terça-feira, 7 de julho de 2015

Há 10 anos, em Londres

Há dez anos, eu vivia em Londres, numa residência em Bloomsbury, e o meu quarto tinha vista para a Tavistock Square. Em Maio e Junho, quando estudava para os exames do Mestrado, saía sempre de Passfield Hall entre as 9h30 e as 10h, e caminhava até à biblioteca da LSE. Logo à saída da residência, atravessava todos os dias a passadeira que podem ver abaixo, junto à qual uma bomba foi detonada num autocarro, às 9h47 do dia 7 de Julho.
O atentado de Tavistock Square matou 13 pessoas que iam neste autocarro
Mas, poucos dias antes, terminados os exames, tinha mudado dessa residência para outra, muito perto, onde passaria os meses de Verão. A Commonwealth Hall ficava a 400 metros da estação de metro de Russell Square, onde outra explosão matou 26 pessoas.

Eu estava de férias em Portugal. Vim descomprimir após os exames, acompanhar o nascimento do meu sobrinho João e mostrar a minha terra a cinco amigos estrangeiros. Estávamos repimpados na praia quando comecei a receber mensagens de amigos a saber se estava bem. Melhor não podia estar! Rapidamente verificámos que os amigos que tinham ficado em Londres também estavam bem (os que estavam na residência ouviram a explosão do metro) e passámos o resto do dia de olhos postos na televisão, chocados e incrédulos.

O meu cunhado Fernando, que eu ainda não conhecia na altura, saiu do metro cinco minutos antes da explosão na estação de Aldgate, junto ao seu emprego. Aí morreram sete pessoas, na de Edgware Road mais seis.

Poucos dias depois, voltei a Londres e fui metendo o meu nariz de aspirante a jornalista nas zonas afectadas, por onde passava todos os dias (lembras-te, Raposo?). Multiplicaram-se as manifestações de solidariedade. Houve mais ameaças de bomba, desmanteladas a tempo. Mas o que mais me impressionou foi o business as usual da resiliência britânica - com o slogan We Are Not Afraid, os londrinos não cederam ao medo e continuaram a usar os transportes públicos. E eu fiz o mesmo. Essa é a melhor reacção que se pode ter ao terrorismo. Londres é e será sempre uma grande cidade!
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