quarta-feira, 5 de março de 2008

Gaudium et Spes

Finalmente pude conhecer Barcelona, e fi-lo na melhor companhia!
Uma cidade de que tanto tinha ouvido falar nos últimos anos, sobretudo na perspectiva dos planos de regeneração urbana (na sequência dos Jogos Olímpicos de 1992) que a transformaram num das cidades mais apetecíveis da Europa, meca para arquitectos e designers. E foi entre arquitectos e designers portugueses que passei a noite de sábado, no boémio bairro de Raval.
Como já esperava (mas ainda assim me supreendeu), o que mais gostei na cidade foi a obra de Gaudi, por muitos chamado o "arquitecto de Deus". Sempre me impressionou como um artista é capaz de olhar para uma ideia comum (uma casa, uma igreja, tal como uma música) e ser capaz de inventar algo completamente diferente. E no caso de Gaudi, esconder as arestas da construção em formas arredondadas, traduzir a natureza em ferro e pedra, seduzir os sentidos com as cores alegres dos mosaicos.

Na Sagrada Família, cuja construção começou em 1882 e ainda está longe de terminar, pensei que a vida também é assim: um projecto em permanente construção (e, já agora, a apontar para cima). Ao completarmos um projecto nosso corremos o risco de nos darmos por satisfeitos e deslumbrarmo-nos com as nossas capacidades, que não são o mais importante. Não quero exagerar, é claro que no dia-a-dia precisamos de obras terminadas, sejam edifícios, objectos, ou pequenos projectos pessoais. Mas que bom haver uma Sagrada Família para lembrar que a construção, já por si, é tão ou mais bela que o resultado.
Nesta fase de maior procura do que quero a vários níveis, voltei de Barcelona com uma dose reforçada de dois ingredientes fundamentais: alegria e esperança. Gaudium et spes.
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