sábado, 31 de julho de 2021

Batizado do JP


Primeira festa na família sem o Pai na fotografia. "O teu pai foi um santo", primeira frase da Mãe quando eu cheguei minutos após a sua morte. E se repetimos no Credo a fé na vida eterna e na comunhão dos santos, a nossa alegria permanece nessa comum-união.


Eu propus que fizéssemos o batizado do João Pedro no Pragal, terra de missão do Pai. A Maria propôs que o "tema" da festa fossem os Santos. No dia de Santo Inácio, o santo que sempre o inspirou.

E assim celebrámos a vida nova, a mais visível e a mais discreta, com os que aqui se veem e com quem está sem que se veja.



segunda-feira, 26 de julho de 2021

JP todo-o-terreno


Na gravidez da Luísa fomos a Itália; na do Manel tínhamos vindo a Praga; na do Zé a Paris. O JP veio num período de restrições, não viajou na barriga mas teve agora a sua prova de fogo: 3 horas de avião + 3h30 de carro para ir na sexta, 4 horas de carro + 5 horas de avião para voltar no domingo. Pelo meio, uma festa de casamento que durou das 10h30 às duas e tal da manhã.



O João esteve quase sempre bem disposto, de sorriso sedutor, a saltar pelos colos dos "tios" com quem fomos.


Viva a minha Mary, que não se perde em contas quando queremos avançar para estas loucuras.

sábado, 24 de julho de 2021

Casamento na Chéquia


O Diogo foi colega da Maria aos 12 anos; foi meu colega de Faculdade. Ficámos sempre amigos. Em 2006, a Maria ia viver para Londres, onde eu já estava, e o Diogo marcou um encontro para nos conhecermos. Apresentou-nos assim: "Maria, este é o teu futuro marido; Tiago, esta é a tua futura mulher." E acertou.


Não só por isso, mas por muito mais, não podíamos faltar neste dia em que o Diogo celebra com a Jana um grande passo. À terceira tentativa de data e fintando um pouco as regras, tudo valeu para cá estarmos.
Que sejam muito felizes!

sábado, 10 de julho de 2021

Isabel Costa


Há uns anos encontrei a Isabel Costa num concerto e fizemos grande festa. "Foi minha professora de Matemática no ciclo", expliquei a uma amiga que estava connosco. "Mas ainda falas com professores do ciclo?", perguntou, incrédula.

Claro que é uma exceção. Mas também era (de) exceção trocar piadas Sporting-Benfica na correção dos TPC - Matemática com humor escorrega melhor! E quando deixei as mesas de escola do faroeste da Trafaria, continuámos sempre a encontrar-nos à mesa, também com a Mãe. Hoje foi mais um desses bons encontros, e levámos novos convivas.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

E se corre bem?


Em 2014, eu fazia o fundraising do MSV e pedimos a uma "agência de famosos" alguns padrinhos para a Casa das Cores. Foi assim que conheci o Rúben Amorim, então jogador do Benfica, numa primeira visita à Casa. Próximo e sem peneiras, respondia com graça à nossa conversa de sportinguistas. Noutra visita levou equipamentos para as crianças. Levou-as a ver um jogo na Luz. E foi aparecendo "anonimamente", sem fotos nem comitiva, só para estar com elas. Uma vez, em vésperas de derby, passou a tarde a jogar basket com os miúdos para desanuviar.


Nesse ano, vendemos uma t-shirt de apoio à Seleção, a tentar "surfar" na sua convocatória para o Mundial, e o Rúben prontamente aceitou ir tirar as fotos de promoção. Sempre com o mesmo sorriso e descomplicação que agora lhe vemos nas conferências de imprensa.

O futebol tem os seus podres e excessos, mas tem muito de inspiração. E o Rúben foi a inspiração nesta época notável. Sem ter os melhores jogadores, construiu a melhor equipa, que acreditou sempre até ao último segundo. Soube ser líder sem nunca ser arrogante. Desvalorizou as polémicas de bate-boca. E dominou com mestria a gestão de expectativas.

Quando o Sporting o contratou a peso de ouro, um jornalista perguntou-lhe "e se isto corre mal?" Resposta do Rúben: "e se corre bem?"
E nunca precisámos tanto de olhar para a vida pela positiva!

quarta-feira, 28 de abril de 2021

14 anos de namoro


Há 14 anos, um beijo em Trafalgar Square selou uma batalha que já travávamos há algum tempo, da qual ambos saímos vencedores. Baixadas as guardas, namorámos 3 anos, 3 meses e 3 dias entre Lisboa e Londres, até chegar o melhor dia para casar.

domingo, 18 de abril de 2021

Pai

Soubemos em meados de Dezembro que o Pai tinha um cancro nas vias linfáticas, sem tratamento. Tinha acabado de fazer 81, o coração já lhe tinha pregado dois sustos e a memória às vezes tinha uns bugs. Depois do choque do diagnóstico, juntámos todos os apoios para que pudesse ficar sempre em casa. Claro que o apoio maior e incansável foi a Mãe, sua grande cuidadora há 53 anos. Mas vários braços e corações se juntaram para que estivesse ainda mais acompanhado e com todo o conforto. Ainda conseguimos que conhecesse o João Pedro, nono neto. Morreu este sábado, em casa, sereno e rodeado da família - um luxo reservado a poucos.

O Pai descobriu a Fé a meio da vida. Batizou-se pouco antes de casar, ainda com uma adesão parcial. Anos depois, em Fátima, teve um súbito desejo de se confessar e fazer um caminho de joelhos no Santuário - o Pai sempre foi racional e crítico de excessos religiosos, mas há momentos espantosos. No regresso, pediu ao pároco da Costa que lhe desse catequese, e o Pe. Mário trocou-lhe as voltas e desafiou-o antes a ser catequista. Nas décadas seguintes, deu catequese, preparou casais para o casamento, orientou grupos de jovens, até entrou num teatro de Páscoa (das minhas memórias mais antigas). E passava horas, noite dentro, fechado no quarto a ler toda a exegese sobre cada versículo da Bíblia. Nos minutos antes de morrer, repetiu várias vezes a palavra "Fé". E este testemunho vêm em primeiro lugar no extenso rol do que lhe devemos. 

Um par de horas depois, voei da Costa para o Campo Grande, onde a nossa Luísa ia receber a sua primeira Bíblia na "Festa da Palavra" da catequese, que acabou por ser a primeira missa por alma do avô. "O Pai era um apaixonado pela Bíblia; tens de estar com a tua filha e despertar-lhe esse mesmo amor". A Mãe sempre foi boa a lembrar-me das prioridades. 

Nestes últimos meses, além das visitas mais frequentes, acompanhei-o em dois momentos importantes. Levei-o pelo braço, com dificuldade, até à mesa de voto - onde não podia faltar, não por entusiasmo nos candidatos, mas por ter um dever a cumprir (nunca foi de ter medo). E a sua última confissão com um dos seus amigos jesuítas do Pragal foi dentro do meu carro (comigo fora, claro).

Cara de olhar para os netos

Há uns meses fiz quarenta anos e teimei em fazer uma festa maior. Tinha o feeling de que o tempo para estarmos todos juntos começava a escassear, e queria que os meus amigos o revissem ou conhecessem. O Pai não era muito de festas, mas sempre foi alegre e conversador, e assim esteve nesse dia. Aposto que o Pai nunca tinha ido a um concerto pop, mas vou guardar a memória de o ver a bater palmas acima da cabeça ao ritmo do Miguel Araújo.


Confiamos que o Pai já esteja no eterno encontro face a face, onde um dia nos encontraremos. E nós, que ainda estamos aqui, havemos de cuidar uns dos outros - muito em especial da sua mulher e da sua irmã - com a mesma atenção ao detalhe do Senhor Engenheiro.

quarta-feira, 3 de março de 2021

JP


O João Pedro nasceu hoje, às 2 da manhã, com 3,735kgs. Sócio do SCP n. 106363. A Maria foi uma valente, num dia longo, e está bem também.