quinta-feira, 25 de julho de 2013

Santiago

Lembro-me de os meus irmãos terem participado nas Jornadas Mundiais da Juventude em Santiago de Compostela, em 1989. Lembro-me de os ir levar e buscar ao comboio, justamente ao comboio, e de ficar impressionado ao ver na televisão o botafumeiro

Só conheci Santiago em Fevereiro de 1999, numa curta visita com os meus Pais. Gostei tanto que voltei lá nesse Verão com 3 bons amigos. Muitas memórias ficaram dessa semana mágica, em Ano Xacobeo: as longas caminhadas do parque de campismo até ao centro, os fogos de artifício projectados na fachada da Catedral, a visita dos Reis e do Aznar, o ritmo da fanfarra pelas ruas do casco histórico, o museu do Siza, as empanadas e os calimochos, e o mendigo louco vestido de São Tiago de um lado para o outro... No final da noite deste mesmo dia 25, estávamos os 4 praticamente sozinhos na praça da catedral, quando um senhor de barba branca e condecoração ao pescoço se aproximou e ali ficou por uns minutos em silêncio, junto a uma concha de vieira esculpida no chão da praça; no jornal do dia seguinte vimos que era o Paulo Coelho, autor que eu na altura "papava" e que naquela noite tinha recebido a Medalha de Ouro da Galiza pela divulgação do Caminho de Santiago nos seus livros.
Voltei a Santiago nos dois anos seguintes, sempre para a festa do Dia do Santo - 25 de Julho - e mais uma vez em 2005, no Dia de Reis. Entretanto, os meus amigos Joana e Alex tornaram-se peregrinos e entusiastas do Caminho de Santiago, e através deles vivi a emoção deste Caminho que um dia também quero percorrer; é também neles que penso quando penso em Santiago, tanto mais que se casaram neste dia, há 4 anos.
Uma tragédia é sempre uma tragédia, mas ao ser surpreendido ontem pelas imagens do acidente num local tão familiar foi inevitável recuar a estas memórias. Que o Apóstolo acolha no Céu as vítimas dos que morreram e console os que ficaram. E a nós, que nos faça baixar a velocidade e evitar os perigos sempre que estamos em risco de "descarrilar"...
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