sábado, 12 de outubro de 2013

A dois graus da Malala

Conhecem a teoria dos seis graus de separação, segundo a qual entre cada um de nós e qualquer outra pessoa do planeta há, no máximo, 6 pessoas pelo meio? Ou seja, eu conheço A que conhece B que conhece C que conhece D que conhece E que conhece F, mesmo que esse F more numa ilha recôndita do Pacífico.
As redes sociais dão-nos uma amostra visual disto mesmo. Por exemplo, o LinkedIn diz-me que estou a 3 graus de separação de 7 milhões de outros utilizadores, logo o crescimento exponencial até ao sexto grau há-de abranger todos os utilizadores da rede.

Cá em Portugal, talvez por vivermos um país pequeno, achamo-nos sempre não a seis, mas a dois graus de qualquer pessoa. Quando conhecemos um estranho, procuramos logo um ponto de encontro - escola, local de origem, empregos passados - com alguém das nossas relações: "ah, então deves conhecer o..." E a verdade é que quase sempre conseguimos mesmo fazer essa ligação! Se o mundo é pequeno, Portugal é uma ervilha.
Quando vivi em Londres, apercebi-me que essa abordagem inicial é muito nossa e que, quando a aplicamos a estrangeiros, roça os limites do razoável. No cúmulo da inocência, uma amiga que me foi lá visitar perguntou à minha flatmate indiana se porventura conhecia (da Índia!) outro amigo nosso de Lisboa, que nasceu e viveu em Goa. Eu ri-me, mas noutras vezes não terei andado longe disto na procura de um suposto amigo comum que me aproximasse dum interlocutor.

Ao nível das figuras públicas, ainda é maior a diferença entre um país grande e o nosso cantinho à beira-mar plantado. Em 3 anos de Londres, nunca vislumbrei ninguém da realeza, do espectáculo ou do desporto, e era óbvio que esses mundos não tinham qualquer cruzamento com as "pessoas comuns" com quem eu convivia na universidade ou no trabalho. Cá é o contrário: artistas, políticos e desportistas cruzam-se connosco com toda a naturalidade no Chiado ou nas Amoreiras, e a probabilidade de conhecermos um primo ou amigo de qualquer famoso é muito maior. E, para não dar o exemplo mais nebuloso do "arranja-me um emprego", posso dizer que na angariação de fundos para causas sociais quase sempre a abordagem começa por aí: ver quem conhecemos na empresa X para conseguirmos uma reunião com o decisor Y, embora cada vez menos (e ainda bem) isso, por si só, seja garantia de uma resposta positiva.

Isto tudo para dizer que, no mesmo dia em que eu a tinha visto nesta inspiradora entrevista no programa do Jon Stewart e em que ela era tida como forte candidata ao Nobel da Paz, algures em Washington, o meu cunhado entrava no mesmo elevador que a Malala. Ela que está empenhada em ser O grau de separação entre as raparigas paquistanesas que querem ter acesso à educação e os mais poderosos do mundo...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Diga 33

Eis-me chegado aos 33! Gosto muito de fazer anos e de fazer festa, por isso tirei o dia de folga, não para ir para a praia (esteve tempo para isso!) mas para ajudar na cozinha e nas arrumações - entre as duas famílias, tivemos cá 28 pessoas a jantar.
Ao segundo dia de regresso ao "infectário" depois da última quarentena, a Luisinha veio para casa com febre e dor de garganta, e festejou os anos do pai murchinha e de pijama, ela que estava toda excitada com a ideia da festa e que me tinha perguntado umas 20 vezes pelo bolo.

A marcar o dia, houve duas surpresas que me deixaram com  um enorme sorriso.
A primeira foi logo às 8 e meia da manhã, quando preparava a Luisinha para sairmos. Toca o telemóvel e dizem-me: «É o Tiago? Fala da Rádio Sim, só um momento que vai já entrar no ar!» E passados uns segundos estava à conversa live on air com o meu amigo José Manuel Monteiro, que além das manhãs da Sim apresenta o programa que eu preparo. Quantos anos fazia, como ia ser o dia e tal e tal... Muito bom!

Quanto à segunda surpresa, lembram-se de eu aqui vos ter falado do João Miguel Tavares? Há dias tinha oferecido o livro dele ao meu amigo Vasco e comentei que gostava mesmo do que ele escrevia, que já o tinha visto algumas vezes no infantário da Luisinha mas que nunca tinha tido lata para lhe falar. E precisamente hoje o Vasco e a Joana, também eles com um filho no mesmo infantário, cruzam-se lá com o JMT e pedem-lhe um autógrafo para mim. Além do autógrafo em si, que já tem muita piada, valeu ainda como empurrão: «agora tens mesmo de lhe ir falar!»  
Sem dúvida que os homens (também) precisam de mimo, e nada como um aniversário para um gajo ser muito bem mimado!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um ar mais crescido

Amanhã completo a muito simbólica idade de 33 anos. A idade de Cristo. Um terço de século.
Apesar das responsabilidades de pai de família, continuo a sentir-me nalgumas coisas um puto de 20. E não é só a frescura de espírito, são também coisas exteriores. Não me refiro, obviamente, aos 20 quilos que me distanciam dos meus 20 anos; nesse aspecto, devia ter mais cuidado para recuperar uma volumetria mais jovem. Estava, sim, a pensar na diferença de indumentária em relação à maioria dos pais com que me cruzo de manhã no infantário. Tenho a sorte de poder ir vestido para o trabalho como bem me apetece, o que, num tipo calorento como eu, significa andar metade do ano de calções e Paez. E isto, meus amigos, acreditem que me tira anos de cima!
Talvez por não ter essa obrigação nos dias comuns, dá-me gozo vestir um fato numa ocasião formal, e mais gozo ainda aquele lusco-fusco do casual-chic. No primeiro caso, a pinta de um gajo joga-se na gravata; no segundo caso, nos sapatos. E foi por aqui que investi no meu auto-presente de aniversário deste ano, que já recebi via Amazon. Já tive vários blogues, mas faltavam-me uns brogues. A Maria suspira cada vez que vê mais um par de sapatos a entrar em casa, mas foi mais forte do que eu...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Uma Horta para Ser Feliz

O último livro que traduzi chama-se Uma Horta para Ser Feliz e ensina como se pode criar uma horta, urbana ou rural, qualquer que seja o espaço disponível. O grande objectivo do autor, Marc Estévez Casabosch, é levar as pessoas a voltarem a sintonizar com os ritmos da natureza. Ele, que se mudou com a família para o campo, onde produz tudo o que come, garante que é um caminho que o aproximou da felicidade.
O meu décimo livro traduzido foi o primeiro a ter direito a um evento de lançamento em Portugal. As traduções anteriores eram de autores americanos, ou do falecido Osho, pelo que era mais improvável trazerem-nos cá. Desta vez, a proximidade geográfica do autor (catalão) e a aposta da Arte Plural na sua promoção tornaram possível o evento.
Encurtámos um pouco as férias e lá fomos na quinta-feira passada (um livro sobre hortas só poderia ser lançado numa quinta!) à Cozinha Popular da Mouraria, um lugar muito cool, misto de integração social com hippie-chic, que nasceu da renovação daquele bairro. Tivemos direito a beberete orgânico, com um óptimo pão de azeite e refrescos à maneira! 
É inevitável sentir-me um pouco dentro da cabeça do autor enquanto traduzo um livro, por isso foi muito engraçado falar com o Marc. E também gostei de estar com a Joana, a editora que me vai distribuindo trabalho, com quem troco e-mails há 5 anos e só agora conheci ao vivo. Fiquei sobretudo contente pelo bom feedback do meu trabalho, porque traduzir é uma actividade que me dá muito gozo!

domingo, 29 de setembro de 2013

As minhas autárquicas

Com cerca de 12.200 listas a disputarem as 3 cruzinhas que cada um de nós hoje vai fazer (Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia), num país pequeno como o nosso, é fácil conhecer vários candidatos.
Em Lisboa, António Costa tem sido sempre correcto e disponível em relação à Casa das Cores, e a vereadora Helena Roseta (agora cabeça-de-lista à Assembleia Municipal) tem apoiado o trabalho do projecto Sentidos, que trabalha com as pessoas sem abrigo, pelo que o meu balanço (parcial) é positivo; não fosse a (estúpida, mas real) leitura nacional dos resultados, e não estaria ainda indeciso quando ao meu voto. Fernando Seara é sogro de uma amiga minha, mas não lhe vislumbro qualidades políticas nem obra feita para merecer o meu voto. João Ferreira estudou na turma de um grupo de amigas biólogas, um ano acima da Maria, e foi namorado de uma delas.
Nas juntas de freguesia, o candidato a Belém pelo PSD (e actual presidente) é pai da minha amiga Rita. Em Arroios, um vizinho e colega de futeboladas é o número 11 da lista PSD/CDS. Em São Vicente, conheço o número 4 pelo PSD/CDS. Na nova freguesia da Baixa (Santa Maria Maior), um velho conhecido das campanhas pró-vida é candidato pela Plataforma pela Cidadania.
Em Coimbra, estou a torcer para que o pai da minha amiga Ana se mantenha à frente da Câmara; é talvez a disputa que sigo mais ansioso, pela importância da cidade, pela confiança no candidato e pelas sondagens que dão um empate PSD-PS. Já na freguesia de Cernache, o coração divide-se, porque os pais de dois amigos concorrem em diferentes listas para a Junta: um é numero 2 pela CDU, outro é número 11 pelo PSD.
Em Mafra, gostava que a Alice Vieira, que conheço há pouco mas de quem gosto muito, ficasse à frente da Assembleia Municipal, a que concorre pelo PS.
Na minha família, tenho 2 primas direitas a participar nestas eleições: a Gabi encabeça a lista da CDU para a Assembleia Municipal do Peso da Régua e a Becas faz parte da lista PSD para a Assembleia Municipal de Torres Vedras. Espero que ambas sejam eleitas!
Pela negativa, espero ter o prazer de ver o Menezes perder a Câmara do Porto para o Rui Moreira. Uma vez, a caminho da Colômbia, tinha umas horas de escala em Newark e, como não dava para ir ao centro da cidade, aproveitei para visitar um outlet perto do aeroporto; nesse lugar improvável, fui encontrar o Rui Moreira com o Rui Oliveira e Costa (então colegas no Trio d'Ataque) e mulher, a entrarem carregados de compras para uma limusina; tirando este episódio à "pato bravo", até tenho boa impressão do homem, mas é sobretudo a má impressão do populista Menezes que me faz preferir este desfecho. Tal como gostava que o Basílio Horta levasse um bom chuto em Sintra.
Tudo motivos para seguir os resultados, como sempre, vidrado aos ecrãs da televisão e do computador, logo à noite!

sábado, 28 de setembro de 2013

Vá para fora cá dentro - Parte IV, Beirã-Marvão

No último dia do passeio, ficámos a dormir num lugar muito especial. Quando procurava alojamento no Booking, nos distritos de Castelo Branco e Portalegre, houve um hotel que me chamou a atenção e, apesar de já conhecermos a zona, achei que não podíamos deixar de ir até lá. A estação ferroviária de Beirã, que servia Marvão e fazia a ligação a Espanha, foi desactivada em 2012 e um dos edifícios transformou-se na Train Spot Guesthouse.
À chegada, fomos calorosamente recebidos pelo Eduardo, um dos responsáveis, que mudou de vida e trocou Lisboa pela calma do campo. Por opção, não há televisão, apenas uma agradável música de fundo, bem portuguesa, a criar ambiente para a conversa na sala que era o restaurante da estação. A Luisinha entreteve-se com jogos e brinquedos, balançou na rede e fomos dar um passeio junto à linha férrea, hoje já sem movimento.
A cozinha também tem um óptimo aspecto e pode-se comprar comida e bebida, incluindo especialidades da região. O pequeno-almoço também é bastante simpático. Apetecia ficar mais tempo, mas tínhamos compromissos à nossa espera em Lisboa...
Aproveitámos para visitar Castelo de Vide e Marvão, duas vilas históricas lindíssimas, refrescámo-nos nas piscinas de Portagem e não resistimos a passar a fronteira para ir comer umas tapas a Valencia de Alcantara. No regresso a Lisboa, parámos para almoçar em Estremoz, na Gadanha Mercearia. 
E assim terminou o nosso périplo pelos caminhos de Portugal, com 750 quilómetros percorridos, a uma média tranquila de 5,4 litros aos cem.

Vá para fora cá dentro - Parte III, Castelo Branco

Como o tempo a piorar, fizemos um intervalo nas praias fluviais e fomos até à cidade de Castelo Branco, que nenhum de nós conhecia. Desta vez ficámos na Pousada da Juventude para poupar uns cobres.
Se a primeira impressão da cidade não foi a melhor, com aparentemente pouco para ver e um par de diálogos mais rudes com os locais, tudo mudou quando nos encontrámos com o nosso amigo Manuel C. A., avô dos nossos sobrinhos e ilustre albicastrense. Levou-nos a jantar a um simpático buffet, foi o nosso guia num tour noturno pela zona mais antiga e explicou-nos as alterações feitas pelo Programa Pólis (gostámos do novo Centro de Arte Contemporânea). Nada como ter um bom cicerone!
Visitámos também o Museu Cargaleiro, com telas, azulejos e cerâmica do autor, que é natural de Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco) mas viveu toda a vida numa quinta na Caparica, bem perto de mim. E não me importava nada de poder levar um dos seus quadros para casa!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Vá para fora cá dentro - Parte II, Proença-a-Nova

Convencidos pela boa publicidade às suas praias fluviais, fomos até Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco. Óptima estrada até lá, saímos da A23 para o IP8 e foi um tirinho. Ficámos no Hotel Amoras, um investimento feito há uma década pela câmara local, com a ajuda dos fundos comunitários, que já esteve nas mãos do Grupo Pestana e acabou por voltar para a Câmara. A viabilidade económica naquela zona deve ser um problema, como pudemos comprovar pelo facto de estarmos praticamente sozinhos no hotel, e com uma enorme piscina só para nós! 
Apesar de as nuvens dominarem o céu, o termómetro continuava acima dos 30ºC e o sol, quando espreitava, era forte. Escolhemos a praia fluvial de Fróia, classificada este ano pela Quercus como "Praia de Ouro", e, já sem surpresa, constatámos que a praia estava também por nossa conta. Quer dizer, além de nós havia à beira da água uma família de sapos, ao melhor estilo "We All Stand Together", e vê-los saltar foi um divertimento para a Luísa.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vá para fora cá dentro - Parte I, Belver

Na nossa última semana de férias deste ano, decidimos ir conhecer algumas praias fluviais do interior, nos distritos de Castelo Branco e Portalegre.
Depois de hora e meia de autoestrada, nas calmas, saímos da A23 em Abrantes para começar simbolicamente o percurso mais bucólico na terra onde o meu Avô se fixou e onde o meu Pai e tios cresceram: o Rossio ao Sul do Tejo. Mais meia hora de caminho e chegámos à praia do Alamal, o nosso primeiro destino. Com o castelo de Belver e a linha de comboio a espreitarem do outro lado do Tejo, numa vista magnífica, ficámos no mais puro sossego - naquele local só havia mesmo a praia e o hotel do Inatel.
A água estava bem fresquinha, mas num dia com 36ºC soube muito bem! E se na tarde de domingo ainda partilhámos a areia com meia dúzia de pessoas, na manhã de segunda esteve mesmo por nossa conta! Aproveitámos também para um passeio de canoa, foram 4kms a dar à pagaia que fizeram as vezes do treino no ginásio; a Luisinha gostou tanto que adormeceu a meio...
O único senão do local foi não haver muitas opções de sítios para comer, tanto em Belver como em Gavião, as duas terras mais próximas. Mas os olhos também comem, e esta vista encheu-nos as medidas!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Uma família às direitas, e às esquerdas também!

No sábado passado, lá fomos nós rumo a Famalicão, para o encontro anual dos Mesquitas. Para quem só agora sintonizou este programa: o meu avô materno, ele próprio um de dezassete irmãos, teve dezassete filhos, que deram origem a uma família de 250 pessoas (só Tiagos somos 5 e Isabéis 17!), e todos os anos nos juntamos na cidade de origem para um dia de convívio. Este ano éramos 149, o que dá uma taxa de participação de 60%, ao nível das últimas eleições autárquicas - pode não ser uma grande percentagem para umas eleições, em que todos votam (supostamente) perto de casa, mas parece-me excelente para uma família em que a maioria tem de se deslocar 50 a 350 quilómetros (fora os emigrados) para ir ao encontro dos restantes.
E por falar em política, tenho reparado (no Facebook, claro) que a família, cuja primeira geração era claramente mais à direita, está hoje representada em todas as cores do espectro político, do CDS ao PCP. Aliás, duas primas assíduas destes encontros não puderam ir este ano justamente por estarem em campanha como candidatas a assembleias municipais, por cores bem diferentes. Esta variedade é também uma riqueza, e a política não se sobrepõe à ligação familiar (veja-se os irmãos Portas e os primos Louçã/Gaspar).
Acima da política e dos laços de sangue, a fé cristã continua a ser essencial para a maioria de nós, está no ADN da família e não é de todo alheia ao facto de sermos tantos. Por isso, estes encontros começam sempre com uma missa, bastante participada, em que agradecemos este dom da união familiar dos Mesquitas e lembramos os que já partiram.
Esta é também uma ocasião para saber novidades dos primos, e ficámos a saber de mais bebés que vêm a caminho - já dizia o Outro, crescei e multiplicai-vos!

sábado, 7 de setembro de 2013

Uma questão de ritmo

Um tema que dá pano para mangas são as diferenças entre as duas famílias de origem de um casal. Pode não parecer o mais importante, e não é, mas pelo que tenho visto nalguns amigos é um dos factores que mais podem minar uma relação - já o Romeu se queixava! No nosso caso, felizmente, as diferenças são suaves e não há nada de muito estrutural. Diria até que há um certo paralelismo sociológico entre as famílias paternas e maternas de um e de outro.

Já diferenças de feitio há muitas, como é natural, e é giro dissecá-las em casal, mas não convém expô-las aqui à leitura de toda a gente, sob pena de perder o babysitting e os tupperwares no frigorífico! Mas há uma que, de tão objectiva e assumida por ambas as partes, salta à vista e não dá sequer polémica: uma diferença de ritmo!

Quem me conhece sabe bem que um dos meus maiores defeitos é a minha dificuldade (ou quase impossibilidade) em chegar a horas. Mas isto vem de um contexto... Na minha família, marcar hora para qualquer coisa é apenas uma vaga indicação de que é de manhã, à tarde ou à noite; não é para se levar à letra. Marca-se um almoço para as 2h, para as pessoas chegarem pelas 3h e estarmos sentados à mesa às 4h. Pode soar a exagero, mas é mesmo assim! Tudo sem stresses ou problemas de consciência, porque é um "código" que todos conhecemos e respeitamos. Se alguém se atrasa, é porque surgiu alguma coisa para fazer, e quem recebe fica agradecido porque também só começou a cozinhar e a arrumar a casa à hora que tinha dito às pessoas para virem.

Por seu lado, a família da Maria é o primeiro grupo de adiantados que conheci! A hora marcada funciona como o limite para se estar num sítio, e se nos atrasamos 5 minutos já estão a telefonar para saber onde andamos. Quando são festas em nossa casa, vêm mais cedo para ajudar nos preparativos, o que me apanha quase sempre com o banho por tomar e a roupa por trocar. Uma vez fomos passar um fim-de-semana em versão de família alargada (pais, avós, tios) e percebi que, para não os fazer esperar, tinha de comparecer a tudo 15 minutos antes da hora marcada.

O ritmo à mesa também é bem diferente. O gosto pelo convívio é o mesmo e a conversa flui de igual maneira nas duas famílias, mas os Albinos são de uma enorme eficiência na recolha dos pratos à última garfada, enquanto que nos Tavares pode haver um intervalo de meia hora entre o prato principal e a sobremesa, sem que ninguém estranhe. No lado da Maria, pelas dez, dez e meia, já está tudo a ir para casa, enquanto que do meu lado dificilmente se cantam os parabéns antes das onze da noite. Na semana passada, nos anos da Luisinha, os últmos convivas saíram de nossa casa à uma e meia da manhã... adivinhem quem!

Há algumas explicações possíveis, embora não esgotem o fenómeno. O avô materno da Maria é militar e o pai é um empreendedor, o que são percursos pouco dados ao engonhanço. Do meu lado, quase ninguém tem um horário de trabalho rígido a cumprir, pelo que a pressão do descanso é menor. Na família da Maria, os encontros são (pelo menos) semanais, o que torna esta dinâmica necessariamente mais rotineira e menos lazeira; na minha família, praticamente só nos juntamos nos aniversários, por isso tudo segue a lógica de "um dia não são dias" (a mesma lógica aplica-se ao teor calórico das sobremesas, que dava outro post).

Em resumo: para chegar a horas ao cinema, mil vezes os Albinos; para ir buscar a morte, que sejam os Tavares!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Quando for grande quero ser como eles


Voltemos ao baú da memória... 
No final de 2001, o ano em que entrei para o MSV, fui ao Algarve fazer uma visita (a última) ao Pe. Roger, figura que em tão pouco tempo de convívio me marcou para a vida, e que estava muito doente na altura. Juntámos um grupo, fomos e viemos na mesma noite, no carro da Teresa, que também tinha feito parte do grupo de voluntários que mensalmente visitava Vaqueiros e Martim Longo.
Dias depois, num jantar de Natal, fiquei sentado frente à Teresa e ao seu namorado João (à data crítico de cinema do DN, se não me engano) e na altura da troca de presentes calhou-me em sorte um CD dos Lighthouse Family que o João sabiamente tinha "reciclado".
Creio que foram as duas vezes que nos cruzámos "em solteiros".

Algures em 2007, numa festa em casa dos meus cunhados em Londres, um dos expatriados conta que o seu flatmate (João Cepeda) ia voltar para Portugal para lançar a TimeOut Lisboa. Regressado também eu à pátria, torno-me fiel seguidor da revista e reparo que o João Miguel Tavares era o director-adjunto.

Verão de 2011. Por ter achado graça ao título e por saber que gosto de crónicas, a Maria ofereceu-me o livro Os Homens Precisam de Mimo, onde o João faz as suas "queixinhas sobre a vida doméstica" na perspectiva do homem-pai. Eu só estava casado há 1 ano e a Luisinha estava para nascer, mas o humor das crónicas e a forma aberta e descomplexada de abordar a vida familiar conquistaram-me e vi que tínhamos muitas coisas em comum. Descobri também que éramos vizinhos em Entrecampos. Um ano mais tarde, quando a Luisinha entrou para o infantário, percebi (pelo blogue Pais de Quatro) que era o mesmo infantário onde tinham passado todos os filhos deles, e que os mais velhos andavam agora na escola primária onde queremos que a Luisinha venha a andar. A juntar a tudo isto: a Teresa é médica, a Maria é enfermeira; o João é jornalista, eu quis (quero?) ser (sou?).

Apesar das afinidades e caminhos paralelos, temos uma diferença de meia dúzia de anos, 3 filhos e milhares de leitores, por isso digo (a brincar, entenda-se) que quando for grande quero ser como eles. Se não chegarmos a Pais de Quatro, que talvez seja pedir muito, que nos fiquemos pelos três. Se eu nunca chegar a viver da escrita (e certamente que nunca farei parte de um Governo Sombra), já ficarei contente por manter este tipo de tribuna, porque me revejo totalmente neste post do João em que diz "não gosto de cortinas pela mesma razão de que gosto de escrever sobre a minha família neste blogue: a banalidade da existência sempre me atraiu e a sua partilha é enriquecedora para os outros e para nós".

Hoje, primeiro dia de aulas no nosso infantário, quando eu saía depois de deixar a Luisinha (que se portou à altura e não fez grande fita, diga-se), lá estavam eles a deixar os filhos número 3 e 4. A mais nova, que entrou para a sala onde a Luisinha esteve até Julho, também fez anos na sexta-feira e fez centenas de quilómetros para poder festejar com a família toda. Até nisto...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Comer Orar...

Hoje fui a um jantar e, por ser véspera do "regresso às aulas", a Maria ficou em casa com a Luisinha para a poder deitar cedo. Quando me fui despedir das duas, já deitadas na cama, a Luisinha, ao ver-me preparado para sair, levanta-se e diz:
- Eu vou ao supermercado!!
- Mas o pai não vai ao supermercado... - respondo-lhe a sorrir.
Ela pára uns segundos e riposta:
- Eu vou à missa!!
Moral da história: a Luísa é o "verbo ir" e o pai, na cabeça dela, sai de casa por mantimentos ou beatice. É isto.

domingo, 1 de setembro de 2013

E assim festejámos...

Entrámos na meia-noite com um banho na Praia da Luz. A água estava óptima!

De manhã, todos os amigos dos toldos do "bem-bom" tiveram direito a bolas de Berlim, oferecidas pelos avós da Luisinha (a Dá e o Dô). Foi uma bela despedida da praia!

Já em casa, o tradicional "bolo de anjo" da Avó Bé, servido em dose dupla neste dia, teve direito a um Noddy e a família mais próxima cantou os parabéns às duas aniversariantes.

No sábado, juntámos alguns amigos para um lanche no jardim do nosso prédio, que se mostrou uma vez mais uma fórmula ganhadora: os miúdos têm espaço para brincar, a sombra e o vento aliviam o calor, e temos metade do trabalho (antes e depois) de uma festa dentro de casa.
E depois de muito esticar os festejos, hoje foi dia de lavar loiça, fazer máquinas de roupa e dormir bastante!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

DOIS

30 de Agosto = 3+0+0+8 = 11, noves fora DOIS!
Hoje é dia de festejar os meus DOIS amores! Sim, porque não é só o Marco Paulo que os tem...
Um dia que já era especial, mas que a Luisinha quis tornar duplamente especial, ao escolher o dia de anos da mãe para nascer.
Um dia que será comemorado em DOIS momentos: manhã de praia no Algarve e jantar em Lisboa, para que a família toda (ou quase) caiba nos festejos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Praia da Luz

Estamos a passar uns dias na Praia da Luz, em Lagos. A praia para onde a família da Maria se habituou a vir em Agosto, onde fizeram bons amigos que ainda hoje aqui encontram(os) e onde a Maria comemorou uma boa parte dos seus aniversários, com dois rituais: a tradição local do "banho da meia-noite", na noite de 29 para 30, e a tradição familiar da distribuição de bolas de Berlim na praia entre os amigos. Assim vai acontecer amanhã, desta vez a assinalar o aniversário duplo de mãe e filha!

Curiosamente, esta foi a primeira praia do Algarve que visitei. Como sempre vivemos na Costa e os meus pais nunca gostaram de praia, levaram-me a conhecer quase todo o país mas nunca viemos ao Algarve, que só conheci aos 14 anos: a viagem de finalistas do 9º ano foram 4 dias nos bungalows do parque de campismo desta praia, em Abril. Já o primeiro banho no mar algarvio, dei-o uns meses mais tarde, quando vim com o Tio Luís ter com o Miguel e família à Praia... Maria Luísa!

Vários anos passados, em 2007, vivia eu em Londres e tinha começado a namorar com a Maria há apenas 5 dias, quando a Praia da Luz se tornou tristemente famosa pelo desaparecimento da Maddie (a poucos metros da casa de onde escrevo). Visto à distância, creio que o tom sobranceiro da imprensa inglesa durante meses acerca de Portugal, no caso de uns pais que tinham saído para jantar deixando os filhos mínimos sozinhos em casa, foi mais um grãozinho na balança em que pesei o meu regresso à pátria, nesse mesmo ano. E em 2007 foi o primeiro Verão em que estive na Luz, "chez Albinos", e que conheci os "tios" Costa Simões, Mendes Godinho, Rocha Pires e Cid Gonçalves - no nosso casamento, foi justamente apelidada como a mesa dos amigos do "bem-bom".

Gosto muito deste lado familiar dos amigos que anualmente aqui se reencontram, da pacatez deste lugar - compensa em sossego os graus que a água tem a menos face ao Algarve mais a leste - e de ver a Luisinha muito contente em ambiente de família alargada. Dorme a sesta com o avô, vai para todo o lado atrás da avó, e os pais agradecem-lhes o descanso e a possibilidade de aqui estarem com todas as mordomias.

domingo, 25 de agosto de 2013

Uma história renovada

Conhecemo-nos na escola, algures entre a primária e o sétimo ano. De companheiros de carteira a padrinhos de casamento uns dos outros, fomos um pouco de tudo. Durante vários anos, na segunda metade da adolescência, passámos juntos (e com a J.) uns dias de férias na aldeia, matrecos de dia e bailarico à noite. Mas desde os 20 que não tínhamos feito mais férias juntos - o dinheiro, a emigração, os filhos, o trabalho, sei lá... E eu até estou bastante com cada um, mas faltava-me estar com todos.
Este ano deixámo-nos de inércia, acertámos calendários e fomos passar uns dias ao Minho. Com a alegria extra de vermos brincar juntas as nossas 7 crianças - a MI com 1 ano, a Luisinha com 2, a I com 3, o T com 4, o J com 5, o R com 6 e o P com 7! Em vez do mero revivalismo dos bons velhos tempos (e do volume de cerveja), para mim o que sobressaiu foi essa descoberta grupal do que somos hoje, casados e pais, cada um ao seu estilo, face aos desafios que estas pequenas grandes criaturas nos põem.
Também me deram um gozo especial os finais de noite, com os infantes já deitados, em que nos pudemos dedicar, sob o alpendre, ao humor desbragado e à troca de desabafos. É bom manter vivo esse lado adolescente, e faz tão bem saber com quem contar...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Futebol de praia

Vivi toda a infância e juventude na Costa da Caparica, a dois passos da praia. Nos meses de verão, a praia era servida em 2 doses diárias, com pausa para almoço em casa. Como os meus pais nunca gostaram de praia, era com os irmãos que eu ia. Saltar as ondas e jogar à bola (com o grupo do vizinho CP) eram as actividades preferidas. Isto passava-se nas praias em frente a nossa casa, a do Marcelino ou a do Norte, praias onde deixei de ir durante muitos anos, porque a areia passou a ser escassa e as companhias me foram puxando mais para São João.
Este fim-de-semana voltei a essas praias, desta vez com a Luisinha. Ao meu colo, sentiu o mesmo misto de medo e adrenalina que eu sentia ao avançar pelo mar para ondas maiores. E naquele mesmo areal, jogou o seu primeiro futebol de praia, com a proficiência que aqui podem ver!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Casa desarrumada

Este cenário ao chegar a casa, um dia destes, fez-me lembrar um post recente de outro blogue que sigo. Nenhum de nós é especialmente arrumado, e ambos preferimos deixar a Luisinha dar largas à imaginação do que andar atrás dela feitos polícias a pôr as coisas "onde é suposto" estarem. Ok, é verdade que aquele colchão de praia, que serviu para uma brincadeira, por ali continuou a um canto durante mais 2 semanas, mas quando temos visitas, logo se arruma num instante... 
E se é verdade que dá gosto entrar em casa no dia em que a casa é limpa pela nossa dupla romena, não é menos verdade que é uma alegria encontrar este cenário pós-brincadeira!
Como diz o poeta...

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

Carlos Drummond de Andrade
(roubado daqui)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Hoje mesmo, há 10 anos!

Prometo que é o último post nostálgico desta sequência! Já sabem que sou um gajo dado a efemérides e comemorações...
2003 foi talvez o ano mais agitado da minha vida. Acabei o curso e fui ao Brasil na viagem de finalistas, tive o meu primeiro emprego, fui a Viena e aos Açores, tratei de tudo para concorrer ao mestrado em Londres... tudo coisas óptimas!
Mas o ponto alto do ano foi o que vivi em Montes Claros, uma cidade no interior de Minas Gerais, com a Catarina, a Mafalda, o Pedro e o Zé. E foi há precisamente 10 anos, que depois de um voo para Salvador e de 14 horas em ônibus, fomos recebidos já de noite na Rodoviária pela Irmã Rosalina (com quem estive há poucos dias). Passados uns minutos, estávamos já no nosso bairro de Santa Rafaela, onde fomos recebidos pela Dona Socorro e pela Deda.
Durante 2 meses, pisámos a poeira dos bairros para visitar as famílias e ir dar explicações às crianças. Ouvimos histórias pesadas de pobreza e violência, cruzámos território de traficantes, mas não foi tanto isto o que nos ficou na memória. Ficou, sim, o exemplo de superação de tantas vidas, os risos das crianças que corriam para nós, o abraço caloroso da "acolhida" à porta de cada celebração, a terna cumplicidade da nossa vizinha Maria, o ensinamento de que "o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada", as refeições e orações feitas diariamente entre nós.
Em 10 anos as nossas vidas deram muitas voltas, mas continuo muito próximo de cada um deste grupo. E tive a sorte de voltar 2 vezes a Montes Claros, primeiro sozinho em 2007, depois com a Maria na lua-de-mel. E através do Facebook, tenho sempre uma janela aberta para este lugar onde fomos tão felizes.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O melhor dia para casar

E já lá vão 3 anos! 

Não vou dizer "parece que foi ontem", porque muita água já correu debaixo da ponte desde então... Uma feliz contabilidade sobressai nesta comparação 2010-2013: das 200 pessoas que connosco partilharam aquele dia tão especial, nasceram entretanto 35 crianças! De resto há de tudo: casais desfeitos, casais novos, pessoas de quem nos aproximámos, outras que pouco mais vimos, mudanças radicais de vida, muitos que emigraram...


Mas posso dizer que na minha memória aquele dia está muito vivo, e não é só por a Luisinha nos pedir para ver "o vídeo do casamento" vezes sem conta. Foi o passo de uma vida, para quem dá importância a esta coisa dos sacramentos e não faz as coisas só pela piada da festa. Foi a alegria de termos a companhia das pessoas importantes de tantas fases das nossas vidas, algumas vindas de muito longe. E foi a harmonia e sintonia de ver espelhada na Maria (passado o nervoso da entrada na igreja) a minha alegria, e a alegria da Maria em mim. Uma alegria de quem leva a vida muito a sério e que, como alguém há pouco me dizia da Maria, sabe rir com a alma!

Vemos com frequência, e sempre com a mesma emoção, o vídeo com que nos surpreenderam naquele dia. E lembramos também o "Jay-Ho" dançado em versão "flash-mob". Seguiu-se um mês de uma viagem espectacular, num Brasil muito familiar. E um ano depois, veio a nossa Luísa, que tantas vezes nos faz agradecer o dom deste amor maior.

Do amor dos noivos não se fazem balanços em público... vamos agora fazê-lo a dois, ao jantar, entre brindes!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Santiago

Lembro-me de os meus irmãos terem participado nas Jornadas Mundiais da Juventude em Santiago de Compostela, em 1989. Lembro-me de os ir levar e buscar ao comboio, justamente ao comboio, e de ficar impressionado ao ver na televisão o botafumeiro. 

Só conheci Santiago em Fevereiro de 1999, numa curta visita com os meus Pais. Gostei tanto que voltei lá nesse Verão com 3 bons amigos. Muitas memórias ficaram dessa semana mágica, em Ano Xacobeo: as longas caminhadas do parque de campismo até ao centro, os fogos de artifício projectados na fachada da Catedral, a visita dos Reis e do Aznar, o ritmo da fanfarra pelas ruas do casco histórico, o museu do Siza, as empanadas e os calimochos, e o mendigo louco vestido de São Tiago de um lado para o outro... No final da noite deste mesmo dia 25, estávamos os 4 praticamente sozinhos na praça da catedral, quando um senhor de barba branca e condecoração ao pescoço se aproximou e ali ficou por uns minutos em silêncio, junto a uma concha de vieira esculpida no chão da praça; no jornal do dia seguinte vimos que era o Paulo Coelho, autor que eu na altura "papava" e que naquela noite tinha recebido a Medalha de Ouro da Galiza pela divulgação do Caminho de Santiago nos seus livros.
Voltei a Santiago nos dois anos seguintes, sempre para a festa do Dia do Santo - 25 de Julho - e mais uma vez em 2005, no Dia de Reis. Entretanto, os meus amigos Joana e Alex tornaram-se peregrinos e entusiastas do Caminho de Santiago, e através deles vivi a emoção deste Caminho que um dia também quero percorrer; é também neles que penso quando penso em Santiago, tanto mais que se casaram neste dia, há 4 anos.
Uma tragédia é sempre uma tragédia, mas ao ser surpreendido ontem pelas imagens do acidente num local tão familiar foi inevitável recuar a estas memórias. Que o Apóstolo acolha no Céu as vítimas dos que morreram e console os que ficaram. E a nós, que nos faça baixar a velocidade e evitar os perigos sempre que estamos em risco de "descarrilar"...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Café e castings

Hoje foi dia de gravação do Lusofonias na Renascença, com o Paulo Rocha da Ecclesia a falar sobre o D. Manuel Clemente, sobre quem lançou agora um livro - um programa para ouvir a meio de Agosto. No final, tivemos direito a um simpático café com o director da Renascença, o Pe. João Aguiar. E ali fiquei, entre os directores dos dois principais órgãos de comunicação da Igreja portuguesa, a trocar impressões sobre a chegada do Papa ao Brasil na véspera e a pensar se o meu futuro não devia passar mais pela comunicação...
Logo a seguir, no MSV tivemos uma manhã bem diferente. No andar abaixo de nós, temos agora uma agência que representa actores e apresentadores de televisão, e hoje pediram-nos que os ajudássemos num casting. E assim filmámos várias mini-entrevistas, a explicar o que era a Casa das Cores, como se fosse para um programa de televisão - uma boa oportunidade também para nós treinarmos este tipo de aparições que a cada passo temos de fazer. Teve a sua graça conhecer algumas caras dos saltos para a piscina e dos concursos de imitações e vários deles prometeram uma visita em breve à Casa das Cores.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Cebolas e ameixas

Cresci num prédio onde as pessoas se conheciam. Ficava em casa de vizinhos quando os meus pais precisavam, no Natal e aniversários trocávamos cumprimentos e presentes, quando nos esquecíamos da chave havia uma suplente na vizinha. Lembro-me até de chegarmos a fazer um piquenique. 
Claro que isto era mais fácil num prédio pequeno, onde quase todos viviam há 40 anos. Nos prédios grandes de Lisboa, estas experiências não são tão comuns. O anonimato é a regra, e conheço quem até prefira assim.
Felizmente vim parar a um prédio onde não me sinto tão anónimo, apesar de ter 600 apartamentos. Além das pessoas de quem já era amigo há anos, fui conhecendo outros nas futeboladas e nos jantares que se organizaram, sou tratado pelo nome nos cafés e, à custa das brincadeiras da Luisinha no jardim, vamos conhecendo outros pais.
Mas o que mais gosto é o à-vontade dos pequenos gestos. No espaço de uma hora, a campainha tocou-nos duas vezes. Primeiro foi a vizinha do lado: "venho cravar-te uma cebola". Pouco depois, foi o vizinho do canto, a oferecer uma caixa de ameixas que tinha trazido da quinta. Parecia uma imagem de que, quando damos, recebemos sempre mais. Mas valeu sobretudo pelo sentimento de proximidade que se vai ganhando.

terça-feira, 9 de julho de 2013

A minha primeira maratona

E lá sobrevivemos à maratona. Quer dizer, obviamente que não fui correr, mas em torno dela passei o "dia mais quente do ano": de manhã fiz as marcações dos últimos 6 kms do percurso, à tarde entreguei dorsais e mantimentos, à noite estive a dar ânimo aos corredores, e madrugada fora estive a transportar as sobras da festa da meta. Os muitos percursos de mota pelo meio permitiram-me refrescar um pouco e os exemplos de entrega apagaram os meus queixumes.
Primeiro foi a entrega dos nossos voluntários. Cada uma das instituições beneficiadas tinha ficado de arranjar voluntários. À última hora, acabámos por conseguir 13 pessoas, mais do que as nossas melhores expectativas. Chateado, embora não surpreendido, pela falta de resposta dos amigos com "maior obrigação", fiquei muito contente por ver tanta gente a dar a sua disponibilidade num dia em que não apetecia nada, e todos vestiram a camisola com entusiasmo.

Depois foi a entrega dos corredores. Quando se soube da previsão acima dos 40 graus, achei que a maioria desistiria. Mas não, compareceram em peso e com grande espírito, numa prova que ia muito para além do desporto. E apesar das desistências terem sido mais do que é costume, todos levaram ao limite o seu esforço. Dizia-me um amigo, no final, que só conseguiu terminar por se lembrar da Casa das Cores.
Finalmente, a entrega da equipa da organização, todos voluntários. O último corredor terminou às 2h30 da manhã, e nas 3 horas que se seguiram houve uma dúzia de pessoas que garantiram que tudo ficava arrumado.  Muitas delas sem ligação tão directa às instituições, mais velhos do que eu, com filhos que não os deixariam dormir na manhã seguinte. Custou-nos a todos, mas o prazer do dever cumprido compensou largamente.
Agora vai ser tempo de avaliação da prova, do que pode ser melhorado, de como reduzir despesas em eventos futuros. Mas este espírito de entrega, para mim, valeu bem a pena!

sábado, 6 de julho de 2013

Do calor

5 da manhã. Depois de um dia com 38ºC e prestes a entrar noutro com 42ºC, consolo-me com a brisa dos 24ºC que agora estão. Estou no quarto da Luisinha, que dorme destapada e com ruído (a quem sairá?); a Maria cumpre o turno da noite no hospital. Sentado num pufe sobre os meus 20 centímetros de varanda, o mais em pelota que me é permitido, tento acumular no corpo esta sensação de fresco que tanto jeito daria amanhã (vou estar a bulir numa maratona que reverte para a Casa das Cores).
Detesto este calor da cidade, roupa colada e cara pingada. Seria incapaz de viver num país que fosse assim o ano todo. Gosto da cerveja gelada, das Havaianas e das camisas de linho, dos banhos de mar e dos dias compridos, mas do que gosto mesmo é de levar com toda a potência de um ar condicionado em cima.
Mas posso estar a ser ingrato para com a canícula. Afinal, os momentos que mais me marcaram a vida aconteceram sob um grande bafo. Casei em Julho e fui pai em Agosto. As minhas missões de voluntariado em Alcoutim e Montes Claros foram bem quentes. As viagens à Terra Santa, à América do Sul, à Índia ou Guatemala foram tudo menos frescas. As Jornadas da Juventude em Roma e Toronto foram um abuso térmico do São Pedro. E foi tudo tão bom! A ver se isto me ajuda a lembrar que o calor pode valer a pena...
E pronto, agora que já falei sobre o tempo, está oficialmente desbloqueada a conversa aqui no blogue!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço de 2012

Ao percorrer os apontamentos e as fotografias que me ficaram de 2012, tenho muito a agradecer porque este ano, a nível pessoal, não teve nada a ver com o pessimismo dominante. É verdade que tive mais despesas e menos receitas do que no ano anterior, mas isso em nada impediu que o nível de felicidade tivesse sempre vindo a subir.

Muita dessa alegria se deve à nossa Luisinha, agora com 1 ano e 4 meses, e cada vez mais engraçada. Este ano foi baptizada, aprendeu a andar, disse as primeiras palavras (e já se explica muito bem), fez o seu baptismo de voo, encheu-se de dentes e entrou para o infantário. Apesar de a Maria fazer incomparavelmente mais do que eu, tenho a sorte de ficar responsável pelas manhãs - acordar, dar o leite, vestir e levar ao infantário - e de tomar conta dela quando a Maria trabalha ao fim-de-semana (uma realidade bastante frequente).

Continuei a trabalhar a tempo inteiro no MSV, como responsável pela comunicação e angariação de fundos; foi um ano bastante difícil, como podem calcular (por exemplo, em comparação com o ano passado, vendemos menos de metade das t-shirts), mas o trabalho persistente de uma grande equipa permitiu alcançar os resultados necessários. Continuei também a fazer a produção do programa de rádio Lusofonias, onde este ano entrevistámos pessoas tão interessantes como o guitarrista Fernando Alvim ou o cantor Carlos Alberto Moniz. Traduzi bastantes documentos para ONGs, em especial o Instituto Marquês Valle-Flôr, o que compensou a falta de pedidos de traduções para a Bertrand; ou seja, este ano não vi traduções minhas nas livrarias, mas aprendi muito sobre temas de Desenvolvimento.

Tive a sorte de passear bastante. Em Fevereiro fomos a Londres rever amigos e morrer de frio, em Maio fomos à Madeira a um casamento, em Julho ao Algarve com a família Albino, em Agosto à Terceira passar uma bela semana entre amigos, e em Setembro a Munique visitar primos e beber cerveja na Oktoberfest. Infelizmente falhámos um casamento de amigos Erasmus em Itália em Julho, por causa do meu acidente. Em Junho fui com 2 amigos à Ucrânia ver o Europeu de futebol e visitar o Vitaliy. Fomos ainda ao Porto, a Famalicão e a Coimbra.

Mas nem tudo foram rosas em 2012... A 25 de Junho estampei-me de mota, perto de Santa Apolónia. Foi o primeiro susto que tive na mota e meteu logo ambulância! Não ia depressa mas ultrapassei pela direita, e a brincadeira custou-me um dedo partido, duas operações e 5 meses de fisioterapia (and counting), sem grande esperança de vir a ficar com o movimento a 100%, mas felizmente não é nada que me impeça de fazer o que quer que seja. Bem mais grave foi o susto que um casal muito próximo de nós teve com a saúde de um dos filhos, mas graças a Deus terminamos o ano com perspectivas bem favoráveis, e o J. recuperou a sua energia e boa disposição. Ao longo do ano aumentou também o número de amigos sem emprego e fui acompanhando outros processos complicados.

Para aumentar a esperança, foi um ano com muitos bebés novos: o Francisco (Ana e André), a Mariana (Catalina e Pato), o João (Susana e Henrique), a Emilia (Elsa e Juan), a Natalia (Marianne e Roberto), o Martim (Hugo e Catarina), o Tomé (André e Isabel), a Pilar (Joana e Alex), o Domingos (Margarida e Nuno), o Francisco (Filipa e Christoph), o António (Inês e Nuno), a Maria Inês (Mafalda e André) e o Vicente (Maria Carlos e André). Ainda não conseguimos conhecer metade deles, mas quero suprir essa falha em 2013, incluindo os de mais longe!

E para terminar com uma miscelânea... Fiz muitas aulas de body combat mas abati pouco peso, ou nenhum. Fui ao concerto dos Resistência no Campo Pequeno, ao musical "1906" no Tivoli e ao musical "O Quadro" no São João de Brito. Fomos a dois Adegga Wine Markets. Fomos a dois casamentos e um baptizado. Comprei pela primeira vez o bilhete de época do Sporting, com o meu amigo Vasco, e está a ser uma desgraça; foi melhor assistir na época passada aos últimos jogos da Liga Europa, onde chegámos às meias-finais. Temos participado com os vizinhos Brandão-Cid num campeonato de quiz no café do nosso prédio, e vamos à frente! Fomos ao encontro anual dos Mesquita Guimarães e criei a newsletter mensal da família. Fizemos uma festa-picnic para comemorar os anos (no mesmo dia) da Maria e da Luisinha. A minha mãe festejou 70 anos e os avós da Maria 60 anos de casados. Continuei a visitar quinzenalmente um lar de idosos na Graça. No MSV, continuo num grupo de oração com bons amigos e fiz uma peregrinação de Pontével a Fátima. E assim se passou o ano...

Votos particulares para 2013? Paz na família, maior produção de escrita, um bom discernimento profissional e muita Fé! Vai ser um ano para nos ligarmos mais ao essencial, que é invisível aos olhos.
Um excelente 2013 para todos!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Fitas

Tive de ser operado outra vez. O tendão que faz o dedo dobrar estava preso por um parafuso e fiz uma plástica (!!) para mo soltarem. Por coincidência (foi o que me apareceu pelo seguro), um médico conhecido da família da Maria.
Na primeira operação (ao osso), tive de ficar 6 semanas com o dedo imobilizado com tala e envolto em pensos, que me iam trocando no Centro de Saúde de Sete Rios. Em cada troca, eu fazia uma fita, ficava branco e acabava invariavelmente deitado na maca. Não que me doesse, era tudo da cabeça.
Desta vez foi tudo diferente. Fui operado à tarde, e na manhã seguinte estava no consultório do médico, que me deixou só uns pensos minúsculos e mandou mexer o dedo o mais possível. Passadas 2 semanas, fui lá hoje tirar os pontos, num instante, sem direito a mariquice. E assim me deixou, com uma cicatriz ensanguentada toda à mostra e a querer que eu aja como se lhe fosse indiferente.
Quero a minha mããããããeeee!!!

PS: a parte importante e que o dedo esta bem melhor, obrigado.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Transportes


No final de junho tive um acidente de mota. Mudei de faixa sem ver que vinha um jipe, os nossos espelhos rasparam, perdi o equilíbrio e deslizei uns metros pelo alcatrão. Resultado: dedo indicador esquerdo partido, com direito a operação para pôr placa e parafusos, e umas quantas feridas no braço e pé (o que dá andar sem blusão e sem meias).
Passados 3 meses, estou quase refeito. A exceção é o dedo que não dobra ainda por completo, o que tem obrigado a fisioterapia diária.
A mota foi arranjada, mas (mais por respeito a quem se assustou comigo) decidi não lhe pegar enquanto eu não estiver a 100%. Até porque não vou andar mais sem blusão, e com o calor que está não apetece.
Voltei à Carris e ao Metro, meus companheiros dos tempos de faculdade e de trabalhador-solteiro. Demoro mais do dobro nos percursos habituais e gasto o dobro por mês, mas tem as suas vantagens. Ando mais a pé, o que compensa a "baixa" no ginásio. Não tenho de carregar capacete e extras, apenas a leveza dos meus 90 quilinhos. Tenho uma maior base de análise sociológica, como só os transportes publicos permitem. E vou tentar aproveitar este tempo inútil e o Blackberry para ressuscitar este blogue!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Luísa

Por ela é que eu faço bonito
Por ela é que eu faço o palhaço
Por ela é que eu saio do tom
E me esqueço no tempo e no espaço
Quase levito
Faço sonhos de crepom

E quando ela está nos meus braços
As tristezas parecem banais

O meu coração aos pedaços
Se remenda prum número a mais

Por ela é que o show continua
Eu faço careta e trapaça
E pra ela que eu faço cartaz
É por ela que espanto de casa
As sombras da rua
Faço a lua
Faço a brisa
Pra Luisa dormir em paz

Chico Buarque e Francis Hime

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Bem-vindo ao Sul

Fui ver uma simpática comédia italiana, sobre as diferenças e preconceitos entre o Norte e o Sul do país. Além de me ter recordado a viagem de há uns meses a Itália, saí de lá a pensar que por cá não somos assim tão diferentes. Uma boa parte da minha família minhota acha que nós vivemos entre infiéis e comunistas, qual aldeia do Astérix em terreno romano; em contrapartida, um bom número de amigos alfacinhas, que raras vezes terão pisado acima do Mondego, acham que lá em cima é tudo provinciano e antiquado. E se saltarmos a fronteira do país ou do continente, mais os estereótipos aumentam... Nada que um pouco mais de arejo e mingle não resolva. Mas quem nunca estereotipou, que atire a primeira pedra.
Vão ver o filme, que vale a pena. Só está no Corte Inglés e no Arrábida Shopping.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010 em flash

Foi um ano e pêras! Com o ponto alto no 31 de Julho, "o melhor dia para casar". Preparar com a Maria o dia do casamento e a vida nova, desde a decoração da casa às contas do banco, foi e continua a ser um processo alegre e descontraído, com as normais discussões, mas sobretudo com a convicção de estarmos no rumo certo. Ganhei uma segunda família onde me sinto eu próprio. Também o carinho dos amigos nesta fase me encheu: os ensaios do coro, a despedida de solteiro e sobretudo a forma como nos mimaram no dia do casamento, já para não falar dos que vieram de longe para estar connosco nesse dia, fizeram-me uma vez mais grato pelos amigos que Deus me pôs no caminho. E com o casamento, a mudança de passar a morar em Lisboa e deslocar-me diariamente de Vespa.

Foi um ano de casamentos. Além de nós, casaram o João e a Maria, o Paulo e a Ana, a Diana e o Pedro, a Maria Carlos e o André, o Nuno e a Andreína. Todos com direito a coro! Multipliquem por 3 ensaios e ficam com uma ideia de como passei muitos serões na primeira metade do ano.

Foi um ano de bons passeios. Entrei em 2010 em Londres, voltei lá em Março e Junho. Regressei à Colômbia, para o casamento do Juan e da Elsa, e confirmei que é o país com as melhores festas; à ida e à vinda deu para visitas rápidas a Nova Iorque. Passámos um fim-de-semana na Costa Vicentina com os amigos latinos. Passámos um mês de lua-de-mel no Brasil; para além das belezas naturais, gostámos sobretudo de rever os amigos de Montes Claros e de passar uns dias com a família em São Paulo. No final do ano, conheci o Douro e Trás-os-Montes, onde fui descobrir as raízes paternas.

Foi um ano de desafios. O mais importante foi a hipótese de produzir semanalmente um programa de rádio, o Luso Fonias, que me pôs pela primeira vez a trabalhar em comunicação, o que eu realmente gosto. Fui à neve, à minha dimensão (leia-se: uma tarde na Serra da Estrela), gostei mas não me estou a ver em voos mais altos, pelo medo das alturas. O mesmo medo que me fez entrar em pânico ao cruzar a ponte na minha primeira (e última?) mini-maratona; ainda assim, prueba superada!

Foi um ano de boa música. O concerto dos U2 em Coimbra foi espectacular e juntou um belo grupo. Dancei ao som da Shakira no Rock In Rio e no Pavilhão Atlântico. Recordei as músicas dos Cranberries no Campo Pequeno.

Foi um ano de alegrias. Nasceu a Isabelinha do Pedro e estão quase a nascer o filho da Ana Sofia e do Filipe e a filha do Eduardo e da Anne. O Vasco lançou o seu negócio. O João Raposo fez os primeiros votos como Jesuíta. O Papa esteve em Portugal e foi um momento de encontro com muitos amigos. O resgate dos mineiros chilenos foi símbolo de esperança e superação, e a reacção à morte do "Senhor do Adeus" foi lembrança de que um gesto simples faz diferença.

Foi também um ano de dificuldades. Não apenas a crise internacional, os sismos no Haiti e no Chile, e as cheias na Madeira, mas problemas sérios de saúde de pessoas que me são queridas e desempregos prolongados.

Mas, terminando como comecei, o essencial de 2010 para mim foi o encontro com a Maria e o passo importante que demos - passámos a estar juntos na mesma cidade, na mesma casa, no mesmo projecto de vida. E isso chega para encarar o ano novo com optimismo e um sorriso aberto.

Feliz 2011!

sábado, 16 de outubro de 2010

O meu BB

Ainda estou com o coração nas mãos desde que ontem abandonei o meu BB para ir morrer numa qualquer sucata. Teve de ser, por razões de ecologia e economia. O último ano já foi cheio de gastos parvos (travões, pneus, canhão...) e para o pôr em condições de passar na inspecção ia ser outra pipa de massa. Há 1 ano que o limpa-pára-brisas tinha deixado de funcionar. E há muito que quando chovia ficava uma poça aos meus pés. E nos últimos dias ele apitava (o tinóni de aviso quando se tira a chave da ignição com as luzes acesas) sempre que eu carregava no travão. Enfim...
Mas fiquei com pena pelas muitas memórias que lhe associo. Foram 18 anos na família! Primeiro foi o carro dos meus pais, algures entre o meu 7º e 11º anos; levava-me semanalmente às aulas de piano e foi-me buscar às primeiras saídas à noite. Depois passou para a minha irmã e chegou a viajar com eles até Inglaterra, de ferry, para viver uns meses em York; lembro-me de fazermos uma viagem para o Algarve, já com a primeira sobrinha nascida, em que não sobrava espaço livre, a ponto de eu não conseguir ver os outros ocupantes e o meu cunhado guiar com coisas no colo. Quando eles já não precisaram mais dele, tiveram a generosidade de mo oferecer. 
Foi o meu primeiro e único carro, só meu, acompanhou-me dos 20 aos 30 anos. A segunda metade da Faculdade, as voltas do MSV (tantas vezes fez o caminho para Alcoutim...), a histeria do Euro 2004, os passeios pelo País com os amigos de Londres... Nos últimos tempos já era gozado por todos, desde o mecânico aos meus amigos que tinham medo de andar nele. E de facto estava a ficar perigoso, apesar de o motor estar ali para as curvas. Ainda em Junho tínhamos dado 165km/h na auto-estrada. No dia seguinte, rebentou-lhe um pneu e percebi a imprudência da véspera. Era como um velhote com o corpo muito enfraquecido e o coração forte.
Além disso dava-me um certo orgulho contracorrente andar com ele! Pelo anti-consumismo de "se este funciona, para quê trocar por outro?" (sou consumista em roupas e sapatos, mas carros nunca foram a minha praia). Pela despreocupação de poder entrar com ele em qualquer tipo de terreno, porque "pior não vai ficar". E acho que sobretudo por esta continuidade de já ter passado por todas as mãos da família.
Enfim, paz à sua alma, também não nos vamos apegar a objectos. Agora desloco-me num brinquedo a 2 rodas, também mais retro que moderno, e tem sido um regalo rolar por Lisboa com o vento na cara; há que guardar um bocadinho de adolescência para ir usando ao longo da vida, não é? E temos, já nesta fase plural da vida, um utilitário daqueles iguais a todos os outros, com ar condicionado e auto-rádio a funcionar e tudo, que nos tem dado muito jeito para transportar os móveis do Ikea, as compras do Continente e, se Deus quiser, quando dermos por nós estamos a inscrustar-lhe uma cadeirinha Chicco.

domingo, 4 de abril de 2010

P365 - 094

Os meus sobrinhos estão cada vez mais crescidos! Ainda me soa estranho dizer "sobrinhos" no masculino, depois de 10 anos só com meninas, mas assim são as regras do Português. Hoje comemorámos os 13 anos da Inês, já temos duas teenagers.

sábado, 3 de abril de 2010

P365 - 093

A meio de um périplo pelas lojas da Baixa para compor a lista de casamento, soube bem encontrar a esplanada no último andar da Pollux, com uma bela vista para a Baixa num dia de muito sol! Recomenda-se.

domingo, 21 de março de 2010

P365 - 080

À entrada na ponte, o entusiasmo de 35 mil pessoas é enorme. Acima de tudo, esta prova é uma festa! Mas para quem quer mesmo correr, não é a melhor coisa - só consegui ter espaço para isso a partir de Alcântara. Já para não falar do pânico que me deu em cima do tabuleiro...

quinta-feira, 18 de março de 2010

P365 - 077

Ontem em Alvalade, apesar de a actuação não ter sido brilhante e o resultado ter ditado a eliminação do Sporting, houve entrega dos jogadores, emoção a rodos e, acima de tudo, o público não parou de gritar do princípio ao fim, mesmo depois dos golos sofridos e no final da partida. Assim dá gosto pertencer à grande família sportinguista!

quarta-feira, 17 de março de 2010

P365 - 076

Num seminário sobre fundraising organizado pela Call to Action, o Pedro Sottomayor falou da Casa das Cores e de todo o trabalho que tivemos para construir a melhor imagem para "embrulhar" o projecto, na procura necessária de doadores. Foi um dia para ouvir intervenções inspiradoras de estrangeiros com muita experiência na matéria, e sentir-me parte de um Terceiro Sector que, aos poucos, vai tentando apanhar o comboio do profissionalismo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

P365 - 074


Momento cultural na Royal Academy of Arts, para ver uma exposição baseada nas cartas de Van Gogh. Sete salas com muitos quadros, das várias fases do pintor, e sempre com comentários feitos pelo próprio (ao tema pintado ou à técnica e materiais usados) em troca de correspondência com o seu irmão Théo ou com outros pintores. Não tão completo como o museu de Amsterdão, mas muito bom para refrescar referências sobre um dos meus favoritos.

domingo, 14 de março de 2010

sábado, 13 de março de 2010

P65 - 072

Primrose Hill
A provar que nem tudo em Londres é cinzento...

sexta-feira, 12 de março de 2010

P365 - 071

Em Londres, tempo para visitar algumas casas onde nos sentimos em casa. Hoje foi a vez de jantarmos em casa da Mariana, prima do nosso cupido. Na foto, o pequeno Francisco a querer fazer braço de ferro. Os gémeos Manuel e Luisinha, a quem cheguei a fazer babysitting, estão enormes e muito espertos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

P365 - 070


Desculpem o meu lado germofóbico, mas eis uma coisa que verdadeiramente aprecio entre os serviços da nossa TAP: o toalhete limpa-mãos que vem junto com a comida. Esta mistura de água, álcool, lavanda, cremofor e glicerina é uma bênção para quem não consegue comer sem antes lavar as mãos (não dá jeito ir à casa de banho com o carrinho do catering no corredor do avião). Não me lembro de ver tal produto em outras companhias aéreas. Melhor que isto, só uma cobertura de papel metálico com que tapam o cimo das latas de bebida na América do Sul.