Em 2014, eu fazia o fundraising do MSV e pedimos a uma "agência de famosos" alguns padrinhos para a Casa das Cores. Foi assim que conheci o Rúben Amorim, então jogador do Benfica, numa primeira visita à Casa. Próximo e sem peneiras, respondia com graça à nossa conversa de sportinguistas. Noutra visita levou equipamentos para as crianças. Levou-as a ver um jogo na Luz. E foi aparecendo "anonimamente", sem fotos nem comitiva, só para estar com elas. Uma vez, em vésperas de derby, passou a tarde a jogar basket com os miúdos para desanuviar.
Nesse ano, vendemos uma t-shirt de apoio à Seleção, a tentar "surfar" na sua convocatória para o Mundial, e o Rúben prontamente aceitou ir tirar as fotos de promoção. Sempre com o mesmo sorriso e descomplicação que agora lhe vemos nas conferências de imprensa.
O futebol tem os seus podres e excessos, mas tem muito de inspiração. E o Rúben foi a inspiração nesta época notável. Sem ter os melhores jogadores, construiu a melhor equipa, que acreditou sempre até ao último segundo. Soube ser líder sem nunca ser arrogante. Desvalorizou as polémicas de bate-boca. E dominou com mestria a gestão de expectativas.
Quando o Sporting o contratou a peso de ouro, um jornalista perguntou-lhe "e se isto corre mal?" Resposta do Rúben: "e se corre bem?"
E nunca precisámos tanto de olhar para a vida pela positiva!