lá gastámos outro tanto - isto sem pagar alojamento, nem táxis, nem um único souvenir, nem praticamente comer fora. Londres é cara, ponto.
Mas se perguntam que valeu a pena, claro que valeu!
Baptismo de voo do Manel
Em primeiro lugar, o facto de termos ido os quatro e de, simbolicamente, ter sido a primeira viagem ao estrangeiro do Manel (embora ele nunca se vá lembrar). A Luísa já aproveitou melhor os programas, achou o máximo andar em todos os transportes, brincou com miúdos e graúdos. À chegada, quando lhe dissemos "aqui as pessoas falam inglês", ela respondeu-nos: "isto vai ser divertido!" E às vezes tentava fazer sons parecidos, a fingir que falava a língua.
 
Em segundo lugar, Londres é Londres. Por muito que não seja novidade para quem lá morou, por muito que não tenhamos posto o pé em nenhum dos principais pontos turísticos (confesso que foi estranho ir a Londres sem ver Trafalgar Square, Piccadilly Circus ou o mercado de Camden), por muito que o excesso de gente (quase sempre feia e antipática, permitam-me a sinceridade) em todo o lado canse, Londres tem sempre algo de monumental, de cosmopolita e de relaxado que me fascina. Cruzar uma ponte com vista para o Parlamento ou para os mais modernos arranha-céus, ver a cada esquina gente de todas as raças e feitios, e cada um poder andar como lhe apetecer sem que ninguém estranhe, são coisas de que tenho saudades. Disso e da variedade de "produtos étnicos" nos supermercados.
Brinde em casa da Nayan
Depois, o reencontro com a Nayan e o seu mundo familiar. Foi ela que nos convenceu a ir, com o atractivo extra de estarmos também com o seu queridíssimo pai. No seu novo apartamento, um 12º andar com vista magnífica sobre toda a cidade, tivemos um serão espectacular e pusemos a conversa em dia. A dado momento, estávamos a comer iguarias indianas, ao som de António Zambujo e Ana Moura, a Luisinha a saltar de colo em colo - foi perfeito.
 
Foi também ocasião para outros bons reencontros. Com o Rui e a Maria João, com quem estamos mais vezes, foi especial partilhar os seus preparativos para o grande momento que aí vem. Com a minha antiga chefe Sue e com as antigas colegas da Maria no King's College Hospital. E com o meu amigo Braulio, com cuja filha Emilia a Luisinha se fartou de brincar. Infelizmente não deu para estarmos com metade das pessoas que gostaríamos, mas já sabíamos que ia ser apertado para mais.
Brunch de domingo em Chiswick
Last but not least, os nossos anfitriões, Teté e João, trataram-nos muito bem! Depois de termos estado juntos um mês antes, no seu casamento, fomos das primeiras visitas na sua simpática casa nova e foi bom ver como estão felizes e, no meio da correria que foram estes dias, podermos sentir-nos em casa em sua casa. Muito obrigado aos dois!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um jantar supimpa!

Para uma grande comemoração, um grande restaurante! O consenso foi, uma vez mais, imediato quando escolhemos onde ir nos anos de casados: o Sushic! Se fosse simplesmente por ser o restaurante do meu querido amigo Hugo, que há 5 anos se lançou na aventura de abrir um japonês de qualidade na Margem Sul, já seria motivo de sobra. Mas novamente comprovámos que não é por acaso que o Sushic foi considerado o segundo melhor japonês fora do Japão, com base nas avaliações do TripAdvisor. Como dizia a Maria, parafraseando um amigo, «parece que há uma festa na minha boca e todos estão convidados».
Desta vez, o Hugo não estava, tinha ido inaugurar um novo espaço em Sesimbra, e não vi logo o seu pai. Fomos preguiçosos na escolha e pedimos primeiro o que já conhecíamos: umas gyozas para entrada, um combinado de fusão e uma sangria, já que estávamos a comemorar as bodas de fruta. E estávamos perfeitamente satisfeitos com o que tínhamos na mesa, muitos furos acima de qualquer outro japonês.
Quando ia pedir mais, vi o pai do Hugo e fui cumprimentá-lo. A partir daqui, assumiu a escolha do que vinha para a nossa mesa: primeiro um tataki de espadarte, depois um sushi verde com um molho adocicado (não vi o nome) e, por fim, estes maravilhosos canelones de atum.
Rematámos com bolo de chocolate e pudim de gemas de Alcobaça (é fácil adivinhar quem comeu o quê), e brindámos com um moscatel, cortesia do nosso anfitrião Eduardo. É que além de comermos esplendidamente, somos sempre muito bem recebidos!

Esta fase com filhos pequenos não favorece os jantares a dois, mas vamos tentar que não passe um ano sem voltarmos ao Sushic. É que vale mesmo a pena!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Bodas de fruta

E mais um ano passou desde o melhor dia para casar! Daqui vai o nosso bem-haja ao grande Quim Barreiros, cuja música imortalizou a data e serve de lembrete a muitos dos que nos parabenizam neste dia. 

Foi há 4 anos! Fazíamos nesse dia 3 anos, 3 meses e 3 dias de namoro, descobri-o já a caminho da igreja (ainda a tempo de inspirar a homilia), e o 3 é o número que nos aponta à perfeição. E foi no dia de Santo Inácio de Loyola, um santo muito presente no nosso caminho e nas nossas amizades, que quisemos passar a amar e servir a dois. 

A presença de tantos amigos, muitos vindos de longe, a emocionada entrada na igreja, a saída de lambreta, a entrega dos nossos Óscares como agradecimento a alguns convidados, as surpresas do "Jai Ho" dançado em flash-mob e do vídeo que nos dedicaram, o baile animado pela noite dentro, são memórias que sempre nos hão-de acompanhar e que estão bem resumidas neste vídeo:
Actualizando a contabilidade do ano passado, das 200 pessoas que connosco partilharam aquele dia, nasceram entretanto 46 crianças e estão 7 para nascer, um registo fantástico! Não posso deixar de lembrar também a Mariela, que veio do Chile de propósito para o casamento (Óscar para a amiga que veio de mais longe) e que esteve em casa dos meus pais nas minhas últimas 48 horas de solteiro; foi a última vez que nos vimos. Para a mesma doença, a de sempre, perdemos este ano a Mariela e a Prof. Maria José Boavida, professora da Maria no curso de Biologia.

Dizem que os 4 anos de casamento são as bodas de fruta, flores ou cera. Inspirado na fruta, acordei a Maria com este pequeno-almoço, servido numa nova bandeja "frutada":

As nossas maiores flores são a Luisinha e o Manel, claro está! E a nossa melhor fotografia com eles vai passa hoje a estar na nossa sala, nesta tela:

Agora a cera... hum... bem, desejo que a nossa relação continue a ser construída com o cuidado laborioso das abelhas, para que na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, possamos sempre amar-nos, respeitar-nos e ser fiéis um ao outro, todos os dias da nossa vida; que mantenhamos a chama acesa, como uma vela que nunca apaga; e quanto à parte do futuro que não dominamos, nem devemos querer dominar... que cera, cera!