sexta-feira, 5 de junho de 2015

Nós também somos Nepal!

A 25 de Abril, o Nepal sofreu um enorme terramoto, cuja devastação todos vimos na televisão. Chamou-me a atenção, pela dimensão da tragédia, com 8 mil mortos, e porque ainda tinha fresca na memória a viagem recente de duas amigas, que voltaram conquistadas pela simpatia daquele povo.

No próprio dia, levado pelos "likes" e partilhas de amigos meus no Facebook, cheguei ao primeiro post feito pelo Pedro Queirós após o terramoto. Não só o Pedro era "amigo de amigos" (esta categoria de relação própria das redes sociais), como a cara do amigo que com ele partilhou o susto, Lourenço Macedo Santos, me era familiar lá da Costa - na adolescência demos mergulhos e bebemos copos nos mesmos sítios. Além destas afinidades, a curiosidade de ter notícias do terreno em primeira mão fez-me continuar a seguir os relatos que o Pedro ia pondo na sua página.

Mas rapidamente a minha curiosidade se transformou em admiração. Primeiro, o Pedro e o Lourenço resolveram pegar no seu dinheiro e comprar alimentos para distribuir pelos desalojados num parque. Motivados pelo impacto dessa acção e pelos donativos que começaram a receber de Portugal, abdicaram do vôo que tinham marcado e decidiram ficar. Tinha nascido a campanha Obrigado Portugal, nós também somos Nepal.

Com a ajuda de aliados locais, começaram a levar grandes quantidades de comida a aldeias remotas onde foram a primeira ajuda a chegar. Horas de viagem, sentados em sacos de arroz em carrinhas de caixa aberta. Depois, construíram em Katmandu um campo para pessoas que tinham sido deslocadas de uma aldeia distante - o Campo Esperança, que se está a tornar num case study. Na última semana, começaram a construção de casas numa aldeia, com a ajuda de arquitectos conhecedores de técnicas resistentes a sismos - já vários voluntários se juntaram entretanto ao projecto. Todas estas conquistas foram relatadas diariamente, com o detalhe das despesas e muito humor. Dá para nos sentirmos lá também. Até porque a bandeira portuguesa está sempre presente, de mãos dadas com a nepalesa.

Quando soube que vinham a Portugal matar saudades e, sobretudo, divulgar a causa, tratei logo de os convidar para uma entrevista no Lusofonias. Como já tinham acertado uma entrevista com o Ricardo Conceição, da Renascença (passou ontem em directo) e a "casa" era a mesma, unimos esforços e vamos retransmitir essa conversa na Rádio Sim.
No estúdio da Rádio Sim (102.2 FM). A entrevista passa no dia 20, às 14h.
Pessoalmente, foi um privilégio poder passar a tarde de ontem com eles, acabadinhos de aterrar em Lisboa, e ouvir de viva voz os pormenores das histórias que há mês e meio sigo pelo Facebook. O entusiasmo e a entrega do Pedro e do Lourenço são inspiradores. O período sabático que tinham destinado a viajar deu lugar a este trabalho inesperado, que lhes tem preenchido e ensinado muito. Pelo menos até ao Natal, e enquanto tiverem fundos para investir nestes projectos, vão continuar no Nepal. E os resultados são brutais: cerca de 50 mil pessoas com ajuda imediata (alimentos e tendas, sobretudo), um campo que alberga 327 pessoas (com tenda médica e tudo) e duas casas quase construídas na vila de Chapagaun (com direito a reportagem na tv nepalesa).

O Lourenço e o Pedro a verem a reportagem da tv nepalesa sobre as casas que estão a construir.
Quem quiser juntar-se à causa, pode seguir a página da campanha no Facebook, fazer um donativo para o NIB abaixo ou promover uma angariação na sua família ou no trabalho, ou meter-se no avião para lhes ir dar uma mãozinha (mas só a partir de Julho!).

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Diá-Lu-gos #7

Depois de um dia de mau comportamento e desrespeito à autoridade, na escola e na natação (anda fresca...), aproveitámos o jantar para dar uma ensaboadela à Luísa sobre como é importante fazer o que os pais e professores dizem, para ser uma boa menina e não correr riscos desnecessários.
No fim da conversa, chegaram as perguntas:
Lu: - Quem é que manda na escola?
Mãe: - São as professoras.
Lu: - E quem é que manda em casa?
Mãe: - São os pais.
A Luísa pensa dois segundos, e pergunta:
- ...e quando as professoras vêm visitar?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Manel faz ano!

Faz hoje um ano que a Maria resolveu brincar à "parturiente em fuga" e me deixou em casa a dormir, até ser acordado por um telefonema das Urgências a dizer que era melhor ir depressa porque o Manel estava quase a nascer. Como cheguei a tempo e correu tudo bem, consegui perdoar-lhe no próprio dia e ficámos com uma história cómica para contar.


Ao segundo filho, se por um lado há mais trabalho (porque é preciso cuidar de dois), por outro há mais experiência e menos preocupação. O Manel foi para o infantário mais pequeno, aos seis meses, e por isso estranhou menos; salta com um sorriso para o colo das educadoras, embora num dia ou outro ponha pose de Senhor Sério (que também tem o seu charme). Tirando a farfalheira constante e uma pele muito sensível, não nos tem dado preocupações de maior, graças a Deus. Já foi a Londres e já cruzou Portugal do Minho ao Algarve.


Na hora da refeição, é um regalo vê-lo abrir a boca para comer tudo o que lhe pusermos à frente. Ou talvez seja um pouco aflitivo ver a sofreguidão com que devora tudo, como se não comesse há meses, o desespero quando paramos de lhe dar por uns segundos e o desconsolo quando vê que já não há mais - ora toma lá mais um bocadinho de pão para te calares... 
Já tem seis dentes, já come fruta aos gomos e continua a mamar um par de vezes ao dia.

Na sua pose preferida
Gatinha depressa, levanta-se e anda agarrado a tudo - aos móveis, ao andarilho, às nossas pernas - , arrasta cadeiras se for preciso, mas ainda não arrisca ficar de pé "sem mãos" nem um segundo. Diverte-se a atirar coisas para o chão: canetas, livros, o que houver. Gosta de tocar xilofone e tambor, e até já fez uma incursão nas guitarradas familiares.


Diz olá, mamã, papá, mana e banana, mas só quando lhe apetece. Gosta de acordar a mana de manhã com umas suaves pancadonas, e ainda mais de lhe puxar os cabelos; em troca, ela pega-lhe ao colo e larga-o no chão como se fosse um boneco, o que vale é que ele ainda é meio de borracha. E um borracho!
Parabéns, Manel!

domingo, 5 de abril de 2015

Esta é a noite

"Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé", escreveu São Paulo. Por muitos ensinamentos que retiremos dos três anos de pregação pública de Jesus e por maior que tenha sido a Sua entrega na cruz (levando na d'Ele as nossas), a ressurreição é o busílis do nosso credo. Acreditar nos que dela fizeram eco levou muitos dos primeiros cristãos ao martírio, como ainda hoje no Médio Oriente. Acreditar nela é o que faz de mim cristão. Para quem nela acredita, esta é a noite maior do ano.

Claro que simpatizo com a ideia de festejar os grandes momentos da fé com overdoses de açúcar - para mim, está perfeitamente alinhado e alimenta a devoção. Mas, além da excitação da caça aos ovos de chocolate, consegui fomentar na Luísa a expectativa de irmos à "missa do glória a Deus", leia-se a vigília pascal do CUPAV, aonde já a tinha levado no ano passado. O "glória a Deus" é o cântico batucado que acompanha o acender das luzes (o início da missa é às escuras) que assinala a passagem do Antigo para o Novo Testamento, e é a música beata preferida da Luísa. Este ano já lhe expliquei o que era a ressurreição de Jesus, com a mesma naturalidade que não lhe escondo o que é a morte.

A vigília pascal é tradicionalmente quando se faz o baptismo de adultos, e ontem o meu amigo Pe. José Pinheiro acompanhou uma paroquiana que foi baptizada pelo Papa Francisco, o que é também digno de nota! Uma Santa Páscoa a todos!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ainda me parece mentira

Desde miúdo que gosto do Herman. Via os programas todos e repetia-lhe os chavões. Enchi cassetes e cassetes VHS com os seus melhores momentos. Na fase mais doente, guardava numa caixa todas as suas entrevistas, cheguei a ir pôr uma carta à casa de Azeitão e deixei-lhe dezenas de mensagens no gravador de chamadas - até ao dia em que ele atendeu e me convidou para ir assistir a uma gravação d'A Roda da Sorte, o que acabámos por nunca operacionalizar.

Desde adolescente que digo que gostava de ser jornalista (antes disso quis ser Papa e produtor de televisão). Fintei o caminho mais directo e estudei Direito e Política Social. Nos últimos anos, voltei a aproximar-me: há cinco anos que escrevo um programa radiofónico de entrevistas e no fim de 2014 fiz um mini-curso de introdução ao jornalismo. Foi aí que começou uma conversa com o João Miguel Tavares, depois reatada no infantário, em que ele me desafiou a escrever umas coisas para a nova secção de Lifestyle do Observador, dentro dos subtemas Nostalgia e Família. O João foi o Júlio Isidro da minha carreira no jornalismo!

A série espanhola "Verão Azul" foi o mote para o meu artigo de estreia, cuja recepção emotiva no Facebook rendeu 4 mil partilhas e 14 mil leitores. Seguiu-se outro artigo sobre terrores nocturnos e dois sobre o Festival da Canção, que me deram gozo a escrever mas tiveram resultados muito abaixo do primeiro. Lembrei-me então que o Herman estava a fazer anos, que teria graça fazer um apanhado dos melhores momentos da sua carreira e que, com sorte, talvez ele até lesse - mas claro que isto era só um wishful thinking.

Há duas semanas, lá saiu o artigo. Uma hora depois, o próprio Herman partilhava o link da "fantástica súmula" na sua página do Facebook:
Para além do que significava para um grande fã como eu, esta partilha teve um notável efeito multiplicador que ninguém preveria: o artigo chegou às 30 mil partilhas, 112 mil leitores e 208 mil visualizações - qualquer coisa como 6 vezes o total de visualizações que este blogue teve em 7 anos!
Durante 3 dias, esteve no top dos artigos mais populares do Observador.
Claro que fiquei muito contente com este pico de audiências, mas mais ainda por ter sido responsável por uma enorme vaga de "boa onda" - mesmo quem já não gasta do Herman, gostou de lembrar os seus melhores momentos. E ao Herman, com todas as suas virtudes e defeitos, devemos uma revolução na maneira de fazer humor no nosso país. Talvez um dia ainda o consiga entrevistar! 

Por agora, e assim que despachar uma tradução, tenho mais uma mão cheia de artigos para escrever e também aceito sugestões de coisas da nossa infância que gostassem de ver recordadas.

sábado, 21 de março de 2015

Los Amados rock!

O João foi meu colega na FEC. Casou com a Rosa um ano antes de nós casarmos, e já nos estão a dar uma cabazada de 4-2 em filhos: o Manel tem 4 anos, o Zé Maria tem 2, a Tânia é uma «filha que nasceu do coração» e tem 19 anos, e o Xavier está para nascer por estes dias. Há cerca de um ano criaram o blogue Los Amados, onde contam o dia-a-dia da sua família.
www.amadosrock.blogspot.pt
Na segunda gravidez, souberam que o filho tinha um cromossoma a mais. O nosso ADN é formado por 23 pares de cromossomas, e o do Zé Maria tinha 3 cromossomas no par 21. Eu soube disso por um amigo comum: «mas eles vão ter na mesma, acho que é por serem católicos» (assim tipo "coitados, não tiveram outra saída"). O raciocínio tinha a sua lógica, embora em Portugal, onde 81% nos dissemos católicos nos últimos censos, se estime que 95% dos diagnósticos de trissomia 21 terminem em aborto.

Como a Rosa hoje conta no blogue, foi a partilha de outra mãe que a tranquilizou, poucos dias antes de ter a confirmação do diagnóstico: ia estar tudo bem. O blogue deles nasceu dessa vontade de partilhar com outras famílias que cada filho tem os seus desafios, que nem tudo é fácil todos os dias, mas que, no essencial, está tudo bem. E o Zé Maria, que é um amor, já deu a cara na campanha do ano passado da associação Pais21.

Hoje é o Dia Mundial da Trissomia 21. Convidei a Rosa e o João para darem o seu testemunho no programa Lusofonias, que passa às 14 horas na Rádio Sim (102.2 FM em Lisboa, 100.8 FM no Porto). Também os podem conhecer melhor nesta reportagem do programa "Consigo" da RTP. Eles não querem ser modelo de nada, insistem que são mais normais que a maioria das famílias, mas para mim estes amigos são um exemplo e um orgulho.
 

quinta-feira, 19 de março de 2015

O melhor Pai do mundo

Acordou e foi disparada a correr para a cozinha, onde ontem deixara o embrulho do presente que me tinha feito no infantário. Nem falou à Mãe, que ali tomava o pequeno-almoço, de tal maneira estava concentrada na sua missão. Eu, que não acordo com nada, acordei com o barulho dos seus passinhos apressados e percebi logo o que aí vinha, mas fingi que dormia quando a Luísa chegou: «Pai, acorda! É Dia do Pai!»

Quando os fui levar ao infantário, a educadora do Manel entregou-me o "presente dele", um sinal de trânsito com a sua mão, que vinha num envelope com um poema.


Hoje fomos todos o melhor Pai do mundo e é óptimo que haja um dia para o sermos. Sem dúvida que seremos a geração de pais mais afectuosos e interventivos que já houve até hoje. Mas ainda assim assusta-me a quantidade de amigos que foi parar à cadeira do psicólogo, e outros tantos que deveriam ter ido, por causa da relação (ou falta de) com o pai - muito raramente são as mães. Assusta-me, não por achar que vou (necessariamente) provocar o mesmo efeito nos meus filhos. Nem quero cobrar à geração dos nossos pais as falhas que possam ter tido, porque terão sido muito melhores connosco do que os seus pais foram consigo. Só me assusta esta responsabilidade enorme que recai sobre nós em relação a estas criaturinhas admiráveis que nos estão confiadas, e o impacto do nosso comportamento de hoje pela vida deles fora. E lembro-me disto cada vez que perco a paciência, que lhes grito, que me esquivo a ir brincar ou contar a história, que me desleixo na hora de os ir buscar ao infantário... Eu até sou um gajo optimista e pouco permeável a sentimentos de culpa, mas com as mães a entrega aos filhos é tão mais natural e constante - porque se colocam na combustão dos filhos, diz Helberto Hélder - e connosco tudo tem de ser mais pensado e esforçado!...

Como gosto de repetir, vai tudo correr bem! Sendo certo que algumas coisas vão correr mal, como este artigo da Visão hoje bem ironizava. Mas caramba, se há alguma coisa em que eu quero ter sucesso na vida é nisto de ser para eles o melhor Pai do mundo!

domingo, 15 de março de 2015

Muda de vida

Deixei de trabalhar no MSV. Foram 4 anos intensos e cheios de alegrias, que me deixam um rasto de gratidão: ao Pedro, por me ter dado a oportunidade; à Madalena, pela confiança e ousadia; ao Guilherme, pela boa camaradagem; à Dulce, pela cumplicidade e todos os favores; às equipas do Sentidos e da Casa das Cores, pelo profissionalismo e boa disposição; e a todos os que colaboraram nas várias campanhas e responderam aos pedidos indecentes que fiz amiúde. Nunca terei outro emprego onde esteja tão "em casa" como aqui.

Embora gostasse da parte de comunicação, em que aprendi muito, a angariação de fundos não era de facto a minha praia - é preciso ter perfil de vendedor e lata para pedir, que não são o meu forte. Além disso, estava oficialmente a meio tempo, mas com a absorvência deste trabalho (e o meu perfil pouco germânico) fui perdendo a capacidade de encaixar o tempo para ir buscar a outra metade do ordenado a outras actividades, e a satisfação de trabalhar numa causa social ainda não paga as contas. A aproximação da campanha mais exigente do ano, que implica o contacto com mais de 200 empresas e escolas, a gestão de uma equipa de 10 pessoas e muito exercício de tapar buracos, fez soar o alarme de que era altura de procurar outro rumo. Deixei a campanha montada e pronta a servir e deixei de ter um "emprego fixo".

Com filhos pequenos para sustentar (como na "linda falua"), este passo de trocar o certo pelo incerto não podia ser dado às cegas. Há vários anos que sou tradutor e o volume de trabalho tem aumentado, e tenho também o programa de rádio semanal que produzo. Outro empurrão que tive na decisão foi a porta que se abriu para cumprir o sonho de ser jornalista: há um mês que publico artigos no Observador, nas secções de Nostalgia e Família, e precisava de tempo para apostar nisso.

Se vou virar definitivamente para o jornalismo ou se vou voltar à área social, o futuro próximo o dirá. Estou na última fase do recrutamento para um organismo público onde gostava muito de trabalhar; vou dar o meu melhor, mas não depende só de mim. O mundo do jornalismo está mais em fase de despedimentos do que de recrutamentos, mas vou jogar os meus trunfos. "Age como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus", ensina o Santo Inácio.

Por agora, aproveito ao máximo a liberdade de gerir os meus horários e o luxo de trabalhar em casa. O risco maior é gostar tanto disto que já não queira outra coisa!

sábado, 14 de março de 2015

Hoje dormi assim

Hoje dormi no Hospital de Santa Maria ligado a muitos fiozinhos. Já desde Londres que andava para fazer uma polissonografia para despistar (ou confirmar) a hipótese de ter apneia obstrutiva do sono, doença que afecta 1 milhão de portugueses. Com tanta pontaria, acabei por dormir ligado à máquina no Dia Mundial do Sono (13 de Março).

Com o aumento de peso que tive aos vinte e poucos, surgiu o ressonar forte - felizmente a Maria tem sono pesado, mas é grande a lista dos que se recusam a partilhar quarto comigo. Além disso, e apesar dos meus horários destrambelhados para dormir não ajudarem, mesmo numa noite bem dormida é frequente ter sono durante o dia e consigo passar do estado acordado ao adormecido num segundo. Já adormeci em pé, a andar, a tocar viola; quando andava de autocarro, inúmeras vezes acordei no ombro da pessoa do lado, pedia desculpa e no segundo a seguir estava lá caído novamente; no cinema é tiro e queda, fico irritado com o desperdício de dinheiro mas no fim tenho sempre de pedir que me contem a história; e até já fui criticado no trabalho por adormecer em reuniões. Mas fui adiando a ida ao médico, até a Maria tomar a iniciativa.

O teste confirmou que faço apneia durante o sono, embora não pareça (ainda) grave. Com os restantes exames às vias respiratórias, o médico logo me dirá o que posso fazer. Provavelmente uma operaçãozita, creio que não será caso para dormir com uma máscara ligada a uma máquina, como nas apneias mais graves. Por agora, é mais um incentivo para a sempre adiada dieta!

PS: Serve esta crónica para acordar da hibernação que o blogue teve no último mês e meio. Tenho muito para contar!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Também não foi à segunda

Lembram-se de aqui ter contado a minha ida ao Quem Quer Ser Milionário? Ontem à noite passou finalmente o programa e tive direito aos meus 5 segundos de (má) fama:
À saída dessa gravação, pedi que me voltassem a chamar caso houvesse a oportunidade; eles tinham dito que o faziam, sempre que possível, às pessoas que não chegavam a "ir à cadeira".

E assim foi! Na sexta passada, a meio da manhã, ligaram-me. Faltava uma pessoa para a gravação dessa tarde. Apesar de ter mil coisas para despachar, não ia desperdiçar esta oportunidade! Pedi à minha Mãe para me acompanhar, a Maria estava a trabalhar mas iria lá ter depois. Cortei o cabelo que andava meio estúpido, escolhi a roupinha e ala para a Valentim de Carvalho!
Ó p'ra elas sentadinhas no público!
Foi muito melhor ser recrutado em cima da hora, porque desta vez não estive durante semanas na expectativa, a imaginar o que faria com 100 mil euros. E a verdade é que voltei a sair de lá de mãos a abanar, traído pela nervoseira do "dedo rápido". 

Numa primeira vez, consegui ordenar correctamente 4 acontecimentos da História de Portugal (Lei das Sesmarias < Passagem do Bojador < Tratado de Methuen < Ultimato inglês), mas houve alguém mais rápido do que eu. Esse senhor perdeu logo à sétima pergunta e houve novo "dedo rápido": ordenar 4 peixes pelo tamanho (sardinha < dourada < bacalhau < atum). Aqui tive a azelhice de trocar o atum pelo bacalhau, mas, mesmo que tivesse acertado, dificilmente teria batido os 2 segundos e picos da rapariga que passou (uma autêntica personagem!).
Minutos antes de apanhar mais dois baldes de água fria
É muito pedagógico aprender a lidar com os fracassos, e mais vale ser nestas coisas que contam muito pouco na vida... Mas como não há duas sem três, pode ser que ainda lá volte!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014

Mais um ano que acaba, mais um balanço. 2014 foi o ano em que passámos a ser 4 cá em casa.

Como é óbvio, o nascimento do Manel marcou o nosso ano! Aquela manhã de 8 de Abril, em que a Maria "fugiu" de casa sem me avisar e fui acordado por um telefonema das Urgências a dizer para ir depressa - felizmente consegui chegar a tempo! Levou algum tempo a adaptarmo-nos ao ritmo de sermos dois-para-dois; tive de passar a ajudar mais e a cortar algumas actividades, faz parte. Nove meses depois, o Manel come com sofreguidão, gatinha, tem 4 dentes e espalha charme no infantário. A Luísa reagiu bem à chegada do mano e está cada vez mais tagarela, espertalhona e mimalha.
Continuo a trabalhar a meio tempo na comunicação e angariação de fundos do MSV. Entre as conquistas deste ano, lançámos um vinho que foi um sucesso, apresentámos um teatro no Tivoli (onde também entrei) para 400 pessoas, vendemos 5.000 t-shirts, os Lobos vestiram a camisola da Casa das Cores num jogo internacional de râguebi e tivemos a visita e apoio do Ruben Amorim do Benfica. Traduzi 4 livros para a Bertrand, um deles já publicado e três por publicar. Mas o que me realiza mais continua a ser a produção do Lusofonias, o programa da FEC na Rádio Sim, onde este ano entrevistámos mais 52 pessoas, como o Diogo Infante, o João Miguel Tavares e a Lura, entre vários amigos. No final do ano, fiz um curso de jornalismo na Palavras Ditas, com o Nuno Azinheira, que me pode abrir portas para novos voos. Espero que 2015 traga boas novidades a este nível...
Comecei o ano com um fim-de-semana alargado em Praga, com a Maria, uma lua-de-mel antes de voltarmos às fraldas e noites mal dormidas. Em Junho, estivemos uns dias em Vila Nova de Milfontes (obrigado, Belinha!) e outros no Algarve, com o Vasco e família. Agosto foi um mês em grande: fomos a Londres rever amigos, passámos uns dias em Óbidos com mais 3 casais amigos (e 9 crianças no total) e estivemos na Praia da Luz. Fomos ainda ao Porto quatro vezes, a Coimbra duas, a Aveiro, Curia e Luso, e tivemos o encontro anual dos Mesquitas em Famalicão. Fui ainda a duas despedidas de solteiro, uma na Ericeira e outra em Salamanca.
Contrariando as estatísticas oficiais, o ano foi pródigo em nascimentos à nossa volta: além do nosso Manel, nasceram o Luís (Francisca e Thiago), o Francisco (Nuno e Andreina), a Maria Ana (Ana e Paulo), o Daniel (Paulo e Marlene), a Maria Inês (João e Luísa), a Teresa (Pedro e Isabel), o Francisco (Diana e Pedro), o Tomás (Inês e Nuno), o Xavier (Mafalda e André), a Luísa (Mariana e Duarte), a Matilde (Mar e Nuno), a Maria (Juan e Elsa) e a Gabi (Rui e Maria João). No extremo oposto (ou não) da vida, chorámos a morte do Tio Amadeu e da mãe duma "cunhada". O avô da Maria, pouco depois de fazer 90 anos, teve uma fractura grande na perna e a minha mãe partiu um braço, mas, graças a Deus, ambos recuperaram muito bem.
Cenas várias... Fui a 5 casamentos (cantei no coro em 3 deles), 4 baptizados, 2 primeiras comunhões e 32 aniversários. Recebemos em nossa casa o Roberto e amigos ingleses e alemães. Fiz a colecção de cromos do Mundial, foram 2 meses de uma febre infantil. Vibrei com a final da Liga dos Campeões em Lisboa, mesmo sem ir ao estádio. Fomos ao Jardim Zoológico. Fomos ao teatro duas vezes, mas nenhuma ao cinema (!). Comecei a correr regularmente e consegui fazer os 10kms da Corrida Sporting. Fui a todos os jogos do Sporting em casa, para o Campeonato e Liga dos Campeões. Fui a dois Adegga Wine Markets. Jantámos no Sushic nos nossos anos de casados. Fomos ver meia dúzia de T3 e ficámos sem grande vontade de mudar. Tirei uma fotografia com o David Carreira nos meus anos. Continuei a participar nos quizes do meu amigo Carlos e fui ao Quem Quer Ser Milionário, mas perdi logo no "dedo rápido" (passa na RTP1 a 28 de Janeiro). E continuo a visitar quinzenalmente o Lar de Nossa Senhora da Vitória, na Graça. Não escrevi neste blogue tanto como gostaria, mas escrevi mais do que nos anos anteriores (e menos do que no próximo, espero).

Que o ano de 2015 venha cheio de oportunidades para sermos melhores e darmos mais de nós!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Outros Natais

A caminho de mais um Natal, entre o pico de trabalho no MSV (porque no Natal as pessoas estão mais dispostas a "consumir solidariedade", e ainda bem!) e a azáfama de comprar 78 presentes, dei por mim a revisitar dois Natais vividos bem longe desta realidade.

Em 2007, fiz uma viagem de 2 meses pela América do Sul, a assinalar o final duma estadia de 3 anos em Londres, e a semana do Natal apanhou-me no Chile. A ceia da consoada foi um churrasco e passei o dia 25 na praia de Viña del Mar, a comer óptimo marisco. Mas ainda mais exótico foi andar, uns dias antes, na zona de Chiloé, mil quilómetros a sul de Santiago, a distribuir presentes às crianças de umas ilhotas isoladas, com o alcaide. Os miúdos, pouco habituados a visitas, tinham uma alegria que transbordava, faziam a festa com presentes muito simples e falavam-me do Cristiano Ronaldo e do Figo (relato completo aqui). Quem me lançou o desafio e me acompanhou nessa experiência foi a Mariela, a minha amiga que morreu no ano passado.
Montagem da Mariela sobre a visita a Chiloé (20 Dezembro 2007)
Um ano depois, a Maria e eu fomos convidados para o casamento da nossa amiga Nayan, em Bombaim. A cidade tinha sofrido um violento atentado uns dias antes, e na Portela perguntaram-me se queria mesmo ir para lá. Como se alguma vez eu fosse perder a oportunidade de viver aquele momento... Encontrámo-nos lá com a Mariela, o Eduardo e a Anne. A recepção da família da Nayan foi muito calorosa, envolveram-nos em todas as dinâmicas dos cinco dias de festa, mesmo as que, por costume, são reservadas à família. Na foto abaixo, as meninas sentadas ao lado da noiva são suas primas e tinham perdido o pai no atentado ao Hotel Taj Mahal - o que dava ainda mais sentido à minha resposta à senhora do aeroporto: claro que eu tinha de ir para lá!
No regresso, devia chegar a Lisboa a tempo da consoada, mas um atraso no primeiro voo fez-me passar a véspera de Natal a deambular por uma Frankfurt vazia, à espera do voo da noite. No dia 25, já pude estar com a família e distribuir os presentes comprados no mercado de Anjuna, em Goa, e na visita que fiz ao Barefoot College.

E tal como amanhã evocaremos, à mesa, os meus avós, com quem passei tantos e tão bons Natais, também aqui recordo a Mariela, com quem passei os dois Natais mais originais da minha vida.

domingo, 21 de dezembro de 2014

No rescaldo do Tivoli

Há uma semana, participei na peça infantil da Casa das Cores. Durante dois meses andei absorvido entre ensaios, cenários e divulgação. Chegados ao glamour do Tivoli, estava um pouco assustado, porque muitos de nós éramos verdinhos nas artes do palco e podíamos bloquear na boca de cena. Felizmente correu tudo bem: o texto e as canções fluíram, as ilustrações da Vera - projectadas em directo como pano de fundo - funcionaram muito bem, e quem esteve gostou. Passado uma semana, a Luisinha continua a cantarolar o que por lá se ouviu.

Sempre soube que a representação não era um dos meus talentos, mas quando assistia a musicais - o meu género preferido - pensava como devia ser divertido estar do outro lado. E foi! Cantei em grupo na primeira cena, a encarnar um turista (podem ver neste link), e fiz de dançarino canastrão noutras duas músicas. E diverti-me muito! O ambiente que se criou entre a equipa foi excelente e deixa saudades. Também foi divertido conhecer os bastidores do Tivoli e os seus camarins. E comovedor sentir que, entre as 400 pessoas que se deram ao trabalho de ali estar num domingo de manhã, tive lá toda a família e os amigos mais próximos - obrigado!

Na véspera do teatro, fui com a Luisinha à Casa das Cores buscar uns adereços para usarmos na peça. Enquanto eu carregava o carro, ela entrou para a sala e foi ter com um grupo de meninas que brincava alegremente com bonecas. Reparei que lhe perguntaram logo o nome e partilharam as bonecas sem problemas. Passados 5 minutos, quando a apressei para voltarmos para casa, onde nos esperava um almoço com amigos, a Luísa fez birra porque não queria parar de brincar com as meninas. Ok, é verdade que ela faz muitas birras e que todas as crianças gostam de brincar. Mas não deixa de ser um óptimo sinal ela sentir-se bem entre as crianças da Casa das Cores e não querer sair daquele ambiente, onde as brincadeiras normais da idade convivem com um contexto de histórias de vida difíceis. É um orgulho trabalhar para que estas crianças possam ter o melhor presente e futuro possível!

domingo, 30 de novembro de 2014

Todos ao Tivoli!

No próximo dia 14 de Dezembro, às 11 da manhã (horário familiar), convido-vos a ver uma peça muito especial! A peça chama-se "Juca - O Amigo Guardião da Casa das Cores".

É especial porque é sobre a Casa das Cores. 

É especial porque é para crianças, mas os crescidos também vão gostar. 

É especial porque foi escrita e musicada pelo Pedro Branco (filho do José Mário Branco), que tem sido cinco estrelas connosco. E pessoalmente alegra-me a abrangência de sairmos da nossa "capelinha".

É especial porque o cenário vai ser composto "em directo" com as ilustrações da Vera Guedes. 

É especial porque tem a participação pro bono de figuras conhecidas como o Carlos Alberto Moniz, a Susana Arrais, o Lourenço Mimoso ou o Miguel Partidário. 

É especial porque o elenco se completa com a "prata da casa", incluindo várias amigas e este que aqui escreve. Nunca tive na minha "bucket list" entrar num teatro, mas vai dar-me muito gozo e gostava de ter lá muitos amigos a assistir a esse momento de improvável repetição!

É especial porque vai ser no mítico Tivoli - onde aos 6 anos vi o meu primeiro filme, a "Branca de Neve". O reverso da medalha é termos de vender 1088 bilhetes, precisamos de muita ajuda para isto!

É especial porque, mesmo antes de chegar ao palco do Tivoli, já leva a dedicação generosa e gratuita de várias pessoas - dos actores, dos técnicos, de quem nos tem arranjado materiais, de quem nos ajuda na divulgação...

É especial, sobretudo, porque o fim último do espectáculo, para além de divertir os espectadores, é apoiar a Casa das Cores. Um projecto em que os nossos profissionais dão o seu melhor por cada criança que, por circunstâncias menos felizes da vida, por lá passa. E é um orgulho ouvir a boa impressão de quem se cruza com o trabalho desta Casa.

Os bilhetes custam entre 8€ e 15€, e estão à venda no site da Ticketline e nos seus parceiros - Fnac, Worten, El Corte Inglés, CCB, Campo Pequeno, ABEP, Agências Abreu.

Já só faltam 2 semanas e precisamos mesmo de encher o Tivoli! Conto convosco!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Um dia faço um curso de jornalismo...

...esse dia chegou! Mas, como é meu hábito, deixem-me recuar um pouco no tempo.

Em Setembro reencontrei um amigo de infância, de quem não sabia desde os 12 anos. Uma das primeiras coisas que ele me perguntou foi: "Deixa-me adivinhar: és jornalista?" E pensei: "caramba, aos 12 anos já sonhava ser jornalista". Nesse tempo, partilhava o sonho com a minha amiga Joana, que seguiu essa via e é hoje jornalista na Lusa. Quem me fez os psicotécnicos sugeriu que eu tirasse uma licenciatura "mais abrangente", como Direito, e depois logo tratava de ser jornalista. E eu fui na cantiga.

Não me arrependo. Foram 5 anos bem passados e gostei de metade das cadeiras que fiz em Direito. A digestão do voluntariado e as dicas do António Barreto levaram-me a estudar Política Social em Londres, onde escrevi o meu primeiro blogue e fiz um curso de escrita jornalística. Regressado a Portugal, trabalhei em 3 ONG - a Tese, a FEC e o MSV, onde estou. Em várias entrevistas de emprego, ao descrever o meu percurso, fiquei sem reposta para a pergunta: "e o jornalismo, onde ficou?"

Devo à Susana, minha directora na FEC, a oportunidade de entrar no mundo da comunicação. Desde 2010, preparo o programa de rádio Lusofonias. Os conteúdos são responsabilidade da FEC e os meios são da Rádio Sim, onde o programa passa. Escrevo as entrevistas e assisto à gravação, e nestes 5 anos conheci muita gente interessante. 

Esta terça gravámos na rádio uma entrevista com o Nuno Azinheira, jornalista no DN, apresentador na RTP Informação e fundador do centro de formação Palavras Ditas, cujo site já me tinha despertado a curiosidade. No fim da entrevista, pensei: "não me posso esquecer de adicioná-lo no LinkedIn, agora que está fresquinho", como faço habitualmente aos convidados que mais me interessam. Esqueci-me. Nessa noite, recebo do Nuno um convite para o adicionar no LinkedIn (terá visto que lhe cusquei o perfil). Foi o primeiro sinal.

Na quarta, vejo no Facebook do Nuno e da escola que ainda havia vagas para um curso de introdução ao jornalismo, que era dado por ele e que ia ter como convidados o José Alberto Carvalho e o João Miguel Tavares. Lembra-vos alguma coisa? Era o sinal número dois.

Conversei com a Maria, para saber o que achava da ideia e porque a decisão de fazer o curso implicava 8 ausências na hora de ponta familiar. Sem hesitar, disse-me para avançar, e assim fiz. 
Já tive 2 sessões, ontem e hoje, 3 horas cada. O formador percebe disto a rodos e torna as aulas interessantes, a turma é muito simpática, e vejo-me a participar como nunca na vida. O que só confirma que é mesmo por aqui que quero ir. Não sei no que isto vai dar, vamos com calma... Mas lá que estou empolgado, estou!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Já tenho dentes!

E logo dois de uma vez, como a fotografia comprova!

Depois de um começo atribulado, em que as papas acabavam em todo o lado menos no estômago, os dentes e o infantário devem ter aberto o apetite ao Manel, que está agora numa fase sôfrega: não pode ver um biberão ou um prato de papa ou sopa, que começa logo a fazer sons de ansiedade. Ora vejam lá como ele abre bem a boca:

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Solo para platicar

Há coisa de um ano, contei-vos a nossa maluquice de fazer 380kms (para cada lado) só para ir jantar a Espanha com o Roberto, o nosso amigo guatemalteco. Para uma amizade vivida à distância de 8.000 quilómetros, não podíamos perder essa oportunidade, estando tão "perto".

Passado um ano, outro projecto trouxe-o de novo a Espanha, mas desta vez foi mais fácil: o Roberto adiou o regresso a casa para nos fazer uma visita de 2 dias em Lisboa. E só foi fácil porque ele quis aguentar as saudades da família, pagar o bilhete de avião e dar a volta ao patrão que o queria lá mais cedo - estamos a falar do Amorim lá do sítio, o empresário mais rico da Guatemala. Sublinho isto só para valorizar as decisões que nos aproximam de facto de quem gostamos; é fácil queixarmo-nos da falta de tempo ou assumir que é complicado, e ir adiando encontros que sabem pela vida.
Brunch de boas-vindas; ao fundo,
o pano da Guatemala que alegra a nossa sala
Outra coisa boa nesta visita foi podermos ter o Roberto perfeitamente "encaixado" na nossa vida familiar normal durante 48 horas. Ok, demos um passeio pela Baixa e fui mostrar-lhe o Mercado da Ribeira, mas foi tudo o que fizemos de turismo - ele já cá tinha estado duas vezes, em versão turista incansável, por isso não havia essa pressão. Quando perguntei o que lhe apetecia fazer nestes dias, respondeu-me «solo vine a platicar con vos» (vim só para conversar contigo), e assim foi! Esteve no almoço domingueiro nos meus sogros, foi ver o Sporting a Alvalade, foi levar e buscar os miúdos ao infantário, foi aos anos de uma amiga, foi conhecer o meu escritório e comemos uma bela posta mirandesa num dos meus restaurantes favoritos. E fartámo-nos de conversar, claro está!
Conhecemo-nos há 10 anos, vivemos juntos só no primeiro ano e desde então temos conseguido encontrar-nos praticamente todos os anos (só falhámos dois), o que é notável para os 8.000 quilómetros que referi ao início. Como dizem os ingleses, where there's a will, there's a way!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Memórias de Alvalade e um par de botas

O meu sportinguismo vem da família paterna. O meu avô fez-me sócio em miúdo e levava-me com frequência ao estádio. Tinha lugar cativo na central, com o filho e a filha, os meus tios. Já o meu pai, leão avesso a multidões, preferia f
sofrer em casa.

O meu tio Mário era caçador e levava o filho à caça e ao futebol. Lembro-me que muitas vezes calçavam umas botas alentejanas, pai e filho a fazer pendant, e eu, que sempre fui como a Maria Nabiça ("tudo o que vê, cobiça"), cobiçava-lhes não só as botas, mas - entendo-o hoje - sobretudo a cumplicidade. Não que o meu pai alguma vez me tenha faltado em amor e ajuda, nada disso, mas era mais de estar fechado nas suas "cavernas", e não tanto do estilo compincha que eu via no meu tio e nos pais dos meus amigos (quase todos 10-15 anos mais novos que o meu).

[Parêntesis "isto anda tudo ligado": Por essa altura, na chunguíssima escola da Trafaria, cruzava-me no recreio com o meu colega de catequese Fred com um amigo, e de reparar neste: "tem umas botas iguais à do meu primo". Um par de anos depois, tornámo-nos melhores amigos, e somos há 20 anos companheiros de sofrimento em Alvalade.]

A vida deu muitas voltas. O meu tio morreu novo, e acabaram-se as idas ao Sporting em família. O meu avô ainda viu o Sporting ser campeão, em 2000 (na noite dos festejos, a minha primeira paragem foi em sua casa); quando morreu, no ano seguinte, herdei-lhe uma gravata e um alfinete do Sporting, que nunca usei mas guardo religiosamente. Boa parte dos pais compinchas dos meus amigos desertaram para mulheres mais novas e as relações com os filhos esfriaram. O meu pai, a completar agora três quartos de século, continua igual ao que era: não ficou mais compincha, mas em várias ocasiões mostrou estar atento e deu conselhos certeiros; compreendo-o hoje mais do que antes, e espero ainda ir a tempo de uma aproximação que também o faça compreender-me melhor.

Já crescido, lá comprei umas botas alentejanas na Feira da Golegã, embora raramente as use. Digamos que enfiar no cano a barriga da perna não é fácil (as botas encolheram, só pode!). Mas em dias de jogo, como hoje, num estádio que já é outro, lá as junto à farda verde e cachecol, e assim avivo um pouco as memórias das tardes felizes do clã Tavares na central do velhinho Estádio José de Alvalade.

sábado, 1 de novembro de 2014

Santos da casa

Esta foi a primeira fotografia que me tiraram. Tinha 24 dias de vida quando fui baptizado, faz hoje 34 anos, e na altura ainda não havia a febre das fotografias logo na maternidade, ou os meus pais não a tinham (ou terei sido adoptado?). Fotógrafo-maníaco que me tornei ("se não foi fotografado é porque não aconteceu"), não deixo de achar uma graça simbólica a isto, como se só tivesse começado a viver realmente neste nascimento para os sacramentos, no dia em que se comemoram os santos anónimos.
Entre os lá de casa, pais e irmãos-padrinhos, mantemos o hábito de dar os parabéns pelo aniversário de baptismo, e durante muitos anos tinha até direito a bolo - somos católicos nerds, com muito gosto!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Diá-Lu-gos #6

Há dias fomos conhecer o filho recém-nascido dum casal amigo. No telefonema dessa noite, a minha Mãe fez à Luisinha a pergunta típica:
- O bebé Xavier é mais parecido com a Tia Mafalda [a mãe] ou com o Tio André [o pai]?
A Luísa franze o sobrolho e dá a resposta mais lógica:
- É mais parecido com o [meu irmão] Manel!
Só faltou dizer "daaah" à Avó...