segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Com Vicente


Quando eu tinha a idade do Manel, conheci o pai do Vicente. Nos 4 anos da primária, partilhei com o Miguel todas as benditas tardes sem aulas - ZX Spectrum, futebol na rua e tudo o mais que nos apetecesse. Fizemos juntos os 12 anos de escola. Os encontros depois ficaram mais intermitentes, mas nunca nos perdemos o rasto. A vida é breve (como a areia a escorrer entre os dedos) mas teremos sempre tardes sem horas para saborear o que fomos, somos e seremos.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

10 anos do melhor dia para casar

10 anos com tanto para celebrar! Os filhos, claro, mas antes ainda o "primeiro filho" que somos nós e que temos de saber alimentar (sem dieta). O gosto por celebrar em boa companhia juntou-se ao desejo (dever?) de desconfinar as famílias, sem reuniões há demasiado tempo, num grande serão com a melhor vista da cidade.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Atividades confinadas


O Manel esteve 53 dias a fazer o que lhe apeteceu. Agradeço às educadoras as propostas diárias, mas, sozinho com os três miúdos boa parte do tempo e a trabalhar, só consigo garantir que a Luísa cumpra (a custo) as poucas tarefas da primária. O Zé, esse, vai andando pela casa e pelos gostos dos irmãos ao Deus-dará.
Sempre agradeci os meus primeiros cinco anos em casa a tempo inteiro, e não me lembro de os meus Pais me proporem brincadeiras ou encherem de atividades. Bendito estar!
Hoje, pela primeira vez, quis fazer "coisas da escola" e a irmã ajudou a explicar. E foi bom de se ver, mesmo que fugaz. Amanhã, logo se vê.

sábado, 6 de julho de 2019

Nayan


Most of our trips don't start from a choice of places, but rather by thinking who do we miss and want to visit. This was also the case. Nayan was my flatmate, mutual confident and partner in crime when I lived in London. The last one (but Maria) to come say goodbye when I left London. The first one I called when our son José was born. We've been to each other's weddings, and what an experience it was to be in Bombay those days! Five years since we last met, this week spent together has been a great time to catch up with life and laugh and spice, with the big plus of having our beloved Uncle Pankaj along. Thank you for copying with the invasion of our gang of 5! We could not have had a better start!

A maioria das nossas viagens não começa por uma escolha de lugares, mas sim a pensar em quem sentimos falta e queremos visitar. Aqui foi mais uma vez o caso. A Nayan foi minha colega de apartamento, confidente mútua e cúmplice quando eu vivi em Londres. A penúltima (antes da Maria) a vir despedir-se quando saí de Londres. A primeira pessoa a quem liguei quando o nosso filho José nasceu. Fomos aos casamentos um do outro e que experiência foi estar em Bombaim nessa altura! Cinco anos depois de nos termos visto pela última vez, esta semana que passámos juntos foi um ótimo momento para pôr a vida em dia, entre risos e especiarias, com a grande vantagem de ter o nosso querido tio Pankaj por perto. Obrigado por permitires a invasão do nosso gangue de 5! Não podíamos ter tido um melhor começo!

domingo, 21 de abril de 2019

Páscoa 2019


A Quaresma começou com o sobressalto de um ligeiro AVC. Poder celebrar a Páscoa com a saúde e humor do Pai recuperados é mais uma bênção a agradecer. O Manel ainda não faz contas à passagem do tempo, mas vê o essencial, e basta.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Uma manhã com o Herman


Sonho de infância cumprido! Hoje o Herman esteve duas horas em direto nas manhãs da Rádio Sim e o apresentador desse programa - o meu amigo Zé Manel Monteiro - convidou-me para estar com eles na cabine e assistir a tudo, sentado na mesma mesa. 

Devo ao Herman uma forma de ver humor e trocadilhos em tudo, uma bagagem de cultura geral, milhares de horas felizes frente à tv e o meu artigo no Observador mais lido de todos. Long live the king! (Obrigado, Zé Manel!)



domingo, 18 de novembro de 2018

Isabel


Tinha quase 12 anos quando nasci. Deu-me colo, mimo, foi ama-seca (mas fecunda), levou-me de chaperone para os seus programas (jantares de amigos, comícios, o meu primeiro McDonald's), deu-me o primeiro cunhado, a primeira sobrinha (e mais 3), a primeira afilhada, o primeiro carro e abriu-me mil caminhos - como ser filho, como ser pai, como servir... Já vestimos a mesma camisola (mas não clubística) e continuo a valer-me da sua competência. Meio século é uma tonelada de graças a agradecer e outro tanto de sonhos para regar. Parabéns e obrigado, mana e madrinha Isabel!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Vou Já, 'mor!


Ganhar e perder faz parte. Parabéns a quem ganhou bem. O que não faz parte é semear ódios no que só devia servir para nos unir. E se serve, caramba! O que fica de hoje é a alegria de fazer a festa com os Amigos que partilham esta paixão. E o apoio comovido aos rapazes de verde e branco nesta semana surreal. Obrigado pelo convite, André e Maria Carlos! (E somei mais um par de cromos à minha caderneta)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Janela da Graça


"O que é aquilo ali em cima?", perguntou-me, avistando o Convento da Graça desde uma janela fechada do Hospital de São José, onde a Mãe recupera, fina, de um fémur partido. No fim da visita, levei-o Mouraria acima, aprendeu o que era um tuk-tuk e um talho halal, e partilhámos um pôr do sol no miradouro onde pedi a Maria em casamento. A descer, fui eu que aprendi como eram as noites no Ramiro dos anos 60, em que o fornecedor de marisco era o pai do seu colega Eládio Cl
ímaco. E assim se abriu uma janela. De oportunidade.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Amor de Mãe

Fonte
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.
Herberto Hélder

A minha Mãe faz 75 anos.

Maria Isabel, como a mãe que cegara antes de a ver nascer e que perdeu aos sete anos. Perder é uma forma de dizer, porque na comunhão dos santos só há ganhos e o modelo da Avó foi e é bem presente.

Primeira menina depois de seis rapazes, ainda teve mais dez irmãos. Daqui resultaram 61 sobrinhos, 83 sobrinhos-netos e uns quantos sobrinhos-bisnetos. Primos também não faltam, porque o seu avô paterno já tinha sido pioneiro da prole "chapa 17" e pelo lado materno também não eram poucos. Esta abundância familiar, que não se esgota nos números, foi sobretudo uma escola de partilha e de atenção multiplicada, mais do que dividida. E ajudou a exercitar a proeza de saber de cor as datas de nascimento de meio mundo.

Estudou para professora primária na Veneza portuguesa. Ensinou três anos no Minho dos anos 60 e das sopas de cavalo cansado. Os pais iam à escola dar-lhe luz verde para bater nos filhos, mas não ia nessa conversa. Consta que deixou boas memórias, mas fartou-se e trocou Famalicão por Lisboa.

Por cá, conheceu um engenheiro ribatejano, namoraram 9 meses e passado outro tanto de terem casado nascia a primogénita. Dois anos depois, vinha um rapaz. Foi preciso esperar mais dez para vir a obra-pr... o benjamim. E "colocou-se na combustão dos filhos", a tempo inteiro. O tempo todo para nós, querem maior luxo? Por isso pude ficar em casa até aos cinco anos. Por isso pude gozar livremente tantas tardes na infância, sem outra "ocupação de tempos livres" que não fazer aquilo que bem me apetecia.

Estando disponível para nós a 100%, nunca nos prendeu. Sempre pudemos ir sozinhos para a escola, escolher as actividades e os estudos de que gostávamos, amar quem escolhemos, sem interferências. Nos anos que vivi em Londres, nunca fez da distância um drama. O horizonte das sua ambição para nós não é "deste mundo".

Sempre nos mostrou que a Fé é o mais importante. Foi catequista, orientou grupo de jovens, preparou noivos, esteve em grupos de casais. Fez amizade nos vários mosteiros onde passávamos férias e pela nossa sala de jantar passaram muitos padres. Quando foi possível, conquistou o seu cantinho em Fátima, onde sempre foi amiúde.

Não gosta especialmente de cozinhar e já delegou nos filhos o papel de reunir a família à mesa, mas continua a brindar-nos com o melhor bolo do mundo. O excesso de açúcar nunca foi drama lá em casa, ou não tivesse o próprio Abade de Priscos andado pela cozinha dos meus bisavós. Nunca acabava um doce sem me chamar para rapar o tacho, com o mesmo ar maroto com que hoje enche os netos de biscoitos.

Aos 75, continua fresca. Atenta a todos, agora ainda com maior alcance pela janela do Facebook. A cuidar do marido, adaptando-se ao seu ritmo. A cuidar dos netos sempre que precisamos. E a confiar-nos todos os dias nas mãos de Deus. Assim Ele a mantenha.

A minha Mãe faz anos. Mas a maior felicidade é nossa.

sábado, 31 de dezembro de 2016

2016 em balanço

No último dia do ano, ressuscito o Fio Mental para recordar tanto que tenho a agradecer em 2016.

O ano ficou marcado pela nossa viagem de 20 semanas pela América do Sul. Um projecto a que chamámos O Verbo Ir, com direito a blogue, Facebook e Instagram, e 17 artigos no Observador. Em 140 dias, visitámos 40 cidades na Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil. Tomámos banho nas águas quentes de Cartagena e do Rio de Janeiro, tiritámos a -17ºC no deserto de Atacama e brincámos na neve em Bariloche. Estivemos ao pé de lamas, baleias e pinguins, vibrámos com a vista de Machu Picchu ou das Cataratas do Iguaçu, mas no top das memórias ficaram-nos as experiências humanas: fomos recebidos em 11 casas, conhecemos primos no Rio, falámos com um dos famosos mineiros chilenos e passámos uma semana de sonho com grandes amigos na Colômbia. E tudo isto valeu sobretudo pelo privilégio de estarmos os quatro juntos, 24 horas por dia, durante tanto tempo.


Apesar destes meses de férias alargadas, foi um ano muito exigente a nível profissional. Abri uma empresa de traduções, a Trustlation, com o meu amigo Luís, e a experiência está a ser muito boa. Continuo a produzir o Lusofonias, o programa da FEC na Rádio Sim, onde entrevistámos mais 52 pessoas, como o Júlio Isidro, a Laurinda Alves ou a Secretária de Estado Ana Sofia Antunes. No primeiro semestre, fiz também as newsletters da FEC. Escrevi 9 artigos para a secção Nostalgia do Observador. Fiz um curso de blogues com o Arrumadinho e um curso de escrita de viagens com o Tiago Salazar na Palavras Ditas.


Nasceu a minha sobrinha e afilhada Benedita, o Pedro (Marlene e Paulo), o Filipe (Francisca e Thiago), a Maria Inês (Ana e Paulo), a Isabel (Sofia e Pedro), a Clarinha (Rita e Bruno), o Tomás (Diana e Pedro), o Lourenço (Joana e Vasco) e a Maria (Isa).  Pela primeira vez em muitos anos, não tivemos nenhum casamento (teremos em 2017!), mas fomos a três baptizados. Acompanhámos amigos nas duras despedidas de pais e avós. Fui com o Vasco ver o Sporting a Alvalade 15 vezes. Fui com a Maria ouvir António Zambujo e Miguel Araújo no Coliseu, e Ivete, D.A.M.A e Maroon 5 no Rock In Rio. Andámos com os miúdos de autocaravana, passámos um fim-de-semana no Algarve e outro em Fátima, com amigos. E continuo a visitar o Lar de Nossa Senhora da Vitória.

Que o ano de 2017 nos traga muitas oportunidades para sermos melhores e darmos mais de nós!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Diá-Lu-gos #9

Lu: - Pai, para que é que serve a língua?
Eu ponho a língua de fora e explico: - Estás a ver estas pintinhas? Elas servem para ver se a nossa comidinha é doce, salgada ou amarga... É a língua que nos diz qual é o sabor dos alimentos.
Lu pensativa: - Ela diz... mas nós não ouvimos?!

sábado, 19 de setembro de 2015

Em Roma - programa cultural

Na quarta à tarde, tivemos direito a uma visita guiada pelo D. Carlos Azevedo aos Museus do Vaticano e à Basílica de São Pedro. Já lá tinha estado, mas com uma boa explicação de quem percebe do assunto faz toda a diferença!
D. Carlos Azevedo deu-nos uma lição de História de Arte
O grupo à porta da Basílica de São Pedro
Antes do jantar, parámos numa esplanada para retemperar forças com uma Peroni e brindar aos anos do Edgar, o nosso logístico em Bissau.
Fim de tarde em Trastevere
Jantámos na Trattoria degli Amici, um restaurante gerido pela Comunidade de Sant'Egidio, que integra pessoas com deficiência no seu staff - e serve uma óptima comida italiana a preços decentes. Juntaram-se a nós o Pe. Nuno Gonçalves, jesuíta, actualmente à frente da Faculdade de História da Universidade Gregoriana, que eu conhecia dos tempos em que orientou o grupo de CVX dos meus Pais, e o Attilio Ascani, director da FOCSIV, a congénere italiana da FEC.
Jantar na Trattoria degli Amici
Na quinta-feira, o meu avião partia ao início da tarde, por isso madruguei novamente para aproveitar a manhã ao máximo.
Na Praça de São Pedro
Na Piazza Navona
Na Via dei Portoghesi, onde fica a Igreja de Santo António dos Portugueses
Depois de muito andar, e seguindo os conselhos de quem lá vive, passei na geladaria Frigidarium para o merecido antídoto contra o calor húmido da cidade.
Tive de conferir se era mesmo a melhor geladaria de Roma
Antes de rumar ao aeroporto, fiz uma visita à Rádio Vaticana, que transmite o nosso programa Lusofonias. Foi bom dar um rosto às pessoas com quem troco e-mails semanalmente.
E assim foi esta visita de dia e meio à capital italiana!

Em Roma - a Audiência

O adeus do Papa aos leitores do Fio Mental
Todas as quartas-feiras de manhã, o Papa Francisco saúda os milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro. É a chamada Audiência Geral. Através do Embaixador na Santa Sé, a FEC conseguiu um lugar especial, mais perto do Papa, para a sua delegação de 17 pessoas. Levámos-lhe como presente um kit de publicações que ilustram o trabalho da FEC, embrulhado em panos da Guiné-Bissau.
O presente para o Papa: publicações da FEC em panos da Guiné-Bissau
O dia começou muito cedo, com uma missa às 7h30 na Capela de Santa Mónica (mesmo à entrada da Praça de São Pedro), celebrada pelo D. Carlos Azevedo, o bispo português que é uma espécie de "vice-ministro da Cultura" do Vaticano.
Missa na Capela de Santa Mónica
Fomos depois tomar os nossos lugares junto ao palco montado à porta da Basílica de São Pedro.
A entrada do grupo na Praça de São Pedro
Uns minutos antes das 10 horas, o papamóvel deu umas voltas pelo meio da multidão reunida na Praça de São Pedro.
O papamóvel dá uma volta pela multidão reunida na Praça de São Pedro
O Papa Francisco saúda os fiéis na Praça de São Pedro
Nessa altura, alguém referia aos microfones os vários grupos presentes na Audiência, incluindo a delegação da Fundação Fé e Cooperação.
A Equipa FEC em festa quando a sua presença é anunciada nos microfones
(e um sósia do famigerado Padre Frederico...)
O Papa fez então uma curta catequese sobre a família, a poucas semanas do Sínodo sobre o tema.
Durante a catequese
No final da catequese, o Papa Francisco dirigiu-nos (em italiano) uma saudação especial:
«Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta audiência, e através de cada um de vós, saúdo a todas as famílias dos vossos Países. Dirijo uma saudação particular aos membros da Fundação «Fé e Cooperação» de Portugal e aos grupos de brasileiros. Deixa-vos guiar pela ternura divina, para que possais transformar o mundo com a vossa fé. Deus vos abençoe.»

Junto a nós estava um grupo vindo da China, onde a Igreja ainda é clandestina e a liberdade religiosa uma miragem para os estimados 8 milhões de "católicos clandestinos". O Estado chinês só admite uma "Igreja oficial", com bispos designados pelo Governo, por isso estes turistas que vieram ao Vaticano arriscam-se (segundo os próprios me contaram) a sofrer represálias quando voltarem ao seu País.

Seguiram-se os cumprimentos do Papa aos representantes dos vários grupos presentes e também a dezenas de noivos que ali estavam.
Jorge Líbano Monteiro (Presidente do Cons. Administração), Frederico Magalhães (vogal do Cons. Administração)  e Susana Réfega (Directora Executiva) entregam ao Papa os presentes da FEC

Estava uma manhã de calor (30ºC), apenas cortado pelo vento, mas nem por isso o Papa se apressou nos cumprimentos e na conversa com cada um. No total, levou nisso hora e meia. À distância a que estávamos, uns 10 metros, gritámos-lhe que o esperávamos em Portugal e cantámos em modo repeat o Avé de Fátima.
Sempre bem disposto, depois de hora e meia de cumprimentos

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Em Roma

Quarta vez em Roma. A primeira foi nas Jornadas Mundiais da Juventude, em 2000, uma óptima experiência mas da cidade pouco vi. Na segunda, em 2002, desforrei-me e estive uma semana inteirinha (valiam-nos as férias de universitários) em que vi quase tudo, incluindo João Paulo II à distância de um braço. Na terceira, grávidos da Luísa, vim com a Maria visitar um primo a Florença e ficámos cá um par de dias à chegada e à partida, com direito a participar na beatificação de JP2. Desta vez, vai ser uma visita-relâmpago de menos de 48 horas: a FEC (www.fecongd.org), de cuja fantástica equipa faço parte desde 2009, faz 25 anos e conseguiu lugares especiais para a Audiência desta quarta-feira; quem quisesse aproveitar a oportunidade, vinha à sua custa (que no mundo das ONG não há cá pão para malucos), e o facto de termos vindo 17 (e os que não vieram foi só porque não podiam mesmo) diz muito sobre o gosto de fazer parte desta família. Uma família da qual também faz parte a minha irmã, que faz a gestão financeira dos projectos.

Aterrei quase à meia-noite em Ciampino. A Ryanair não só voa a menos de metade do preço da concorrência, como voa para um aeroporto que é mais próximo do centro do que Fiumicino e que obriga os aviões que lá pousam a sobrevoar o centro histórico. Não há melhor introdução do que ver do céu a bela Roma iluminada! Como o aeroporto era mínimo e eu só trazia uma mochila, demorei literalmente 5 minutos entre a porta do avião e a carrinha do transfer que me trouxe em meia hora até às portas do Vaticano. À hora que cheguei já não havia transportes públicos, mas o bom Google arranjou-me uma solução três vezes mais barata que vir de táxi. "Ah e tal, mas isso é seguro?" - muito receio tem a malta... por algum motivo fui o único a vir na Ryanair, cuja frota tem uma idade média muito inferior à da TAP e nenhum acidente para contar. Mas eu sou da onda do "non abbiate paura", dito nesta mesma cidade em 1978, e gosto de levar esse lema das coisas mais profundas às mais triviais.
Estamos instalados no Colégio Português, onde vim jantar em 2002 com o Pe. Rui Rosmaninho e onde o meu irmão viveu uns tempos. Está um calor húmido insuportável, o único senão nesta cidade lindíssima onde - vou dizer baixinho para a Maria-sempre-pronta-a-bazar não me ouvir - até me imaginaria a viver.

E agora chega de conversa, que amanhã o dia vai ser cheio e começa logo às sete da matina!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Bodas de madeira

Um lustro. Cinco aninhos. O melhor dia para casar. Dia de Santo Inácio de Loyola. Não nos cansamos de rever o resumo de um dia tão feliz.

Éramos 218 nesse dia. Entre os presentes, tivemos desde então 9 casamentos e 60 nascimentos (e mais 8 a caminho), mas também 9 pares desfeitos e 3 mortes.

Dizem que estas são as bodas de madeira, mas ainda não temos caruncho. Nem fazemos tábua rasa do que então prometemos. Temos sempre gosto em receber à nossa mesa. Continuamos a gostar do verbo "ir" (temos bicho-carpinteiro) e danados para a brin-cadeira.

Hoje vamos festejar ao som destes dois senhores:

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Força, Nuno!!

O meu amigo Nuno España gosta de desafios. Correu a primeira maratona há três anos e nunca mais parou. Passou das maratonas para as ultramaratonas e fez a mítica Comrades da África do Sul - uns meros 89 quilómetros! Seguiu-se o desafio do IronMan - um triatlo com 3,8 kms de natação, 180 kms de bicicleta e 42 kms de corrida - que completou em Frankfurt há um ano.

É já este sábado que o Nuno vai fazer aquele que muitos consideram o triatlo mais díficil do mundo, o Norseman, na Noruega. Com outros 235 malucos (é o único português na prova), vai saltar de um ferryboat para nadar 4 kms num fiorde, onde a água está a 11ºC. Seguem-se 180 kms pelas montanhas, com grandes subidas. Por fim, uma maratona, cujos últimos 17 kms são uma subida em trail à montanha de Gaustatoppen - um final tão duro que são obrigados a levar um acompanhante, neste caso o fiel amigo Pe. Ismael.

Para terem ideia do que é a prova, vale a pena ver este vídeo:

A maioria de nós não percebe o que leva uma pessoa a meter-se nestes trabalhos. Ele lá saberá o sentido que tem. Mas quis dar também um sentido no qual todos pudéssemos participar, e com o seu esforço está a mobilizar donativos para a Casa das Cores.

Convido-vos a espreitar a campanha em http://ppl.com.pt/pt/causas/casa-das-cores e a acrescentar qualquer coisinha.

Sábado vamos estar todos a torcer pelo Nuno, e o melhor incentivo que lhe podemos dar é fazer crescer o valor angariado!

domingo, 26 de julho de 2015

Diá-Lu-gos #8

Quando lhe mostrei o carro exótico em que os noivos tinham ido na véspera da igreja para o copo d'água (o raro BMW Isetta), a Luísa perguntou-me:
- Mas porque é que as pessoas bateram palmas ao Tio Jaime e à Tia Maria Ana quando eles iam no carro?
Balbuciei um início de explicação («então, foi porque eles...»), mas logo fui interrompido pela sua descoberta cheia de entusiasmo:
- Ah, já sei! Foi porque eles foram felizes para sempre!!
Assim sejam.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Há 10 anos, em Londres

Há dez anos, eu vivia em Londres, numa residência em Bloomsbury, e o meu quarto tinha vista para a Tavistock Square. Em Maio e Junho, quando estudava para os exames do Mestrado, saía sempre de Passfield Hall entre as 9h30 e as 10h, e caminhava até à biblioteca da LSE. Logo à saída da residência, atravessava todos os dias a passadeira que podem ver abaixo, junto à qual uma bomba foi detonada num autocarro, às 9h47 do dia 7 de Julho.
O atentado de Tavistock Square matou 13 pessoas que iam neste autocarro
Mas, poucos dias antes, terminados os exames, tinha mudado dessa residência para outra, muito perto, onde passaria os meses de Verão. A Commonwealth Hall ficava a 400 metros da estação de metro de Russell Square, onde outra explosão matou 26 pessoas.

Eu estava de férias em Portugal. Vim descomprimir após os exames, acompanhar o nascimento do meu sobrinho João e mostrar a minha terra a cinco amigos estrangeiros. Estávamos repimpados na praia quando comecei a receber mensagens de amigos a saber se estava bem. Melhor não podia estar! Rapidamente verificámos que os amigos que tinham ficado em Londres também estavam bem (os que estavam na residência ouviram a explosão do metro) e passámos o resto do dia de olhos postos na televisão, chocados e incrédulos.

O meu cunhado Fernando, que eu ainda não conhecia na altura, saiu do metro cinco minutos antes da explosão na estação de Aldgate, junto ao seu emprego. Aí morreram sete pessoas, na de Edgware Road mais seis.

Poucos dias depois, voltei a Londres e fui metendo o meu nariz de aspirante a jornalista nas zonas afectadas, por onde passava todos os dias (lembras-te, Raposo?). Multiplicaram-se as manifestações de solidariedade. Houve mais ameaças de bomba, desmanteladas a tempo. Mas o que mais me impressionou foi o business as usual da resiliência britânica - com o slogan We Are Not Afraid, os londrinos não cederam ao medo e continuaram a usar os transportes públicos. E eu fiz o mesmo. Essa é a melhor reacção que se pode ter ao terrorismo. Londres é e será sempre uma grande cidade!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Nós também somos Nepal!

A 25 de Abril, o Nepal sofreu um enorme terramoto, cuja devastação todos vimos na televisão. Chamou-me a atenção, pela dimensão da tragédia, com 8 mil mortos, e porque ainda tinha fresca na memória a viagem recente de duas amigas, que voltaram conquistadas pela simpatia daquele povo.

No próprio dia, levado pelos "likes" e partilhas de amigos meus no Facebook, cheguei ao primeiro post feito pelo Pedro Queirós após o terramoto. Não só o Pedro era "amigo de amigos" (esta categoria de relação própria das redes sociais), como a cara do amigo que com ele partilhou o susto, Lourenço Macedo Santos, me era familiar lá da Costa - na adolescência demos mergulhos e bebemos copos nos mesmos sítios. Além destas afinidades, a curiosidade de ter notícias do terreno em primeira mão fez-me continuar a seguir os relatos que o Pedro ia pondo na sua página.

Mas rapidamente a minha curiosidade se transformou em admiração. Primeiro, o Pedro e o Lourenço resolveram pegar no seu dinheiro e comprar alimentos para distribuir pelos desalojados num parque. Motivados pelo impacto dessa acção e pelos donativos que começaram a receber de Portugal, abdicaram do vôo que tinham marcado e decidiram ficar. Tinha nascido a campanha Obrigado Portugal, nós também somos Nepal.

Com a ajuda de aliados locais, começaram a levar grandes quantidades de comida a aldeias remotas onde foram a primeira ajuda a chegar. Horas de viagem, sentados em sacos de arroz em carrinhas de caixa aberta. Depois, construíram em Katmandu um campo para pessoas que tinham sido deslocadas de uma aldeia distante - o Campo Esperança, que se está a tornar num case study. Na última semana, começaram a construção de casas numa aldeia, com a ajuda de arquitectos conhecedores de técnicas resistentes a sismos - já vários voluntários se juntaram entretanto ao projecto. Todas estas conquistas foram relatadas diariamente, com o detalhe das despesas e muito humor. Dá para nos sentirmos lá também. Até porque a bandeira portuguesa está sempre presente, de mãos dadas com a nepalesa.

Quando soube que vinham a Portugal matar saudades e, sobretudo, divulgar a causa, tratei logo de os convidar para uma entrevista no Lusofonias. Como já tinham acertado uma entrevista com o Ricardo Conceição, da Renascença (passou ontem em directo) e a "casa" era a mesma, unimos esforços e vamos retransmitir essa conversa na Rádio Sim.
No estúdio da Rádio Sim (102.2 FM). A entrevista passa no dia 20, às 14h.
Pessoalmente, foi um privilégio poder passar a tarde de ontem com eles, acabadinhos de aterrar em Lisboa, e ouvir de viva voz os pormenores das histórias que há mês e meio sigo pelo Facebook. O entusiasmo e a entrega do Pedro e do Lourenço são inspiradores. O período sabático que tinham destinado a viajar deu lugar a este trabalho inesperado, que lhes tem preenchido e ensinado muito. Pelo menos até ao Natal, e enquanto tiverem fundos para investir nestes projectos, vão continuar no Nepal. E os resultados são brutais: cerca de 50 mil pessoas com ajuda imediata (alimentos e tendas, sobretudo), um campo que alberga 327 pessoas (com tenda médica e tudo) e duas casas quase construídas na vila de Chapagaun (com direito a reportagem na tv nepalesa).

O Lourenço e o Pedro a verem a reportagem da tv nepalesa sobre as casas que estão a construir.
Quem quiser juntar-se à causa, pode seguir a página da campanha no Facebook, fazer um donativo para o NIB abaixo ou promover uma angariação na sua família ou no trabalho, ou meter-se no avião para lhes ir dar uma mãozinha (mas só a partir de Julho!).