quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ainda me parece mentira

Desde miúdo que gosto do Herman. Via os programas todos e repetia-lhe os chavões. Enchi cassetes e cassetes VHS com os seus melhores momentos. Na fase mais doente, guardava numa caixa todas as suas entrevistas, cheguei a ir pôr uma carta à casa de Azeitão e deixei-lhe dezenas de mensagens no gravador de chamadas - até ao dia em que ele atendeu e me convidou para ir assistir a uma gravação d'A Roda da Sorte, o que acabámos por nunca operacionalizar.

Desde adolescente que digo que gostava de ser jornalista (antes disso quis ser Papa e produtor de televisão). Fintei o caminho mais directo e estudei Direito e Política Social. Nos últimos anos, voltei a aproximar-me: há cinco anos que escrevo um programa radiofónico de entrevistas e no fim de 2014 fiz um mini-curso de introdução ao jornalismo. Foi aí que começou uma conversa com o João Miguel Tavares, depois reatada no infantário, em que ele me desafiou a escrever umas coisas para a nova secção de Lifestyle do Observador, dentro dos subtemas Nostalgia e Família. O João foi o Júlio Isidro da minha carreira no jornalismo!

A série espanhola "Verão Azul" foi o mote para o meu artigo de estreia, cuja recepção emotiva no Facebook rendeu 4 mil partilhas e 14 mil leitores. Seguiu-se outro artigo sobre terrores nocturnos e dois sobre o Festival da Canção, que me deram gozo a escrever mas tiveram resultados muito abaixo do primeiro. Lembrei-me então que o Herman estava a fazer anos, que teria graça fazer um apanhado dos melhores momentos da sua carreira e que, com sorte, talvez ele até lesse - mas claro que isto era só um wishful thinking.

Há duas semanas, lá saiu o artigo. Uma hora depois, o próprio Herman partilhava o link da "fantástica súmula" na sua página do Facebook:
Para além do que significava para um grande fã como eu, esta partilha teve um notável efeito multiplicador que ninguém preveria: o artigo chegou às 30 mil partilhas, 112 mil leitores e 208 mil visualizações - qualquer coisa como 6 vezes o total de visualizações que este blogue teve em 7 anos!
Durante 3 dias, esteve no top dos artigos mais populares do Observador.
Claro que fiquei muito contente com este pico de audiências, mas mais ainda por ter sido responsável por uma enorme vaga de "boa onda" - mesmo quem já não gasta do Herman, gostou de lembrar os seus melhores momentos. E ao Herman, com todas as suas virtudes e defeitos, devemos uma revolução na maneira de fazer humor no nosso país. Talvez um dia ainda o consiga entrevistar! 

Por agora, e assim que despachar uma tradução, tenho mais uma mão cheia de artigos para escrever e também aceito sugestões de coisas da nossa infância que gostassem de ver recordadas.
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