quarta-feira, 28 de abril de 2021
domingo, 18 de abril de 2021
Pai
Soubemos em meados de Dezembro que o Pai tinha um cancro nas vias linfáticas, sem tratamento. Tinha acabado de fazer 81, o coração já lhe tinha pregado dois sustos e a memória às vezes tinha uns bugs. Depois do choque do diagnóstico, juntámos todos os apoios para que pudesse ficar sempre em casa. Claro que o apoio maior e incansável foi a Mãe, sua grande cuidadora há 53 anos. Mas vários braços e corações se juntaram para que estivesse ainda mais acompanhado e com todo o conforto. Ainda conseguimos que conhecesse o João Pedro, nono neto. Morreu este sábado, em casa, sereno e rodeado da família - um luxo reservado a poucos.
O Pai descobriu a Fé a meio da vida. Batizou-se pouco antes de casar, ainda com uma adesão parcial. Anos depois, em Fátima, teve um súbito desejo de se confessar e fazer um caminho de joelhos no Santuário - o Pai sempre foi racional e crítico de excessos religiosos, mas há momentos espantosos. No regresso, pediu ao pároco da Costa que lhe desse catequese, e o Pe. Mário trocou-lhe as voltas e desafiou-o antes a ser catequista. Nas décadas seguintes, deu catequese, preparou casais para o casamento, orientou grupos de jovens, até entrou num teatro de Páscoa (das minhas memórias mais antigas). E passava horas, noite dentro, fechado no quarto a ler toda a exegese sobre cada versículo da Bíblia. Nos minutos antes de morrer, repetiu várias vezes a palavra "Fé". E este testemunho vêm em primeiro lugar no extenso rol do que lhe devemos.
Um par de horas depois, voei da Costa para o Campo Grande, onde a nossa Luísa ia receber a sua primeira Bíblia na "Festa da Palavra" da catequese, que acabou por ser a primeira missa por alma do avô. "O Pai era um apaixonado pela Bíblia; tens de estar com a tua filha e despertar-lhe esse mesmo amor". A Mãe sempre foi boa a lembrar-me das prioridades.
Nestes últimos meses, além das visitas mais frequentes, acompanhei-o em dois momentos importantes. Levei-o pelo braço, com dificuldade, até à mesa de voto - onde não podia faltar, não por entusiasmo nos candidatos, mas por ter um dever a cumprir (nunca foi de ter medo). E a sua última confissão com um dos seus amigos jesuítas do Pragal foi dentro do meu carro (comigo fora, claro).
![]() |
| Cara de olhar para os netos |
Há uns meses fiz quarenta anos e teimei em fazer uma festa maior. Tinha o feeling de que o tempo para estarmos todos juntos começava a escassear, e queria que os meus amigos o revissem ou conhecessem. O Pai não era muito de festas, mas sempre foi alegre e conversador, e assim esteve nesse dia. Aposto que o Pai nunca tinha ido a um concerto pop, mas vou guardar a memória de o ver a bater palmas acima da cabeça ao ritmo do Miguel Araújo.
quarta-feira, 3 de março de 2021
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
2020 em revista
2020 até nem começou mal: tivemos a casa cheia de amigos na passagem de ano; a Maria começou um mestrado em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia; fiz uma visita-relâmpago à Joana, em Amesterdão, para conhecer o seu bebé; e tivemos as habituais festas de anos, jantares de amigos e idas ao futebol - até tive o prazer de levar a tia Mila de volta a Alvalade!
![]() |
| Visita de 24 horas à Joana em Amesterdão |
![]() |
| Exposição Harry Potter (traduzida pela Trustlation) |
![]() |
| A Tia é uma força da natureza! |
![]() |
| Ana Galvão da Renascença em direto da nossa cozinha |
![]() |
| Com o padre Artur |
![]() |
| 10 anos de casados |
![]() |
| Na Costa com os primos do Brasil |
![]() |
| Com a prima Mar em Tavira |
![]() |
| Primeira Comunhão da Luísa no Campo Grande |
![]() |
| Anos das Marias em Sintra |
![]() |
| Um dueto improvável a "ver os aviões" |
A terminar um ano pesado, onde vários amigos perderam pais e avós, tivemos a notícia de que o Pai tem um cancro nas vias biliares, sem tratamento possível, por isso temos um tempo escasso para aproveitar a sua companhia. É o que estamos a tentar fazer e é a nossa prioridade para os próximos meses.
sábado, 10 de outubro de 2020
A grande festa
Há dias que superam todas as expectativas. Num ano de "cenas malucas", nem tudo é mau! Pensei muito se havia de fazer esta festa, mas a urgência de celebrar com os mais velhos da família foi o mote maior para a ideia andar para a frente. Veio quem não teve medo, e juntou-se um grupo bem simpático.
segunda-feira, 5 de outubro de 2020
quinta-feira, 17 de setembro de 2020
terça-feira, 8 de setembro de 2020
João
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Com Vicente
Quando eu tinha a idade do Manel, conheci o pai do Vicente. Nos 4 anos da primária, partilhei com o Miguel todas as benditas tardes sem aulas - ZX Spectrum, futebol na rua e tudo o mais que nos apetecesse. Fizemos juntos os 12 anos de escola. Os encontros depois ficaram mais intermitentes, mas nunca nos perdemos o rasto. A vida é breve (como a areia a escorrer entre os dedos) mas teremos sempre tardes sem horas para saborear o que fomos, somos e seremos.
sexta-feira, 31 de julho de 2020
10 anos do melhor dia para casar
terça-feira, 5 de maio de 2020
Atividades confinadas
O Manel esteve 53 dias a fazer o que lhe apeteceu. Agradeço às educadoras as propostas diárias, mas, sozinho com os três miúdos boa parte do tempo e a trabalhar, só consigo garantir que a Luísa cumpra (a custo) as poucas tarefas da primária. O Zé, esse, vai andando pela casa e pelos gostos dos irmãos ao Deus-dará.
sábado, 6 de julho de 2019
Nayan
Most of our trips don't start from a choice of places, but rather by thinking who do we miss and want to visit. This was also the case. Nayan was my flatmate, mutual confident and partner in crime when I lived in London. The last one (but Maria) to come say goodbye when I left London. The first one I called when our son José was born. We've been to each other's weddings, and what an experience it was to be in Bombay those days! Five years since we last met, this week spent together has been a great time to catch up with life and laugh and spice, with the big plus of having our beloved Uncle Pankaj along. Thank you for copying with the invasion of our gang of 5! We could not have had a better start!
A maioria das nossas viagens não começa por uma escolha de lugares, mas sim a pensar em quem sentimos falta e queremos visitar. Aqui foi mais uma vez o caso. A Nayan foi minha colega de apartamento, confidente mútua e cúmplice quando eu vivi em Londres. A penúltima (antes da Maria) a vir despedir-se quando saí de Londres. A primeira pessoa a quem liguei quando o nosso filho José nasceu. Fomos aos casamentos um do outro e que experiência foi estar em Bombaim nessa altura! Cinco anos depois de nos termos visto pela última vez, esta semana que passámos juntos foi um ótimo momento para pôr a vida em dia, entre risos e especiarias, com a grande vantagem de ter o nosso querido tio Pankaj por perto. Obrigado por permitires a invasão do nosso gangue de 5! Não podíamos ter tido um melhor começo!
domingo, 21 de abril de 2019
Páscoa 2019
A Quaresma começou com o sobressalto de um ligeiro AVC. Poder celebrar a Páscoa com a saúde e humor do Pai recuperados é mais uma bênção a agradecer. O Manel ainda não faz contas à passagem do tempo, mas vê o essencial, e basta.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Uma manhã com o Herman
Sonho de infância cumprido! Hoje o Herman esteve duas horas em direto nas manhãs da Rádio Sim e o apresentador desse programa - o meu amigo Zé Manel Monteiro - convidou-me para estar com eles na cabine e assistir a tudo, sentado na mesma mesa.
Devo ao Herman uma forma de ver humor e trocadilhos em tudo, uma bagagem de cultura geral, milhares de horas felizes frente à tv e o meu artigo no Observador mais lido de todos. Long live the king! (Obrigado, Zé Manel!)
domingo, 18 de novembro de 2018
Isabel
Tinha quase 12 anos quando nasci. Deu-me colo, mimo, foi ama-seca (mas fecunda), levou-me de chaperone para os seus programas (jantares de amigos, comícios, o meu primeiro McDonald's), deu-me o primeiro cunhado, a primeira sobrinha (e mais 3), a primeira afilhada, o primeiro carro e abriu-me mil caminhos - como ser filho, como ser pai, como servir... Já vestimos a mesma camisola (mas não clubística) e continuo a valer-me da sua competência. Meio século é uma tonelada de graças a agradecer e outro tanto de sonhos para regar. Parabéns e obrigado, mana e madrinha Isabel!
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Vou Já, 'mor!
Ganhar e perder faz parte. Parabéns a quem ganhou bem. O que não faz parte é semear ódios no que só devia servir para nos unir. E se serve, caramba! O que fica de hoje é a alegria de fazer a festa com os Amigos que partilham esta paixão. E o apoio comovido aos rapazes de verde e branco nesta semana surreal. Obrigado pelo convite, André e Maria Carlos! (E somei mais um par de cromos à minha caderneta)
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Janela da Graça
"O que é aquilo ali em cima?", perguntou-me, avistando o Convento da Graça desde uma janela fechada do Hospital de São José, onde a Mãe recupera, fina, de um fémur partido. No fim da visita, levei-o Mouraria acima, aprendeu o que era um tuk-tuk e um talho halal, e partilhámos um pôr do sol no miradouro onde pedi a Maria em casamento. A descer, fui eu que aprendi como eram as noites no Ramiro dos anos 60, em que o fornecedor de marisco era o pai do seu colega Eládio Clímaco. E assim se abriu uma janela. De oportunidade.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Amor de Mãe
sábado, 31 de dezembro de 2016
2016 em balanço
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Diá-Lu-gos #9
Eu ponho a língua de fora e explico: - Estás a ver estas pintinhas? Elas servem para ver se a nossa comidinha é doce, salgada ou amarga... É a língua que nos diz qual é o sabor dos alimentos.
Lu pensativa: - Ela diz... mas nós não ouvimos?!













































